Maio 14, 2019

A difícil tarefa de convencer Bolsonaro sobre a Eletrosul

A difícil tarefa de convencer Bolsonaro sobre a Eletrosul
MAURÍCIO VIEIRA/SECOM

A construção que deve ter vindo do ministro-chefe da Casa Civil, o deputado federal Onyx Lorenzoni (DEM-RS), o braço direito na articulação política do presidente Jair Bolsonaro, é o maior entrave para Santa Catarina imaginar que possa reverter a decisão já tomada de que a gigante Eletrosul será incorporada pela pré-falida Companhia de Geração Térmica de Energia Elétrica (CGTEE), instalada no Rio Grande do Sul. A empresa federal com sede em Santa Catarina, a maior estatal do Sul do país, sempre teve sua localização administrativa questionada por gaúchos, paranaenses e mato-grossenses, integrantes do Codesul, de forma velada, mas constante, desde a sua instalação em 1976, um marco de desenvolvimento para o Estado e a Capital Florianópolis. A louvável força, sem o tradicional divisionismo partidário, que o governador Carlos Moisés da Silva, da mesma sigla do presidente, o PSL, e o Fórum Parlamentar Catarinense demonstram (foto) em termos de mobilização pode ser, no entanto, tardia, diante dos planos políticos de Onyx, talvez a pessoa que tenha mais contato com Bolsonaro diariamente, além dos ministros e assessores militares. Não é o único deputado federal do Estado vizinho que advogará pela medida, tomada sem avaliar riscos e apenas centradas em salvar financeiramente a retraída CGTEE. Na Esplanada ainda atua Osmar Terra (MDB), titular da Cidadania. Há espaço para o otimismo na conversa com Bolsonaro, porém quem agirá contra o lobby de Onyx e seus companheiros deverá se armar de todo o tipo de trunfo, sem ignorar que trata-se do primeiro passo para a política de privatização do setor, desenhada pelo ministro Paulo Guedes (Economia).

 

Sem força

Deputados federais e senadores catarinenses deverão ser heroicos para sobrepujar a eterna falta de força política que o Estado amargou durante décadas. Só não se esqueçam que o presidente, que receberá o Fórum Parlamentar e Moisés, precisa aprovar uma reforma da Previdência mais outra administrativa, a bancada do Rio Grande do Sul tem 31 votos na Câmara, enquanto as de Santa Catarina (16), Paraná (30) e Mato Grosso do Sul (8). Unidos, os três, desde que com o mesmo pensamento, seriam imbatíveis, mas o Planalto não quer testar a força de ninguém e terá natural adesão de muitos nas quatro bancadas que darão as costas para o pleito sobre a Eletrosul.

 

Alternativas

Tanto é que a fusão já foi incorporada na nova administração federal, que, mais do que a autorização do Conselho da Eletrobras, a própria direção da Eletrosul, representada na audiência pública na Assembleia pelo presidente Gilberto Odilon Eggers, já desenha alternativas como deixar partes da área administrativa em Florianópolis. Mas a arrecadação de tributos e o faturamento ficarão no Rio Grande do Sul, nas mãos da CGTEE, um prejuízo tributário maior do que a manutenção de empregos em Santa Catarina. A audi~encia foi proposta pela deputada estadual Luciane Carminatti (PT).

 

E os votos

Oficializada a medida em torno da Eletrosul, Jair Bolsonaro dará de ombros para as votações retumbantes que obteve em terras catarinenses. A maior proporcional em votos válidos no país, em primeiro turno (65,82%), e a segunda maior no segundo turno (75,92%).

 

Delicado

Ex-deputado estadual, Jailson Lima (sentado entre os deputados federais Ricardo Guidi, do PSD, e Daniel Freitas, do PSL, na foto), diretor Administrativo e Financeiro da Transmissora Sul Brasileira de Energia (TSBE), empresa que tem a Eletrosul e a Copel (do Paraná) como acionistas, esteve na conversa do Fórum Parlamentar com o governador, na Casa d’Agronômica. Mas não pode participar do almoço, reservado apenas à bancada federal. Jailson foi deputado estadual e prefeito de Rio do Sul pelo PT, do qual desfilou-se em setembro de 2016.

 

RAFAEL WIETHORN/DIVULGAÇÃO

A DUPLA “JIBOIA” E “LINGUIÇA”

O tamanho da Eletrosul em relação a minguada CGTEE, centrada tão somente no trabalho com carvão mineral, é tão significativo, até porque a estatal instalada em Santa Catarina atua em quatro estados e possui um quadro funcional quatro vezes maior, que as comparações foram inevitáveis nos discursos durante a audiência pública na Assembleia. Que o digam os dois personagens da foto, o deputado federal Hélio Costa (PRB), à esquerda, e o senador Jorginho Mello (PR), à direita. Hélio disparou que a incorporação é como se “a minhoca engolisse a Jiboia”. E Jorginho não ficou atrás e tascou que “a linguiça está comendo o cachorro”.

 

Fila

Depois do encontro com o Fórum Parlamentar Catarinense, o governador Carlos Moisés recebeu uma fila de deputados estaduais em audiência, na Casa d’Agronômica. Individualmente, em uma semana de análise de emendas da reforma administrativa, Sérgio Motta (PRB), José Milton Scheffer (PP), Paula da Silva (PDT), Rodrigo Minotto (PDT) e Jair Miotto (PSC) foram conversar com Moisés, sem os traços da velha política, o que não evita de quem pede algo ao chefe do Executivo tem votos a dar em plenário.

 

Boa notícia

Mais de 340 propostas de quem tem dinheiro a receber de decisões judiciais contra o Estado, os chamados precatórios, foram apresentadas à Procuradoria Geral do Estado. Os titulares do crédito são interessados em fazer um acordo para antecipar o recebimento dos valores, algo calculado em R$ 79 milhões, e que representará uma economia de R$ 20 milhões após a análise da PGE e da homologação pelo Tribunal de Justiça.

 

Em tempo

A antecipação com deságio é uma boa medida para o governo e para quem perde, às vezes, a esperança de receber os valores. E novos editais devem ser lançados até o fim do ano, dentro dos R$ 250 milhões disponibilizados para o pagamento dos precatórios.

 

MARCELO BECKER/DIVULGAÇÃO

QUE TRIO!

Qualquer observador atento da política catarinense sabe que quando se reúnem três personalidades do sul do Estado em um papo animado assim, é bom ficar atento aos desdobramentos. O deputado Julio Garcia (PSD), presidente da Assembleia, o prefeito Clésio Salvaro (PSDB), de Criciúma, e o prefeito Joares Ponticelli (PP), de Tubarão, têm assunto e articulações que não se resumem um único encontro, passam por 2020 e 2022. Este, registrado na foto, foi durante a programação especial que marcou os 73 anos da Rádio Eldorado, uma das mais importantes e mais tradicionais emissoras da comunicação catarinense. No mesmo evento, ainda estavam e empresários, o vice-prefeito Ricardo Fabris, o deputado federal Ricardo Guidi (PSD), o secretário estadual de Comunicação, Ricardo Dias, e a desembargadora do Tribunal de Justiça, Salete Sommariva.

 

Oportunidade

Desta terça (14) até sexta (17), o Congresso de Direito UFSC promete trazer ao Campus de Florianópolis, temas que ainda impactam no cenário político e jurídico do país, no Centro de Cultura e Eventos da Universidade Federal. Uma das palestras que prometem muita repercussão será a do advogado, professor e ex-deputado federal José Eduardo Cardozo (PT-SP), que falará sobre a crise no Estado Democrático de Direito, na sexta, mais um confronto certo de ideias entre lulistas e bolsonaristas. As inscrições são gratuitas e podem ser feitas em http://bit.ly/congressodireitoufsc.

 

No ar

Um total de 30 produções catarinenses, em dois lotes, serão premiadas pela Assembleia em R$ 25 mil para cada série e R$ 8 mil para os filmes e terão veiculação na TVAL por 24 meses, em homenagem aos 20 anos da emissora legislativa. A ideia é fomentar a produção audiovisual no Estado do gênero documentário, com argumentos e narrativas que abordem temas ligados à realidade histórica e cultural catarinense. O edital prevê que os interessados em participar da seleção devem acessar o www.alesc.sc.gov.br, até o dia 27 de junho. Os envelopes com as propostas serão abertos no dia 28 de junho.

* Nova delação, desta vez de um dos donos da companhia aérea GOL, Henrique Constatino, incrimina Michel Temer e os ex-deputados federais  Geddel Vieira Lima e Eduardo Cunha, a quem teria pago propina de R$ 7 milhões para ter acesso a empréstimos na Caixa Econômica Federal. A coisa se complica cada vez mais para esta turma, o que tem reflexo no MDB como um todo.

 

* Fica a dúvida: se a defesa de Michel Temer aposta no habeas-corpus, durante o julgamento desta terça (14), no STJ, porque insistiu tanto na transferência do ex-presidente para uma sala de Estado Maior, no Batalhão do BOPE, da PM de São Paulo, sob o argumento de condições mais dignas pela prerrogativa do cargo que ocupou.

 

* E o senador Flávio Bolsonaro (PSL-RJ) teve seu sigilo bancário quebrado, assim como o do ex-assessor Fabrício Queiroz, a pessoa mais difícil de se encontrar no planeta Terra.

 

* Na eterna disputa entre o servidor de carreira e o terceirizado, a contratação de 32 pessoas ao valor de R$ 6 milhões ao ano pela Assembleia merece um cálculo para saber o que sairia se fossem efetivados em concurso público.

 

* Ex-governador Raimundo Colombo (PSD) recebe o título de Cidadão Honorário de São João do Itaperiú, no Norte do Estado, nesta terça (14), às 19h, em proposição apresentada pelo presidente da Câmara, vereador Valdeci Delmonego (PSD), e aprovada por unanimidade.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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