Fevereiro 20, 2019

Desmontam o 'mito' Bolsonaro

Desmontam o 'mito' Bolsonaro

Desde que se iniciou a Operação Lava Jato, estamos acostumados a ouvir gravações com negociatas terríveis envolvendo políticos, autoridades, governantes e empresários. Também conhecemos trechos de depoimentos em delação premiada decepando cabeças então coroadas. Gigantes ficaram anões, honestos mostraram desonestidade, corruptores corromperam corrutos, empresários viraram picaretas e assim por diante.

Mas, até ontem, 19, jamais poderia se imaginar que o novo governo eleito com dois anos de campanha modesta, focada nas redes sociais e contra esse estado de coisas, fosse tão cruelmente escancarado como nas gravações entre o ministro demitido, Gustavo Bebianno e Jair Bolsonaro.

O eleito, chamado de "mito" durante a campanha e na festa da vitória na frente da casa na Barra da Tijuca, Rio, mostrou desvio de conduta, aceitou interferência de um filho, negou ter conversado com Benianno e foi desmentido pelas gravações reveladas pela Veja. E muito provavelmente divulgadas pelo interlocutor. Não teve jogo de cintura e nem pulso.

Revelou ainda ser uma pessoa simplória - e não simples - no jeito de falar sobre os assuntos de governo e de encaminhar a saída do auxiliar como se livrasse de um saco de papéis usados.

O maior problema do governo até o momento é o próprio governo, sem rumo, ainda batendo cabeça, sem porta voz. Entre as infelicidades do dia ainda detonou a Globo, impedindo que o auxiliar recebesse o diretor institucional da Rede, imaginando o que as outras emissoras iriam pensar. As mesmas emissoras que o presidente privilegiou até agora, em detrimento da Globo. Mal com a imprensa, mal com os políticos.

Dos quase 58 milhões de votos que teve no segundo turno, Bolsonaro já decepcionou muitos dos que votaram nele porque acreditavam na proposta ou porque queriam a renovação do poder. Terá chance se recuperar e tocar o País? Até agora não mostrou status para tal, mas temos que dar a ele pelo menos mais um mês para que desenrole os nós que criou.

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia.

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