Novembro 03, 2019

E O TEMA É... PORNOGRAFIA!

E O TEMA É... PORNOGRAFIA!

O tema desta edição foi inspirado em uma série que chegou a sua última temporada com repercussão abaixo do merecido, pois é mais uma excelente produção da HBO. Me refiro a The Deuce que acompanha a história do crescimento da indústria pornográfica em Nova York do começo da década de 1970 até meados dos anos 1980, e do desenvolvimento da legislação da atividade. A série apresenta um mundo de sexo, violência e corrupção policial, enquanto a pornografia alcança legitimidade, permanência cultural e lucros milionários. Acompanhamos a mudança da cidade com a expulsão das prostitutas e seus cafetões das ruas imundas que depois passam a abrigar shoppings centers.  A trama alcança também a trágica chegada da Aids, as mortes e a conseqüência da doença no ramo da prostituição. Claro que é dirigida a um público maduro, no sentido amplo da palavra.

A reconstituição de época da Nova York dos anos 70/80 é impressionante! O figurino também é um verdadeiro túnel do tempo com suas calças boca de sino, óculos estilo Ray-ban,  jeans da cabeça aos pés e perucas exageradas.  Pra fechar com chave de ouro: o elenco é perfeito para os papéis. Maggie Gyllenhaal, além de produtora da série, interpreta Candy, uma prostituta que se recusa a depender de um cafetão e acaba se interessando pelos filmes pornôs não só como atriz, mas como diretora. Depois desta atuação, Maggie entrou para minha lista das melhores atrizes em atividade.

O principal papel masculino ficou com James Franco, isto é "os papeis", pois ele vive os irmãos gêmeos Vincent e Frankie Martino, que se viram administrando bares e bordéis para um mafioso light. É uma bela interpretação e uma técnica primorosa que nos faz acreditar que são dois em cena mesmo. Aliás, a série quase foi cancelada depois das denúncias de assédio contra James Franco, mas ele teve mais sorte que Kevin Spacey (demitido pela Netflix de House of Cards pelo mesmo motivo, lembram?).

As três temporadas de The Deuce estão disponíveis no Now/HBO. Ontem assisti ao último episódio e a sequência final é uma das melhores que já vi em séries de TV. E olha que nós, seriéfilos, nunca gostamos dos finais.

Bem, separei outros títulos sobre o tema e, como sempre, a lista fica em aberto para quem quiser acrescentar. Boa leitura, bons filmes.

Até a próxima.

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O POVO CONTRA LARRY FLINT – direção: Milos Forman – 1996

O filme conta a história do homem que tornou a pornografia explícita de sua revista, Hustler, um mega sucesso nos EUA dos anos 70. Flint teve uma infância paupérrima e acabou se tornando uma espécie de Hugh Hefner das classes operárias. Ele construiu um império, mas teve que lutar com unhas e dentes para vencer batalhas judiciais pelas acusações contra a moral e os bons costumes e  também ficou paraplégico depois de um atentado. Woody Harrelson vive o empresário e foi indicado ao Oscar de melhor ator, junto com Milos Forman indicado à melhor direção. A irmã de Flint que o ajudava, Althea, foi vivida pela polêmica Courtney Love, viúva de Kurt Cobain.

 

BOOGIE NIGHTS – PRAZER SEM LIMITES –direção: Paul Thomas Anderson -1997

Considerado um dos melhores filmes dos anos 90, Boogie Nights coroou a carreira de Mark Wahlberg que interpreta o ator pornô Eddie Adams, que de garçom vira um novato rumo ao estrelato. Ele chegou a dizer num encontro com jovens católicos que já tinha pedido perdão a Deus pelo filme, mas devia estar brincando... No elenco ainda tem Burt Reynolds ( o empresário descobridor de Eddie) e Juliane Moore, em ótimas interpretações. O jovem astro cai nas tentações costumeiras: droga, mulheres e ego exacerbado.

 

CENSURA MÁXIMA – direção: Emilio Estevez – 2000

Esta história foi ambicionada por vários atores e diretores, mas acabou sendo produzida para a TV, com a presença dos dois irmãos Charlie Sheen e Emilio Estevez. Por pressão de Charlie, foi Emilio quem dirigiu.

  1. O estudante de cinema Jim Mitchell (Emilio) é muito criticado por seu professor (Peter Bogdanovich), por ter filmado de forma bem exagerada uma hippie seminua. Logo Jim, juntamente com Artie Mitchell (Charlie), seu irmão, se envolvem cada vez mais na produção de filmes pornográficos. Paralelamente ambos passam a consumir drogas regularmente, com Jim e Artie entrando em choque quando a situação sai do controle.(Sinopse:Adoro Cinema)

 

A GLÓRIA DAS PROSTITUTAS –direção: Michael Glawogger- 2011

Este documentário mostra três faces da prostituição: três países, três idiomas, três religiões. Na Tailândia, mulheres aguardam clientes dentro de uma vitrine, olhando para reflexos de si mesmas. Em Bangladesh, homens vão ao gueto do amor para satisfazer seus desejos. No México, mulheres rezam por uma saída fácil de suas vidas. Em meio a três realidades diversas, as prostitutas contam suas histórias.

 

LOVELACE – direção: Rob Epstein – 2013

O filme retrata como Linda Lovelace (Amanda Seyfried), foi de uma garota de família tradicional à protagonista do clássico do gênero pornô Garganta Profunda. Ela entrou no meio através de seu abusivo marido Chuck Traynor (Peter Sarsgaard), mas acabou desistindo da carreira de atriz pornô, chegando até mesmo a militar contra a indústria pornográfica após se casar com Larry Marchiano (Wes Bentley). Sharon Stone interpreta a mãe de Linda e esse foi o seu papel mais elogiado nos últimos anos.

 

HOT GIRLS WANTED – produção: Rashida Jones – Netflix

O documentário inicia na casa de um recrutador, profissional que atrai garotas bonitas com potencial de sucesso imediato em pornôs amadores. Dos festejos iniciais, regados a muito dinheiro e ostentação, as meninas vão sendo jogadas numa realidade bem menos glamorosa. A incidência de doenças, a degradação a que são submetidas - em práticas violentas e humilhantes - são fatores que, somados, oferecem um painel mais cru das dificuldades pelas quais as trabalhadoras do pornô amador passam. Um ator diz que, com muita sorte e se tudo der certo, as meninas têm um ano de "vida útil". Segundo o crítico de cinema, Marcelo Muller, autor desta sinopse, as diretoras Jill Bauer e Ronna Gradus não usam um tom moralista no filme evitam julgar as situações que documentam.

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É COISA NOSSA

Confesso que diante do tema precisei resistir à tentação de sugerir - outra vez !!! - a série Magnifica 70, sobre a produção das pornochanchadas na chamada Boca do Lixo, durante a ditadura militar no Brasil. É que sou muita fã da série e por isso mesmo ela já esteve na coluna três vezes... Bem, falei de novo, né? Mas, agora vamos a outra produção sobre o assunto.

 

HISTÓRIAS QUE NOSSO CINEMA (NÃO) CONTAVA – doc - direção e roteiro:Fernanda Pessoa

O documentário de 1h20 realiza uma releitura dos anos 1970, através apenas de imagens e sons das pornochanchadas, o gênero mais produzido naquele período. Vencedor de vários prêmios, o documentário está disponível na Netflix.

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FORA DA PAUTA

Auguri, Lina!

Aos 91 anos, minha querida e admirada cineasta italiana, Lina Wertmuller, acaba de receber o Governors Awards,  cerimônia onde a Academia do Oscar entrega suas estatuetas honorárias. Primeira mulher a ser indicada ao Oscar de melhor direção - pelo filme Pasqualino sete belezas, em 1977- Lina brincou que o prêmio devia ter um nome feminino, como Anna!



Por falar no Oscar

Por falar em Oscar já estão circulando as apostas para 2020. Leio que entre os nomes mais prováveis de serem indicados está uma atriz que não curto nem um pouco: Reneé Zelwegger. Ela faz o papel de Judy Garland em Judy. Vi o trailer e adivinhem ?? Não gostei da interpretação...mas Hollywood ama Judy e pode dar a estatueta por isso. A ver.

Briga de cachorro grande

Por enquanto, as possíveis indicações dão conta que a concorrência masculina seria bem mais acirrada se não estivesse no páreo...sim, ele, Joaquin Phoenix e seu Coringa. Mas vejam só os outros: Leonardo Di Caprio, Jonathan Price , Adam Driver , Roberto De Niro ( que não ganha um Oscar há 40 anos) e...Antonio Banderas, que nunca esteve tão bem num papel como em Dor e Gloria, do meu querido Pedro Almodóvar.

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James Franco em dose dupla pra encerrar esta edição. Até a próxima!

THE END

(*)Fotosdivulgação/reprodução

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cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

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