Junho 06, 2019

Direção do PSB desiste da batalha com a nacional

Direção do PSB desiste da batalha com a nacional

Em uma página, na nota divulgada no início da noite desta quarta (5), o comando do PSB catarinense explica o porquê de renunciar aos cargos no diretório e escancarou mais uma etapa da convivência turbulenta com o diretório nacional, que, certamente, levará a uma debandada da sigla por parte daqueles que não têm mandato legislativo (vereador, deputado estadual e deputado federal).

Não foram os 30 dias mais calmos na história do partido no Estado, que, antes da chegada do grupo liderado pelo ex-deputado federal Paulo Bornhausen, não passava de uma sigla de aluguel, no jargão popular, incapaz de produzir os resultados verificados nas duas últimas eleições.

Além de um desempenho que lhe garantiu um salto, em 2016, quando elegeu 10 prefeitos (perdeu Luciano Buligon, em Chapecó) – tinha 2 antes – e 95 vereadores dos 796 que concorreram, o PSB garantiu, no ano passado, uma cadeira na Câmara dos Deputados e três na Assembleia, embora tenha perdido no apoio a Gelson Merisio ao governo e a Raimundo Colombo ao Senado.

Bornhausen se desfiliou em função da orientação mais à esquerda do presidente Carlos Siqueira e provocou uma reação da executiva nacional, que interveio no Estado com mão de ferro e indicou o ex-senador e vereador Adir Gentil para presidir o novo comando, manobra derrotada pelo presidente do diretório Ronaldo Freire e seu grupo em duas instâncias da Justiça Federal no Distrito Federal.

Mas Siqueira não se conteve, chamou Freire a Brasília para se explicar sobre o desempenho numérico da eleição para deputado federal, que dá direito ao Fundo Partidário e tempo de rádio e TV, embora tenha ignorado, mesmo no diretório municipal de Joinville, a liderança do deputado Rodrigo Coelho, um dos motivos alegados da renúncia. O descompasso não ajudou nem um lado nem outro.

 

Mandatos

O mesmo diretório nacional, que jamais expulsou o prefeito de Chapecó Luciano Buligon oficialmente, pelo apoio dele a Jair Bolsonaro na eleição do ano passado, mas alardeou como se tivesse feito, também cobra no Judiciário os mandatos dos deputados estaduais Bruno Souza e Nazareno Martins.

Bruno se desfiliou quatro dias depois de empossado na Assembleia sob o argumento de que não tem afinidade ideológica com o pensamento da cúpula nacional, favorável ao PT (tanto que apoiou Fernando Haddad à Presidência), com uma carta de liberação assinada por Ronaldo Freire, sem prejuízo do mandato, e Nazareno por um erro no sistema informatizado da Justiça Eleitoral, que já teria sido revertido. Desde então, o clima é de guerra.

Nos bastidores

Enquanto correm as batalhas judiciais, a direção nacional pessebista fez várias investidas, uma delas em direção ao deputado estadual Laércio Schuster, para que ele assuma a sigla no Estado.

Evidentemente, o fato não agradou o grupo de Freire, daí tantas justificativas de perseguição, xingamentos e ofensas relatadas na carta de renúncia, cuja íntegra pode ser lida abaixo.

 

Florianópolis, 05 de maio de 2019.

 

Carta à Sociedade Catarinense

 

É com profundo pesar que os membros eleitos do Diretório Estadual do PSB-SC, vêm informar o que segue:

CONSIDERANDO a tensão interna instalada no último mês dentro da agremiação partidária;

CONSIDERANDO a aguerrida perseguição patrocinada contra membros deste diretório e contra candidatos eleitos;

CONSIDERANDO o ato arbitrário de intervenção que resultou na destituição unilateral do Diretório Catarinense;

CONSIDERANDO a insistência na manutenção da intervenção já declarada NULA pela Justiça do Distrito Federal nos autos do Mandado de Segurança n. 0711809-10.2019.8.07.0001;

CONSIDERANDO a clara animosidade do presidente do Diretório Nacional que, mesmo após decisão de primeira instância, recorreu ao Tribunal de Justiça do Distrito Federal para legitimar a destituição (Agravo de Instrumento n. 0708578-75.2019.8.07.0000);

CONSIDERANDO que a decisão de segunda instância também reconheceu como NULA a intervenção;

CONSIDERANDO a inexistência de predisposição para o diálogo por parte do presidente da Executiva Nacional;

CONSIDERANDO que a Executiva Estadual seguiu fielmente às diretrizes firmadas pelo próprio presidente da Comissão Executiva Nacional e à legislação pertinente na condução de pedido de desfiliação e, mesmo assim, seus membros foram acusados de fraude sem que nenhum lastro probatório fosse apresentado;

CONSIDERANDO o descaso para com o único Deputado Federal eleito pelo PSB de Santa Catarina que, sem qualquer notificação prévia, também foi destituído de seu cargo no Diretório;

CONSIDERANDO as ameaças e as ofensas dirigidas aos membros do Diretório Estadual;

CONSIDERANDO o descaso com o crescimento do partido no Estado nos últimos pleitos;

CONSIDERANDO a nova tentativa de destituir o Diretório eleito mediante manobra que desrespeita frontalmente a decisão judicial que reconheceu como indevida a intervenção antes realizada;

CONSIDERANDO o desrespeito para com os filiados do partido que elegeram os signatários durante o Congresso Estadual do PSB em 2017;

CONSIDERANDO a lisura e a ética que sempre pautaram os membros do Diretório Estadual na condução do partido, dissociada da condução antidemocrática e intervencionista patrocinada pela presidência da Executiva Nacional; Os membros deste Diretório Estadual do PSB em Santa Catarina agradecem a confiança de todos que estiveram aos seus lados nos últimos anos e RENUNCIAM aos cargos para os quais foram legitimamente eleitos.

 

Diretório do PSB Santa Catarina

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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