Outubro 08, 2020

Distributivismo imediatista, sem buscar o definitivo

Distributivismo imediatista, sem buscar o definitivo
Reprodução

O Bolsa Família, o Renda Brasil, o Renda Cidadã – ou qualquer outro nome – é um colchão para amortecer o tombo da pobreza e da fome. É útil. Mas estão muito muito longe de resolver o problema. É preciso, simultaneamente, buscar o caminho para um distributivismo definitivo e sólido. Economia com geração de empreendimentos, empregos e rendas satisfatórios para todos os brasileiros. O único caminho para chegar a isso é a educação reformada radicalmente. Vejamos como revolucionar a educação para chegar a um distributivismo econômico definitivo, permanente e sólido.

Primeiro ponto: A educação moderna, do futuro, no mundo desenvolvido, não é só ensinar matemática, línguas, ciências, e outras matérias básicas acadêmicas. É, também, aplicar essas matérias básicas às carreiras concretas de vida, trabalho e empreendedorismo de todos os cidadãos, do nascimento à morte, com ajuda da revolução comunicacional-informacional. Educação integral, corretamente definida. Que não é só dar aula de manhã e de tarde. Mas assumir a responsabilidade pelo sucesso das carreiras concretas de vida, trabalho e empreendedorismo dos cidadãos. A maioria dos técnicos em educação brasileiros nem discutem essa educação integral, porque a mudança necessária para isso é grande e complexa. Assustadora. Preferem ficar apenas na decoreba das tais matérias básicas acadêmicas, propondo aumentos salariais para os professores como solução para melhorar a educação.

Segundo ponto: Acabar com o capitalismo dos monopólios do consumo pela pobreza. Monopólios que constituem a tese defendida por Paulo Guedes, quando ele acha que colocando o dinheiro do estado a serviço da meia dúzia de grandes empreendimentos do país, que produzem apenas para o consumo pela pobreza, vai com isso gerar todos os empregos que os brasileiros precisam para sair da pobreza e da fome. Em lugar desse capitalismo da exploração do consumo pela pobreza, ensinar as comunidades pobres a produzir para seu próprio consumo, e pressionar os grandes capitalistas brasileiros a competir no mercado mundial, com a alta sofisticação da tecnologia e da ciência.

Com a Renda Cidadã, o governo de direita abraça uma medida socialista, de esquerda. Vai providenciar, ou não, a renda permanente, de direita, via empregos bem remunerados? Quando? Isso dependendo de educação radicalmente reformada. O que dizem levará muito tempo para resultados. Sim. Mas se não começar agora, essa solução de direita levará mais tempo ainda para acontecer. E o desastre virá mais cedo, e muito maior ainda.

Em resumo: Uma economia moderna, com distributivismo satisfatório e permanente, requer uma revolução radical do sistema educacional. Dentro da qual ele assuma a responsabilidade – além da decoreba das matérias básicas acadêmicas, necessárias – pela aplicação de tais conhecimentos acadêmicos às carreiras concretas de vida, trabalho e empreendedorismo de todos os cidadãos, do nascimento à morte, com ajuda da revolução comunicacional-informacional que está aí. É essa a educação do futuro, que o mundo desenvolvido está adotando. E que o Brasil, se deixar de lado a timidez intelectual, pode abraçar dentro da ambição de uma liderança mundial, com aceleração desse rumo. Para conquistar um distributivismo econômico definitivo, sólido e permanente. E não ficar apenas no assistencialismo socialista transitório do Renda Cidadã.

*Ricardo Luiz Hoffmann é Formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.

Tags:
artigos opinião especialistas
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Artigos Relacionados

Redação Making Of

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!