Maio 08, 2018

DIVAS E CINEMA, TUDO A VER

Diva é uma divindade feminina, uma deusa. É um substantivo feminino derivado do latim divus (deusa). Diva era uma palavra inicialmente usada para célebres cantoras de ópera tendo o mesmo significado do termo italiano prima donna (a cantora principal de uma ópera). Passou a ser usado também para estrelas do mundo do cinema e da música e num sentido mais lato também designa uma mulher muito formosa ou uma musa. (Dicionário de significados).

O Cinema soube aproveitar bem o nosso encantamento pelas divas e explorar nas telas suas vidas tão intensas e incomuns quanto seu talento. Claro, cada um tem sua favorita e acaba julgando o filme de forma passional: retrataram minha diva à altura ? Uma biografia mais cruel pode gerar reações iradas ou comover às lágrimas os fãs dessas mulheres extraordinárias.

Selecionei filmes sobre divas da música. Gosto MUITO de todas da lista, mas meu coração reserva um lugar especial para três delas. Espero que as suas também estejam aqui, mas sempre é tempo de ampliar o rol. Qual filme imprescindível está faltando? Sua diva/musa não apareceu? Reclame aqui cineseries@portalmakingof.com.br  ou no rodapé da coluna (agora está mais fácil comentar).

Em tempo: Minha frustração ao abordar o tema é não poder postar vídeos de todas elas cantando. Foi dificílimo escolher só um . São cenas de  "O ocaso de uma estrela", mas é a própria Billie Holiday quem canta "I'm a fool to want you`ve you". Deleitem-se!

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A ROSA ( direção: Mark Ridell  - 1979)

O  nome da retratada não aparece nesse filme por questões legais, mas sabemos que "A Rosa" é uma referência à famosa canção de Janis Joplin (leia + em Frases de Cinema). A americana branca de "voz negra"foi a primeira mulher a ocupar um lugar de destaque no mundo masculino do rock. Rock que se misturava ao blues e soul na interpretação e composições de Janis. Amores frustrados e exaustão pelas turnês fizeram Janis cumprir a maldição de outros músicos famosos: morreu aos 27 anos de overdose de heroína e álcool.

O filme foi a descoberta de outra grande cantora: Bette Midler, indicada a vários prêmios por interpretar a trágica vida de Janis. O grande Alan Bates, Harry Dean Stanton e Frederic Forrest estão no elenco.


Bette Midler e Janis Joplin

 

TINA – A Verdadeira história de Tina Turner( direção: Brian Gibson – 1993)

Difícil fugir dos clichês quando se fala em Tina Turner nos palcos: um furacão, uma força da natureza... Antes de se tornar uma lenda vida, Tina era Anne Mae Bullock, uma garota do interior. Nos anos 60, se apaixona e casa com Ike Turner, com quem forma uma dupla de sucesso. Com o tempo e a decadência na carreira, Tina passa a sofrer abusos do marido, viciado em drogas. Em 1976, ela vira a mesa e abandona Ike. Recomeça carreira e vida do zero e, com muito sacrifício, acaba virando um mega sucesso. Angela Basset é a intérprete de Tina no filme. Laurence Fishburne é Ike.

p.s.: O que não está no filme: depois da turnê de sucesso, em 2009, Tina se decide por uma vida mais serena e passa a viver definitivamente na Suiça. Mora com o terceiro marido, um empresário alemão, pratica o budismo e canta lindos mantras. Está feliz.


Angela Basset e Tina Turner

 

CALLAS FOR EVER ( direção: Franco Zeffirelli – 2002 )

Se alguém se encaixa à perfeição na categoria diva, esse alguém se chama Maria Callas. Foi ela a inspiração para o tema da coluna. Considerada a maior soprano da história, Callas viveu e sofreu intensamente. Em 1968, além da voz já não ser a mesma, a estrela grega/americana perdeu o grande amor de sua vida, o armador milionário Aristóteles Onassis, para Jaqueline Kennedy, viúva do ex-presidente americano. No filme de Zeffirelli, Maria já estava no ocaso, quando é convidada por um cineasta para filmar suas grandes apresentações. Essa parte é ficcional, mas dá para conhecer a personalidade marcante e o temperamento passional da diva, interpretada pela linda Fanny Ardant.

p.s.: O maestro que acompanhou a grande diva na maior parte da vida foi Antonino Votto, talvez meu parente italiano distante...rs


Maria Callas e Fany Ardant

 

PIAF – UM HINO AO AMOR (direção: Olivier Dahan – 2007)

A vida da diva francesa, Edith Piaf, é um roteiro pronto para um filme dramático. Nascida na pobreza, abandonada pela mãe e criada pela avó em um bordel, fica cega dos 3 aos 7 anos e se cura milagrosamente. Mais tarde vai morar com o pai alcoólatra e foge de casa aos 15 anos para cantar nas ruas. Em 1935 é descoberta pelo dono de uma boate e grava um disco. O filme conta a história desde a infância em flashbacks , as batalhas, seus amores, o sucesso e a dependência química. Piaf , apelido que significa algo como "pequeno pardal" por causa de sua fragilidade, morreu aos em 1963, aos 47 anos. Ela é interpretada por Marion Cotillard que ganhou o Oscar, o Globo de Ouro, o Bafta e todos os prêmios de Melhor Atriz naquele ano.


Edith Piaf e Marion Cotillard

 

AMÁLIA ( direção: Carlos Coelho da Silva – 2008)

O maior nome feminino da música em Portugal, Amália Rodrigues, teve uma vida profissional e pessoal bastante agitada. O filme segue a diva em uma noite em Nova York, no ano de 1984, e vai desfiando desde a dor da separação dos pais na infância, a reconciliação mal resolvida, a morte da irmãzinha, até a vida adulta. Entre canções e amores, Amália teve uma carreira de sucesso e também maus momentos. Durante a longa ditadura do general Salazar, o fado era visto como instrumento de propaganda do regime. Isso se estendeu à cantora, apesar dela também interpretar canções de músicos censurados pelo governo. Hoje, reconhece-se que Amália deixou um legado de renovação do fado para jovens intérpretes. Ela morreu em 1999, aos 79 anos. A atriz Sandra Barato Belo vive Amália no filme.


Amália Rodrigues e Sandra Barato Belo

 

CADILLAC RECORDS/ ETTA JAMES ( direção: Darnell Martin  - 2008)

O filme não é sobre a vida de Etta James, mas ela é um dos personagens importantes do filme. Cadillac Records  conta a história do Chess Records um dos mais importantes estúdios dedicados ao blues, ao rhythm'n'blues e aos precursores do rock entre as décadas de 1950 e 1960. Criada pelo polonês, Leonard Chess, a gravadora lançou Muddy Waters e atraiu nomes como Chucky Barry e a grande Etta James, interpretada no filme por uma diva atual, Beyoncé. Quanta música espetacular se produziu naquele momento! Um prazer inenarrável ver e ouvir essas criaturas incríveis.


Etta James e Beyoncé

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DIVAS DOCUMENTADAS

Há documentários ótimos sobre algumas divas importantíssimas da música, a começar por uma das minhas três favoritas, La Negra:

Mercedes Sosa – A voz da América Latina (2013)

Madonna – Goddess of Pop ( 2012)

Nina Simone – O que houve, senhorita Simone ? (2015)

Lady Gaga – Five Foot Two ( 2017)

Barbra Streisand - The Music... The Mem'ries... The Magic!. (2017)

Cher - 'Querida mamãe, com amor, Cher' -  (2014)

Elza Soares – My name is now ( 2014 )

Nota-pé: Pedindo licença a Angela Maria, Maria Bethania e Nana Caymmi a maior diva viva da música brasileira é Elza Soares !




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FORA DE SÉRIE

As divas brasileiras

A TV Globo vem produzindo minisséries sobre algumas divas brasileiras. Uma bela maneira das novas gerações ouvirem e conhecerem a história de cantoras como Dalva de Oliveira (Dalva e Herivelto - Uma canção de amor-2010), Maysa ( Quando fala o coração – 2009) e se prepara para gravar outra sobre Elis Regina, escrita por Gilberto Braga. Foi adiada, mas não cancelada. O sonho da emissora é ter Maria Rita, a filha de Elis, no papel da maior de todas.


Larissa Maciel e Maysa

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O LIVRO QUE VIROU FILME

O livro :Lady Sings the Blues  - Autobiografia de Billie Holiday ( 1956 )

Se eu fosse obrigada a escolher a voz de apenas três cantoras para guardar na memória, Billie seria uma delas. O subtítulo da obra já diz tudo: "a autobiografia dilacerada de uma lenda do jazz". O livro foi lançado três anos antes da trágica morte de Billie, aos 44 anos.



Resenha da reedição de 2003:

Mito do jazz entre as décadas de 1930 e 1950, Billie Holiday foi criadora de um modo peculiar de viver e cantar que marcou a carreira de uma série de cantoras norte-americanas, como Sarah Vaughan e Ella Fitzgerald. Mas a grande dama do jazz morreu pobre, viciada em heroína e já praticamente sem voz. Somente depois de morta foi reconhecido seu papel de vanguarda na criação e popularização de um estilo musical que veio a conquistar adeptos no mundo todo. Nessa autobiografia, Billie conta de maneira pungente e dramática a história de sua vida conturbada, da infância até o início da década de 1950. Expõe cruamente seus percalços com a polícia, a perseguição que sofreu por parte da imprensa, os dissabores amorosos e os meandros do submundo das drogas e do showbiz. Nessa edição brasileira, o relato do que aconteceu a Billie do início da década de 1950 até sua morte trágica, em julho de 1959, é feito pelo crítico de música Roberto Muggiati. Ilustrado com fotografias da cantora, o livro inclui discografia atualizada por Vincent Pelote e discografia adicional, indicação de livros, DVDs e tributos, por Roberto Muggiati. (Editora Zahar)

O FILME – O OCASO DE UMA ESTRELA ( 1972 )

Tenho muito a agradecer ao Cinema. Ele já serviu de remédio contra o tédio, de bálsamo ao sofrimento e, principalmente, de porta para outros tipos de arte. Entre as muitas coisas que ele me deu está ter conhecido essa cantora extraordinária. Hoje, através da internet, a informação circula velozmente e o vídeo de uma cantora pode viralizar e,em poucas horas, ser visto por milhões de pessoas ao redor do mundo. Antes tínhamos apenas (?!) os livros e filmes para descobrir o que se passava no planeta.

Lembro do arrebatamento que senti ao ver o filme e o quanto chorei por compaixão. A cena em que Billie "descobre" homens negros enforcados gerou a dolorosa " Strange Fruit" (Árvores do sul produzem uma fruta estranha/Sangue nas folhas e sangue nas raízes/Corpos negros balançando na brisa do sul/Fruta estranha penduradas nos álamos(...))

Depois de conhecer no filme a interpretação da linda Diana Ross para as canções de Billie, descobri a própria Billie. Pode ter havido vozes mais bonitas, mas ninguém interpreta uma canção com tanta dor na alma. De lá pra cá, Lady Day nunca mais saiu do meu aparelho de som (agora da minha "playlist"...rsrsrs...).

O filme foi indicado a vários Oscars e deu à Diana Ross o Globo de Ouro de melhor atriz revelação, em 1973.



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É COISA NOSSA

ELIS ( direção:  Hugo Prata -  2015)

Primeiramente, um aviso : eu NÃO assisti "Elis". Tentarei explicar: ela é outra da lista das três imprescindíveis na minha vida. Era a cantora que eu mais ouvia e da qual tenho mais gravações. Em um dia que parecia como outro qualquer eu estava no táxi indo para o trabalho quando o motorista falou : você viu que a Elis Regina morreu ? Eu ri e respondi que a imprensa ( a palavra mídia significava outra coisa na época ) matava o Roberto Carlos três vezes por ano. Ele então ligou o rádio e ...era verdade. O locutor dizia que Elis tinha morrido de overdose, aos 36 anos. Passei o dia todo chorando no trabalho. Depois desse dia meus discos de Elis ficaram sem uso durante anos. Custei a conseguir ouvi-la outra vez, sem sofrer.

Tantos anos depois, quando lançaram o filme eu não senti vontade de ver. Vi trailer, reportagens e sempre me parecia que a abordagem era muito rasa para alguém tão complexa quanto Elis. Bobagem, eu sei, mas sou da linha do velho "Pasquim" : "não vi e não gostei"...rs. Talvez, no fundo, eu só não quisesse rever os últimos dias da maior cantora que este país já teve.

Objetivamente : o filme sobre Elis dividiu a crítica. Muitos acharam que foi mais uma homenagem do que uma biografia honesta que mostrasse todos os lados da personalidade polêmica. Um crítico que admiro muito, Luiz Carlos Merten, elogiou a película que chamou de "intensa". Mas, com uma coisa todos concordam:  Andréia Horta está ótima no papel de Elis. Ela recebeu o Kikito de melhor atriz no Festival de Cinema de Gramado, onde o filme foi escolhido como melhor pelo público.

Moral da história: quem já viu ou vai ver comente aqui depois. O que eu não poderia fazer era deixar Elis Regina de fora de uma lista de divas, justo ela, a maior .


Andréia Horta e Elis Regina

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PIPOCA NEWS

Cinema de graça para levar os cinéfilhinhos !

Dia 12/05 –  16h -Cinema do CIC-Centro Integrado de Cultura - Florianópolis

Sessão de Curtas-Metragens Nacionais (58 min)

Voa, João :A entrada na escola é um marco na vida de qualquer criança. Na animação "Voa, João", acompanhamos as peripécias de um pequenino joão-de-barro, que precisa deixar a proteção do seu ninho e aprender a voar com as próprias asas

Aniz, a Bruxinha Aprendiz  :A animação conta a história de uma garota chamada Aniz, que tem uma avó chamada Belatrix, que é uma bruxa. Aniz entra no porão de sua avó e toda a magia acontece.

Os atrasos da Sol : Sol é uma criança inspiradora, com tanta luz interna, que possui um ponto de luz no topo de sua cabeça.




Hugo, o monstro :Hugo é um monstro que mora embaixo de uma cama e tem um problema. Ele não assusta ninguém

Entre latinhas :Gregorinho é um menino da cidade grande que passa férias com sua mãe e seu avô em uma praia. Lá ele conhece Amanda, uma menina muito esperta que cata latinhas na praia pra ajudar a família

Erros :Um menino que passa ver os erros dos outros, menos os dele, de uma maneira literal.

A Visita : Matheus vive com seu tio Theo, a quem chama de pai. Seu verdadeiro pai foi morar no exterior quando ele era muito pequeno.Hoje, Matheus finalmente receberá a visita dele.

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HASTA LA VISTA, BABY!

As melhores frases das divas

"A gente tem que ter algo para comer e um pouco de amor na vida antes de conseguir aguentar  firme ao ouvir qualquer sermão sobre como se comportar. "(Billie Holiday)

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"Eu gostaria de ser Maria, mas La Callas exige que eu me comporte com sua dignidade" (Maria Callas)

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"Cantar é uma forma de escapar. É um outro mundo."  (Edith Piaf)

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"É porque sou tão teimosa que ainda insisto em mudar o mundo". (Mercedes Sosa)

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Isso é o quero no céu : palavras que se convertam em notas para que as conversas sejam sinfonias" (Tina Turner)

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"Dizem que o amor, é um rio /Que cobre a delicada vegetação/Dizem que o amor, é uma navalha/Que deixa sua alma a sangrar/Dizem que o amor, é um desejo/Uma infinita e dolorosa carência/Eu vejo o amor como uma flor/Sendo você sua única semente"//( The Rose – Janis Joplin)

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MENS@GEM PARA VOCÊ

Fala, cineseriéfilo !

De: Mário Antonio



Na enorme coleção de bons filmes sobre o tema, vale lembrar um argentino precursor nos circuitos brasileiros no século passado: Tempo de Revanche, 1981.


O protagonista é um ex-sindicalista que, omitindo a militância do currículo, se emprega numa grande multinacional onde se reencontra com um velho companheiro de luta, com quem trama uma ação "subversiva" contra a empresa ´Tulsaco` - a semelhança gráfica com a logomarca e fonética com o nome de uma das 'Sete Irmãs" do petróleo, não deve ser uma mera coincidência...


Além dos grandes atores, marca da cinematografia argentina, o roteiro prende a atenção como um thriller e pode ser assistido também como uma alegoria contra a opressão do período da ditadura militar encerrado menos de uma década antes do lançamento da película.


Destacam-se duas participações de atores na produção. [José] Jofre Soares, grande ator alagoano, consagrado no Brasil por inúmeros trabalhos de cinema e televisão, no papel de Aitor; e Aldo Barbero, no papel do engº Rossi, que dedicou os últimos de seus oitenta anos a defender os direitos trabalhistas dos atores argentinos presidindo a "Asociación Argentina de Actores".


O filme está disponível com o título original - "Tiempo de Revancha" - na internet.

Que dica ótima ! Obrigada. Não lembro do filme, mas só por ser com o grande Federico Luppi ( morto no ano passado) já vale.

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De: Dedé Ribeiro

Tema árduo... Lembrei de avós desses filmes: Metropolis e Tempos Modernos. Parece que o tema não perde a atualidade, infelizmente. Feriado pra refletir!

Tem razão, Dedé. Citei "Tempos Modernos" e esqueci de "Metrópolis". Confesso que mesmo sabendo das condições de trabalho na China, o que nos faz pagar mais barato pela blusinha, fiquei impactada com " China Blue".

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Até a próxima edição, queridos cineseriéfilos!




THE END

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Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

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