Março 05, 2019

E o cinema sul-coreano, hein?

E o cinema sul-coreano, hein?
Foto reprodução/Trecobox

Que carnaval, que nada! Esta semana vamos abandonar os temas factuais e embarcar para o outro lado do mundo, a Coréia do Sul. Nem todo mundo sabe que os coreanos produzem um cinema pessoal e de alta qualidade técnica. Talvez os mais ligados sejam os admiradores dos filmes de ação e suspense, gêneros muito explorados pelos cineastas daquele país. A vingança, principalmente, é um tema tão recorrente que virou quase um subgênero ( o porquê dessa obsessão deveria ser analisado à luz da psicologia). Nesta linha, o meu coreano favorito - sobre o qual já falei várias vezes na coluna- é Oldboy, de Park Chan-wook, cujo mote é...vingança. Poderíamos acrescentar ainda outro "v"às produções da Coreia: violência. Aviso importante: a maioria das películas não é para nervos ou estômagos fracos.

Há também outro tipo de trama com menos de ação, onde se destaca o ótimo Kim Ki-duk, um dos meus preferidos. Mas, também não espere dele historinhas exatamente leves e otimistas. Há muito drama e sangue na sua obra.

É oportuno lembrar que , além dos filmes, os coreanos são férteis em produção de séries de TV.

Outro alerta : quem não tem o hábito de ver filmes dessa nacionalidade pode estranhar o ritmo do idioma no início ( para nosso ouvido não familiarizado, tudo soa como auá, nêee, cáaa) mas com o tempo a gente se acostuma...ou quase. Não desanime, vale conhecer esse cinema peculiar, que ressurgiu como um movimento de vanguarda na virada do milênio. E é bom dar um tempo das velhas caras de sempre nas telas, né?.

Joh-eun dogseo! ( "boa leitura" em coreano, acho...hehehe).

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Comente, critique, sugira no rodapé da coluna ou pelo cineseries@portalmakingof.com.br e lembre-se: toda terça-feira tem nova edição.

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OLDBOY- direção: Park Chan-Wook- (drama/suspense- 2005)

Coloco este filme entre um dos mais surpreendentes que vi nos últimos 10 anos. Não é para todos os gostos, tanto que chocou júri e público quando estreou no Festival de Cannes em 2003. Há cenas fortíssimas e também de humor "seco" (nova expressão para humor negro). Mas em tempos de "já vi esse filme antes", ou seja, histórias cada vez mais previsíveis, Oldboy é uma aula de originalidade e provocação. O desfecho totalmente amoral não se repete no remake americano de 2013. Faltou coragem para Spike Lee, quem diria? Aliás, pra que refilmar, né?  No Brasil, a versão com Josh Brolin na papel principal recebeu o subtítulo de "Dias de Vingança".

Sinopse: Oh Dae-su é um homem comum, bem casado e pai de uma garota de 3 anos, que é levado a uma delegacia por estar alcoolizado. Ao sair ele liga para casa de uma cabine telefônica, para logo em seguida desaparecer, deixando como pista apenas o presente de aniversário que havia comprado para a filha. Pouco depois ele percebe estar em uma estranha prisão, onde há apenas uma TV ligada, no qual ele recebe pouca comida e respira um gás que o faz dormir diariamente. Através do noticiário da TV ele descobre que é o principal suspeito do assassinato brutal de sua esposa e sem ter outra opção, ele passa a se adaptar à escuridão de seu quarto e a preparar seu corpo e sua mente para sobreviver à pena que está sendo obrigado a cumprir sem saber a causa. ( Disponível na Netflix/ Trailer Squallvideo)

 

A INVASÃO ZUMBI – direção: Yeon Sang-ho (terror - 2016)

O título em português não me incentiva a ver esse filme, mas segundo a crítica ele é bastante original num assunto super batido como "zumbis". Pai e filha estão viajando de trem quando a Coreia sofre uma "epidemia de zumbis". Claro, que um se instala no trem e, a partir daí, é salve-se quem puder. Uns pensam no coletivo, outros só em si mesmo. Pra quem curte adrenalina nas telas, um prato cheio.

 

A CRIADA – direção: Park Chan-Wook (drama erótico- 2017)

Do mesmo diretor de Oldboy, a história se passa na Coreia do Sul, nos anos 1930. Durante a ocupação japonesa, uma jovem é contratada para trabalhar para uma herdeira nipônica, que leva uma vida isolada ao lado do tio autoritário. Na verdade, a empregada e um vigarista planejam desposar a herdeira, roubar sua fortuna e trancafiá-la em um sanatório. Mas as coisas saem bem diferente do previsto. Para não cometer spoiler, digo apenas que as cenas de sexo são bem, bem explícitas... ( Disponível no Now/Net)

 

EU VI O DIABO – direção: Jee-Woon Kim ( suspense- 2010)

Há quem considere este filme melhor que Oldboy, mas ainda não tive "coragem" para conferir. Os dados da sinopse de "Adoro Cinema":existe um psicopata sanguinário à solta na Coreia do Sul que mata qualquer pessoa para obter carne humana, sem piedade por mulheres grávidas ou bebês recém-nascidos. A polícia tenta capturá-lo há décadas, sem sucesso. Quando a noiva de Soo-hyun, um agente secreto, é assassinada por este homem, o agente decide procurar sozinho pelo responsável. O encontro entre os dois homens ocorre rapidamente, mas  o agente decide que a morte não é suficiente: será preciso torturá-lo, muitas vezes, para que o outro aprenda todo o mal que causou. Além de ser impróprio para menores de 18 anos, na Coreia, o filme precisou ser reeditado para ter liberação de ser exibido em salas comuns de cinema.  Pelo que tudo indica, precisa nervos e estômago fortes.

 

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FILMES DO DIRETOR KIM KI-DUK

 

Primavera, verão, outono, inverno, primavera – 2003

Kim Ki-Duk traça um paralelo entre as estações do ano e o ciclo da vida, na convivência de um monge e seu discípulo. Um história que podemos chamar de zen, com seu ritmo calmo como convém à trama e lindas imagens.

 

Casa vazia – 2004

Um jovem vagabundo invade a casa de estranhos e mora nelas enquanto os donos estão fora. Para pagar a estadia ele realiza pequenos consertos ou faz limpeza na casa. Ele costuma ficar um ou dois dias em cada lugar, trocando de casa constantemente. Até que um dia encontra uma bela mulher em uma mansão, que assim como ele também está tentando escapar da vida que leva. (Adoro Cinema)

 

O Arco – 2005

Um velho pescador cria uma menina no barco para casar com ela quando fizer 17 anos. O arco simboliza o masculino e o feminino, ao mesmo tempo é um instrumento musical, arma e ferramenta de arte divinatória, também conduz as tensões e distensões que definem o ritmo ao longo de todo o filme. Alguns críticos torcem o nariz para o filme, considerando que o diretor faz muitas concessões para agradar o público ocidental.

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FORA DE SÉRIE

Há várias séries na Netflix para quem quer conhecer a produção sul-coreana para a TV. Escolhi uma representante, mas há vários gêneros disponíveis em streaming.

Kingdom – direção: Kim Seong-hun06 episódios

Para fãs de histórias épicas e dramas da nobreza, mas a série traz também ...zumbis. A trama: Lee Chang é um jovem príncipe coreano do século 15. Filho bastardo de um rei à beira da morte por conta de uma doença misteriosa, Chang precisa lidar com as maquinações dos nobres e da rainha inescrupulosa, que almejam tirar-lhe o direito ao trono, conspirando para acusá-lo de traição. A produção é visualmente fantástica.

A primeira temporada está disponível e a segunda vem chegando... Vai encarar ?

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AINDA O OSCAR

Os Injustiçados

Os resultados da premiação da Academy Awards de Hollywood nunca agrada a gregos e troianos. Nesta edição de 2019, o chororô foi grande. Parte da crítica não concordou com o Oscar de Melhor Filme para Green Book-O Guia. Teve também quem torceu o nariz para a atuação de Rami Malek como Fred Mercury, achando que Christian Bale era o imbatível como Dick Chaney em Vice. Eu mesma achava que Glenn Close merecia ser escolhida como melhor atriz por sua interpretação em A Esposa e também pelo conjunto da obra, afinal, apesar de várias indicações essa grande intérprete nunca levou a estatueta dourada. Ela acabou perdendo para Olivia Colman que eu só conhecia das séries britânicas de televisão e fez realmente um bom trabalho.

Mas há casos mais polêmicos do que os apontados este ano. Eles estão sempre nas listas ( ah, as listas...) dos grandes injustiçados da história do Oscar. Conto alguns para vocês.

1942 – Cidadão Kane que costuma encabeçar as listas dos melhores filmes da história do Cinema, concorreu a...estatuetas, mas só levou o de Melhor Roteiro Original. O diretor, Orson Welles, considerado um gênio pela crítica, ganhou apenas um Oscar honorário em 1970.

1977 – Rocky, o lutador, melodrama com Sylvester Stalone, tirou o prêmio de Taxi Driver, dirigido por Martin Scorsese.

1980 – Apocalypse Now, de Francis F.Coppola ,considerado um dos melhores filmes de guerra de todos os tempos perdeu para o drama familiar Kramer versus Kramer.

1997 – Muitos consideram injusta a vitória de O Paciente Inglês, num ano que tinha Fargo (dos irmãos Cohen, queridinhos da crítica). Já eu, gosto bastante do filme do Anthony Minguella que me fez chorar rios no cinema.

1999 – Fernanda Montenegro ( Central do Brasil) perdeu para Gwyneth Paltrow (Shakespeare Apaixonado). No páreo estavam também Cate Blanchet e Meryl Streep.

1999 – Em um ano que o Oscar teve O Resgate do Soldado Ryan, Além da linha vermelha e o Show de Truman ( este nem nominado para o prêmio principal),  quem ganhou o prêmio principal foi Shakespeare Apaixonado.

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MENS@GEM PARA VOCÊ

"Sempre uma delícia ler tua coluna. Concordo com o que dizes do Oscar: chato, sem atrativos, morno...e faltaram na platéia os grandes astros da geração anterior: Meryl, De Niro, Brad, Nicole, Denzel...enfim. Falando em Roma, uma sugestão para a coluna: filmes que tratam da relação da família com as empregadas. Ou já rolou? Parabéns, Brígida" (Deborah Matte)

Obrigada pela sugestão, Deborah. Cheguei a listar alguns filmes com o tema, pegando Roma como gancho e começando por "Que horas ela volta?", mas depois engavetei. Vou repensar, quem sabe?

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A CARA DO CINEMA

A atriz Choi Jin-Sil  se tornou um dos rostos mais conhecidos do cinema e da TV sul-coreanos. Ela fez 18 filmes, 20 séries e 140 comerciais. Apesar do talento e da fama, Choi se suicidou em 2008, aos 39 anos. Ela era alvo de difamação na internet, o que gerou grande discussão no país sobre os limites da web. Nos anos seguintes à morte da atriz, seu irmão, o empresário e o ex-marido também teriam se suicidado. Triste história ...de quem é a cara do cinema da Coreia do Sul.

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Lembre-se: toda terça-feira tem nova edição de Cine& Séries! Kamsahamnida!

(*) Fotos reprodução/divulgação

THE END

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cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

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