Setembro 10, 2019

E-mails mostram que LaMia e seguradora sabiam de limitações em voo da Chape

E-mails mostram que LaMia e seguradora sabiam de limitações em voo da Chape
Reprodução

Em matéria publicada pelo portal UOL, uma série de e-mails trocada entre a companhia venezuelana Loredana Albacete, administradora da companhia aérea boliviana LaMia, e um executivo da companhia mundial de seguros AON, Simon Kaye, demonstra ciência de todas as limitações que envolviam a empresa envolvida na tragédia que vitimou 71 integrantes da delegação da Chapecoense em 2016.

A legislação colombiana não permite que voos fretados sobrevoem o espaço aéreo em função de possíveis ataques relacionados a grupos de guerrilha como, por exemplo, as FARC (Forças Aéreas Revolucionárias da Colômbia). Fato esse que foi demonstrado ser de ciência da seguradora quando familiares de vítimas do acidente aéreo no país sul-americano buscaram a indenização.

Entretanto, em uma troca de e-mails com Loredana, a única ressalva feita pelo executivo da AON seria em relação ao espaço aéreo norte-americano, não havendo qualquer menção a lei colombiana:

"Querida Loredana, obrigado pelo seu e-mail. Vamos proceder para formalizar a indicação que recebemos e obter suporte da responsável pela aviação e avisaremos ainda hoje do nosso progresso. Vamos investigar se tem alguma redução significante na cobertura entre US$ 25 milhões e 50 milhões, então você pode decidir qual o valor a comprar. Por favor, note que nós não cobriremos caso você voe pelos Estados Unidos, independente do valor contratado, devido a limitação de voos nos Estados Unidos (...) Assim que formalizarmos a cota de responsabilidade, vamos alinhar com a Estrategica para fornecer o pagamento final incluíndo as taxas locais e impostos. Nós também estamos trabalhando no certificado".

A LaMia chegou, inclusive, a fazer uma "pressão" em determinado momento com a mensagem de que precisaria a todo custo de obter o seguro para a aeronave em um voo envolvendo o transporte do The Strongest que acabou não se concretizando também em 2016:

"Odeio pressionar você com tempo quando eu tenho atrasado nas respostas, mas não tenho opções. Vamos ter de assinar o contrato na segunda para a viagem de 10 de abril. E nós precisamos ter o certificado do seguro para processar as permissões e liberar a aeronave com as autoridades. Espero que você entenda. É um cliente com alto potencial para nós. Eles lidam com todos os times de futebol e a temporada está começando. Ficaríamos muito tristes em deixar passar essa oportunidade".

Além de não querer ampliar a cobertura para toda a tripulação, a redução da apólice também era prática da LaMia. Algo que, burocraticamente, pode acelerar o processo de contratação do seguro.

"Queridos. Obrigado pelos esforços gentis para uma solução viável em pouco tempo. Afortunadamente, estamos aptos a obter as permissões para voarmos Venezuela e Bolívia sem os certificados. Eu acho US$ 50 milhões muito. Amigos da aviação que fazem América do Sul trabalham bem com US$ 25 milhões de limite - menciona um dos e-mails enviados pela Loredana para a AON".

Procurada sobre o tema pelo veículo responsável em divulgar as mensagens eletrônicas, a empresa radicada no Reino Unido se limitou a dizer que se envolveu na situação "como corretora de resseguros, ou seja, intermediando e apoiando na colocação da proteção de resseguros para a companhia seguradora". (Estadão)

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Redação Making Of

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