Novembro 28, 2019

Dissidentes aumentam os ataques a Moisés

Dissidentes aumentam os ataques a Moisés
FOTOS BRUNO COLLAÇO/AGÊNCIA AL

Os deputados Ana Caroline Campagnolo e Jessé Lopes dividiram o espaço destinado ao PSL à tribuna da Assembleia para destilar veneno contra Carlos Moisés da Silva motivados pela notificação que receberam da Comissão de Ética do PSL por ataques anteriores ao governador, cuja maior penalidade seria a expulsão da sigla.

Jessé afirmou, com todas as letras, que Moisés “não tem condições morais de ser meu líder”, na mesma linha de Ana Caroline que igualmente se diz perseguida pelo governador.

E valeu-se da velha foto de campanha onde o então candidato ao governo, ao lado do candidato ao Senado, Lucas Esmeraldino, fazia o gesto da arminha com a mão, que, mais tarde, foi criticado como exagero do radicalismo pelo hoje inquilino da Casa d’Agronômica, em entrevista à Folha de S.Paulo, esta sim uma declaração que, até agora, alimenta o ódio entre os dissidentes revoltosos na Assembleia.

Ana Caroline disse que recebeu a notificação no dia de seu aniversário de 29 anos, na última terça, “um presente do governador Moisés”, e mostrou dados da autora do pedido, Fabíola Gomes, filiada ao PSL desde setembro, que teria agido a pedido da cúpula do governo e recebido do partido valores de R$ 4 mil e de R$ 7.923 em dois meses.

 

Punição que seria um prêmio

Para ambos os deputados, que se uniram aos colegas de bancada Sargento Lima e Felipe Estevão, que não foram denunciados à Comissão de Ética, a expulsão do PSL seria um prêmio.

Ana Caroline e Jessé perderiam tão somente as funções nas comissões da Assembleia, por não terem partido, e aguardariam pacientemente a criação da Aliança Pelo Brasil, articulado pelo presidente Bolsonaro para se filiarem.

 

Bolsonaro como argumento

Mais uma vez, a deputada Ana Caroline reforçou o discurso de que Moisés abandou os ideais e se afastou do presidente Jair Bolsonaro, elo dos que agora estariam contrariados com atitudes do governador, acusado de não atender os projetos e pleitos dos revoltosos.

A deputada usou inclusive um vídeo da campanha, em que Moisés afirma que ele é o candidato de Bolsonaro no Estado quando batia contra o oportunismo de Gelson Merisio (à época no PSD), que havia declarado voto no candidato do PSL, mas Ana Caroline utilizou o mesmo discurso do Sargento Lima, de um dia antes, de que votou mais 75% favorável aos projetos encaminhados pelo Executivo.

 

O alvo constante

Quando não criticam Moisés, os deputados do PSL e de outras siglas, entre eles Ivan Naatz (ainda no PV), miram no secretário Douglas Borba (Casa Civil), vereador licenciado de uma cidade na Grande Florianópolis, apontado ora como um “mau conselheiro” do governador, ora por dificultar o acesso dos parlamentares às estruturas do Estado.

Naatz cunhou o apelido de “Pessoal de Biguaçu”, que estaria levando “o senhor para o buraco (política e administrativamente), para o ostracismo político e para a boca do jacaré”, e pediu que o governador se aconselhe melhor, pois “governar o Estado não é para amadores”.  

 

REPRODUÇÃO/TWITTER

SUSPENSÃO E ADVERTÊNCIA

O pessoal ligado ao presidente Jair Bolsonaro queria a expulsão, mas por enquanto a Executiva Nacional do PSL só sugeriu a suspensão do deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) por 12 meses e com ele mais 13 deputados com períodos diversos, que vão de 3 meses a um ano, por conta da disputa pela liderança da Câmara. Outros quatros parlamentares, entre eles o Coronel Armando (de Santa Catarina, no detalhe da foto, ao lado de Eduardo), receberam advertência, todos atos que precisam ser referendados pelo diretório nacional, que se reúne na semana que vem. Esta foto foi tirada no auge da crise pela disputa da liderança na Câmara. A tática do PSL nacional é a mesma do partido em Santa Catarina, “cozinhar” os revoltosos.

 

Os deputados que podem ser suspensos pelo PSL:

Bibo Nunes (RS): 12 meses
Alê Silva (MG): 12 meses
Bia Kicis (DF): seis meses
Carla Zambelli (SP): seis meses
Carlos Jordy (RJ): sete meses
Daniel Silveira (RJ): 12 meses
Eduardo Bolsonaro (SP): 12 meses
General Girão (RN): três meses
Filipe Barros (PR): seis meses
Junio Amaral (MG): três meses
Luiz Philippe de Orleans e Bragança (SP): três meses
Márcio Labre (RJ): seis meses
Sanderson (RS): 10 meses
Major Vitor Hugo (GO): sete meses

 

Os que podem ser advertidos:

Hélio Lopes (RJ), o Hélio Negão, o que mais sai em fotos com Bolsonaro;

Chris Tonietto (RJ);

Aline Sleutjes (PR)

Coronel Armando (RJ).

Fonte: Congresso em Foco

 

MAURÍCIO LOCKS/DIVULGAÇÃO

O MELHOR DO BRASIL

O senador Jorginho Mello (PL) foi eleito o melhor do país pelo Ranking dos Políticos, que analisa o mandato de acordo com os seguintes critérios: presença nas sessões, economia da cota parlamentar e contra privilégios, ficha limpa e voto nas principais decisões do Congresso, como o aumento do Fundão Eleitoral. Em plenário, Jorginho Mello, quando era deputado federal, votou contra em 2017, não usou na campanha ao Senado em 2018 e foi eleito, e, em 2019, votou contra. Jorginho acumula reconhecimento por parte da entidade do terceiro setor, que já lhe concedeu o título de segundo melhor deputado do país. Trabalho é o que não falta no currículo do parlamentar, um estreante no Senado, que já garantiu a aprovação e sanção de vários projetos e está cada vez mais próximo do presidente Jair Bolsonaro.

 

Eles também

O Ranking do Políticos também reconheceu o trabalho de quatro deputados federais catarinenses entre os melhores do país, todos eles estreantes na Câmara.

São eles, Caroline de Toni e Coronel Armando, ambos do PSL; Gilson Marques (NOVO) e Rodrigo Coelho, de mal com o PSB. Detalhe: os premiados gastam 47% a menos que o restante do congresso na legislatura atual.

 

Duplo revés

A defesa do ex-presidente Lula tem que apostar todas as suas fichas mesmo no STF, pois depois do resultado do julgamento no TRF-4, com sede em Porto Alegre, nem o STJ parece ser o suficiente para resolver o imbróglio.

Os desembargadores federais não só confirmaram a condenação por corrupção em primeiro grau no caso do Sítio de Atibaia, como aumentaram a pena de 12 para 17 anos, derrota que não estavam nas contas dos procuradores do petista.

 

* INACREDITÁVEL: O TCE de Santa Catarina apurou que 57 servidores, de unidades jurisdicionais, entre eles empregados, aposentados e pensionistas, que já haviam falecido, receberam R$ 1,631 milhão em salários, dos quais R$ 767 mil, de 26 casos, já estão em fase de recuperação dos valores.

 

* FERRAMENTA: De acordo com o presidente da corte de Contas, conselheiro Adircélio de Moraes Ferreira Junior, a atuação dos servidores do TCE tornou-se mais eficiente a partir da utilização da ferramenta do Sistema de Gestão de Trilhas de Auditoria (SGTA).

 

* INDICIAMENTO: Causou surpresa o indiciamento pela Polícia Federal do ex-secretário de Administração, Milton Martini (MDB) e do ex-presidente do Conselho de Administração da Celesc e ex-presidente da Assembleia, Pedro Bittencourt Neto (PSD), e do empresário Mário Kenji Iriê, na Operação Alcatraz, que investiga fraudes em licitações dentro do governo do Estado e na Epagri.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento) e na 105 FM (Jaraguá do Sul); e assina uma coluna no Diarinho, de Itajaí.
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