Março 14, 2018

Rohmanelli conta à Making Of sobre sua trajetória

A Yula está de férias mas deixou essa incrível entrevista aos seus leitores. Ela retorna ao batente na segunda-feira, 19.

***

O artista ítalo-brasileiro Rohmanelli, que define sua arte como Transpop, está em turnê por cidades brasileiras para levar um pouco do seu conceito e do que acredita para diferentes cantos do país. Irreverente, ousado e sonhador, o cantor concedeu uma entrevista para o Portal MakingOf contanto um pouco da sua trajetória.

Confira aqui o canal do artista no Youtube e aqui no Spotify.



1 - Rohmanelli, por que você escolheu o Brasil (e especialmente Florianópolis) para viver e desenvolver sua arte?

 

Cheguei no Brasil em 1998 por acaso, pois meus tios moram na Bahia. Eles me convidaram para passar um tempo aqui e eu queria sair da Itália, passar um tempo fora. Assim, depois de me formar em letras em Milão, tomei coragem, vim e minha vida mudou. Eu me apaixonei pelo Brasil e esta paixão dura até hoje. Depois de dez anos em Salvador e um ano em São Paulo, cheguei em Floripa para assumir o cargo de professor de língua e literatura italiana na UFSC.   



2 - Você tem realizado shows no Brasil e no exterior. Como tem sido a receptividade, dos diferentes públicos, à sua performance Transpop?

 

Desde que lancei meu trabalho como solista em 2016, Anomalous, fiz shows em várias cidades do Brasil, da Itália e da Bélgica. Cantar ao vivo é o que mais me apraz, no palco realmente me sinto muito à vontade e feliz. Por isso faço questão de levar meu projeto seja para onde for. Quero levar meu Transpop ao maior número de pessoas, quero encontrar pessoas de lugares, idades, línguas, culturas diferentes e receber delas e da mágica do live mais inspiração para minha vida e minha música. Cantar ao vivo pra mim é vital. A recepção sempre tem sido boa, emocional, forte em todo lugar que já me apresentei. Meus shows são peculiares, muito performáticos, teatrais - misturam música, dança, atuação, vídeo e áudio. Isso tudo afeta a percepção dos espectadores.



3 - E como você define o conceito Transpop?

 

Cunhei o termo TransPop para definir minha arte, pois nenhum gênero ou definição existente me dizia respeito. Sou um artista pop no sentido mais amplo do termo, faço músicas e crio estéticas para que cheguem de forma imediata a muitas pessoas. Mas, por outro lado, minha proposta é muito conceitual, politizada, irreverente e por isso extrapola o pop - vai além, perpassa gêneros e os questiona. Não me interessa pertencer à categoria nenhuma, por isso me defino Transpop.



4 - Através da sua música e da estética do seu trabalho, você se propõe a questionar valores e preconceitos. Como tem sido essa experiência? Você acredita que há avanços?

 

Acredito muito no poder e na força da arte. Eu fui influenciado como muitos por vários artistas letrados, filósofos, pintores. As criações e conceitos desses artistas moldaram minhas convicções e continuam fazendo, então por que não deveria querer fazer o mesmo, já que comigo deu certo? Claramente há sempre preconceitos, resistências, abusos a serem questionados e eliminados - esse é o papel da arte da cultura da educação. Não acho que uma sociedade sem preconceitos seja possível, mas com mais respeito e tolerância sim, e busco esse caminho na minha vida de docente, como ser humano e também com meu Transpop.



5 - Quais são as inspirações para a construção da identidade do seu trabalho?

 

As inspirações são muitas, como a filosofia de Cioran e Shopenhauer, a literatura de Pessoa e Emily Dickinson, a pintura de Caravaggio, Bosch, Klimt e a música de muitos artistas, como David Bowie, Spoek Mathambo e Elza Soares.

 

6 - Fale sobre a turnê Anomalous, que você iniciou este ano.

 

Está tournée dá continuidade às duas anteriores, mas acrescenta algo como sempre. Sobretudo é uma ocasião para apresentar ao público novas versões de minhas músicas, resultado de remixes e parcerias que fui realizando nesse último ano com artistas incríveis do Brasil todo, como Telefunksoul, Sonick S, Conceito Articulado e etc, como também da Argentina, Itália, Bélgica, Alemanha (Alex Contri, Alberto Heller, Van der Goes). Todas as versões estão disponíveis em todas as plataformas digitais. Além disso, há convidados das cenas locais de cada cidade que visito, pois prezo muito as colaborações e dar visibilidade a artistas da cena independente como eu. No show também há projeção dos muitos clipes realizados com diretores do Brasil inteiro e que estão todos disponíveis no meu canal YouTube.

 

O que você não fica sem

Nunca fico sem chocolate amargo

 

Uma mania

Cremes de todos os tipos para rosto e corpo. Sou muito vaidoso

 

O que mais admira

Liberdade e independência

 

O que não suporta

Inveja

 

Um lugar

Capri, minha terra natal, o lugar mais lindo do mundo

 

Uma palavra

Transpop

 

Uma saudade

Meus avós e meu pai

 

Uma viagem

Cuba, inesquecível

 

Uma bebida

Qualquer suco de frutas

 

Comida

Batatas de todas as formas sou viciado

 

Um ídolo

David Bowie, sem dúvida

 

Um hobby

Tênis

 

Felicidade pra você é

Estar num palco

 

Um sonho

Cantar no Rock In Rio e no Festival de Sanremo

Tags:
social entretenimento Floripa Florianópolis gente festas eventos agenda
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Artigos Relacionados

Yula Jorge

Yula Jorge
Jornalista graduada pela UFSC. Antes disso estudou e viveu quatro anos entre o Canadá e os Estados Unidos e quando retornou a sua terra natal, Goiânia, graduou-se pela PUC em Secretariado Bilíngue. 
Logo mudou-se para Florianópolis, ingressou na Universidade Federal, e da ilha não saiu mais. Atua como colunista desde 2012, assinou uma coluna diária no jornal Notícias do Dia por alguns anos, e, paralelamente, foi repórter da RICTV Record e Record News. Traz todos os dias o que rola de especial em Floripa: sobre quem acontece, empreende, se engaja em causas legais. O que inaugura, as festas bombásticas, as melhores casas, restaurantes, os shows, as ações bacanas e o voluntariado.

Comentários