Fevereiro 29, 2020

Escolha o filme e... boa viagem!

Escolha o filme e... boa viagem!
Sob o sol da Toscana

É verão, mas você não pode tirar férias, está com medo de sair por causa do coronavirus ou não tem como bancar o dólar a R$ 4,44? Seus problemas acabaram: embarque com Cine&Séries para a Toscana, Grécia, Barcelona, Lisboa, Tóquio ou pelo interior da Austrália... enfim, você escolhe para o lugar para onde quer "mudar a alma", como Mário Quintana se referia ao ato de viajar. Uma coisa é certa, verá paisagens lindíssimas e histórias bem contadas.

E tomara que sirva de inspiração para você planejar e realizar seu roteiro dos sonhos. Bom filme, boa viagem!

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SHIRLEY VALENTINE (direção: Lewis Gilbert – UK – 1989)

Sabe um filme delicioso? É este que mostra Shirley Valentine, uma inglesa de classe média baixa de Manchester, típica dona de casa do interior, que conversa com a parede da cozinha ( e com a câmera), enquanto nem o marido, nem os filhos dão atenção a ela. Aos de 42 anos, Shirley cansa de só ser aquela que  arruma a casa para o marido e lhe serve o jantar pontualmente às 6 da tarde, ovos e fritas às terças, bife às quintas. Quando uma amiga dela ganha duas passagens num pacote para a ilha de Mykonos, na Grécia, Shirley chuta o balde, arruma a mala e parte. A partir daí, ela reencontra as belezas da vida e sua auto-estima. A atriz Pauline Collins, que já tinha interpretado o papel no teatro, é perfeita! No Brasil, a peça teve Renata Sorrah num versão e  Betty Faria em outra. (Disponível no YouTube)

O TURISTA ACIDENTAL (direção: Lawrence Kasdan – EUA – 1989)

Esta é a história inusitada de um escritor de guias de viagem que detesta... viajar. O autor do manual dá dicas de como impedir que o passageiro do lado puxe conversa no avião, por exemplo. Este é Macon( William Hurt), um homem deprimido pela perda do filho, que busca se isolar de tudo e todos. Nem sua mulher ( Kathleen Turner)consegue mais conviver com ele e pede o divórcio. Seu contraponto é Ariel (Geena Davis) uma adestradora de animais, que também viveu uma tragédia, mas deu a volta por cima . Com ela, Macon aprende a olhar a vida de outra maneira. Uma bela metáfora sobre sermos "turistas acidentais" no mundo. A diferença está em como nos comportamos nesta viagem.

 

O CÉU QUE NOS PROTEGE (direção: Bernardo Bertolucci –Itália – 1990)

Gosto muito deste filme que conta a história de um casal que sai em viagem pelo deserto africano, buscando sair do tédio do casamento desgastado pelo tempo. Mais que nos diálogos, o vazio de suas vidas é retratado nas imagens fantásticas de Bertolucci  ao filmar a vastidão do deserto. Há uma reviravolta, mas não vou contar muito porque pode ser que você não tenha visto o filme.  Sem spoiler, para você ter o prazer de descobrir essa obra maravilhosa. No elenco, John Malkovich, Debra Winger, como o casal viajante, e Campbell Scott, o amigo que viaja com eles e serve de observador. 

PRISCILLA, A RAINHA DO DESERTO (direção: Stephan Elliot -Austrália – 1994)

Outro filme do meu coração! Sempre acabo revendo no mínimo uma ou duas cenas favoritas quando reprisam na TV.  Este road-movie consegue tratar de temas delicadíssimos com ironia e respeito. Duas drag queens, Felicia (Guy Pearce) e Mitzi (Hugo Weaving) e a transexual Bernardette ( Terence Stamp) saem em direção a um resort no deserto australiano. Mitzi tem algo importante a fazer lá. O trio vai num velho ônibus a quem chamam  de "Priscilla". Pelo caminho conhecem pessoas legais,  machões violentos, dançam o tempo todo, enquanto Bernie e Felicia não param de brigar. É engraçado, triste, emocionante e ainda tem a música animadíssima do Abba .

Priscilla faz parte do grande momento do cinema australiano nos anos 90.  Outros filmes deliciosos da época são O Casamento de MurielVem dançar comigo.

ENCONTROS E DESENCONTROS (direção: Sofia Coppola – EUA – 2003)

O segundo filme de Sofia Coppola é uma pérola rodada no Japão. Quem só gosta de filmes de ação pode achar que "não acontece nada" na história, mas há toda uma delicadeza de sentimentos. Bill Murray, interpreta Bob, um ator em fim de carreira que está em Tókio para gravar um comercial de uísque. Charlotte, vivida por Scarlett Johanson, está no país acompanhando seu marido, um fotógrafo famoso. Bob e Charlotte sofrem com a insônia, o fuso horário...e se encontram no bar do hotel, onde começam a bater papo. Surge uma grande afinidade entre eles, mas não espere uma história romântica. Há amor entre os dois, mas sem sexo. São diferentes em idade e história de vida e talvez jamais se relacionassem em outra situação. Sofia é sutil na direção e deu a Bill Murray, que sempre quis ser levado a sério e não apenas um ator de comédias, seu melhor papel. 

SOB O SOL DA TOSCANA (direção: Audrey Wells – EUA – 2004)

Este filme fez muito sucesso junto ao público feminino ao contar a história autobiográfica da escritora americana Frances Mayes, quando ela se muda para a Itália após descobrir a infidelidade do marido.  Com direito a metáfora da reforma de uma casa antiga e o charme de um lindo italiano, Sob o sol da Toscana encanta também pelas paisagens exuberantes de uma das regiões mais belas do mundo. O filme é bonito, tem uma boa trilha sonora e os atores são carismáticos. Tudo junto garante duas horas de alegre fuga da realidade.

 

FAMÍLIA RODANTE (direção:Pablo Trapero – Argentina – 2004)

Pablo Trapero é um dos mais importantes diretores argentinos em atividade.  Este road movie cômico inicia quando a matriarca de 84 anos resolve reunir três gerações para irem à cerimônia de casamento de uma parente. São onze pessoas dentro de um trailer e mil quilômetros entre Buenos Aires e Missiones. Durante a viagem, muitos apertos, percalços, brigas e o prazer do reencontro e da convivência familiar. A Pequena miss Sunshine, filmado nos EUA dois anos depois, segue a mesma linha de Família Rodante.

VICKY CRISTINA BARCELONA (direção:Woody Allen – EUA/ESP- 2008)

Durante vários anos, Woody Allen abandonou sua musa Nova York e filmou nas principais capitais da Europa, usando um tom bem turístico. Depois de Londres, Roma e Paris, ele desembarcou em Barcelona para mostrar a história de duas amigas americanas ( Scarlett Johanson e Rebecca Hall) passando férias na Espanha. Lá elas encontram o pintor Juan Antonio, encarnado pelo ótimo Javier Bardem. Arma-se um triângulo amoroso, com a ex-mulher meio maluca (Penélope Cruz) de Juan, correndo por fora. 

MEUS DIAS NO CAIRO (direção: Ruba Nadda – Canadá/Irlanda- 2009)

Um filme delicado que conta a viagem de Juliette ao Cairo para encontrar o marido. Como ele precisou ir à Faixa de Gaza resolver um problema, envia Tareq, um antigo assessor na ONU, para buscá-la no aeroporto. Juliette está num país estranho, mas não adota seus hábitos e sai à rua com seu cabelão loiro exposto, vestidos mostrando a pele e logo encontra confusão. É o famoso choque cultural. Aos poucos ela e Tareq, tão diferentes, vão se envolvendo. A americana madura, moderna e bem sucedida, descobre nesse lugar exótico suas antigas emoções. Meus Dias no Cairo vai bem além das históricas românticas tolas tão em voga no cinema atualmente. Patrícia Clarkson é a atriz perfeita no papel.

COMER REZAR AMAR (direção: Ryan Murphy - EUA – 2010)

Ainda preciso falar alguma coisa sobre esse mega sucesso autobiográfico da escritora Elizabeth Gilbert ? Bem, se alguém não viu: infeliz com a própria vida, a jornalista empreende uma viagem de busca interior, passando pela Itália (comer), Índia (rezar) e Indonésia (amar). Julia Roberts, com seu sorriso  encantador, interpreta Liz. As belíssimas locações nos três países e a presença de Javier Bardem, vivendo o brasileiro por quem Liz se apaixona e casa, são de encher os olhos. O que não está no filme: anos depois, Elizabeth se separou do marido brasileiro e casou com sua melhor amiga, que morreu de câncer 18 meses depois.

 

TREM NOTURNO PARA LISBOA -( Bille August – Alemanha- 2013)

Baseado no romance Trem Noturno para Lisboa, um dos maiores best-sellers  europeus recentes,  o dinamarquês Bille August enfrentou muitas críticas a sua adaptação para as telas. Para alguns, ele ficou preso demais à linguagem do livro, para outros seguiu o caminho seguro e sem graça dos filmes americanos. É um daqueles casos em que a história é tão boa que basta não estragar para dar certo. Mas, no Festival de Berlim o Trem descararilou e foi massacrado.  A trama mostra o ótimo Jeremy Irons como o veterano professor de línguas, Raimundo Gregorius, morador de Berna, na Suíça. Numa manhã qualquer,  ele impede que uma mulher se jogue da ponte. Ele não consegue entender uma palavra do balbucio da suicida frustrada, mas se encanta com a musicalidade daquele idioma misterioso. Descobre depois que é o português. Assim, ele embarca para Lisboa e lá descobre bem mais que uma nova língua.

O elenco traz atores de várias nacionalidades, como a inglesa Charlotte Rampling, o suíço Bruno Ganz e a sueca Lena Olin. ( Disponível no YouTube)




COLEGAS ( direção: Marcelo Galvão – Brasil - 2013)

Três amigos portadores da síndrome de Down vão superar suas limitações para correr atrás de seus maiores sonhos. Um dia, inspirados pelo filme Thelma & Louise, o grupo foge no antigo carro do jardineiro  e parte numa viagem que tem a felicidade como objetivo. Márcio deseja voar como um pássaro, Aninha espera arrumar um bom partido para se casar e Stalone só quer ver o mar pela primeira vez. Eles vão viver diversas aventuras juntos e irão descobrir que a liberdade é um direito de todos. (Sinopse:Papo de Cinema)

Uma curiosidade: o ator Ariel Goldenberg é muito fã de Sean Penn e fez uma campanha para que o astro americano viesse ao Brasil no lançamento de Colegas. Sean não veio, mas depois recebeu Ariel e sua mulher na casa dele em Los Angeles. Assim como seu personagem, Ariel realizou um grande sonho.

 

Outros filmes/lugares : A Viagem de Lucia, Viagem para Darjeeling, Babel, Eurotrip, Hector à procura da felicidade, Por aqui e por ali, On the road, Que tan lejos, Livre, Tracks, Antes do Amanhecer,Umrika, A map for Saturday, O exótico hotel Marigold ...

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DICA DA COLUNISTA

ACERVO ALTERNATIVO – PARADIGMA CINE ARTE – FLORIANÓPOLIS

Para quem não aposentou definitivamente o DVD ou o Blu-Ray, o cinema Paradigma oferece títulos de sua programação para alugar e ver em casa durante 15 dias!

O acervo tem desde o recente Rocketman (2019), que mostra a trajetória de Elton John, até títulos difíceis de se encontrar como Morte ao Vivo/La mort em direct (1980), de Bertrand Tavernier,  que me impressionou muito na época, mesmo parecendo impossível de acontecer, e hoje se percebe que foi visionário. É a história de uma escritora de sucesso condenada por uma doença incurável  que não permite que seus últimos dias sejam gravados por uma emissora de tevê, mas a estação patrocina a instalação de uma câmera microscópica no cérebro de um repórter, para que ele registre a morte da escritora.

É delicioso procurar no acervo aqueles filmes que você quer rever há muito tempo ou descobrir preciosidades. O cinema e a vídeo locadora funcionam na SC-401, Florianópolis. Confira o site deles aqui. Fica a dica!

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THE END

(*) Fotos reprodução/divulgação

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cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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