Outubro 22, 2018

Fake News sempre existiu, mas cresceu pela força da internet

Fake News sempre existiu, mas cresceu pela força da internet

No primeiro turno, na saída do colégio Bom Jesus, uma senhora de uns 50 anos carregava o celular como se fosse um bebê, de modo que as outras pessoas percebessem o rebento e quem sabe fossem acariciá-lo. Ao encontrar uma conhecida, mais velha, a dona do smartphone fez uma cara de surpresa e soltou um “OH! Tão dizendo aqui que há uns problemas nas urnas eletrônicas e ao tentar votar para presidente aparece uma tarja preta e a pessoa não consegue. ”

E lá se foi ela de novo, colégio adentro, avisar o marido na fila sobre o que estaria ocorrendo. Não se sabe como terminou a comunicação entre eles, se o marido acreditou na fake news ou está na categoria dos espertos.

Mas é assim que sempre acontece: uma mensagem totalmente mentirosa pega carona com alguém, desprovido de conhecimento como aquela senhora, e acaba indo adiante.

Ponto 1: então o intermediário não tem capacidade de entender a falsidade e entra no jogo.

Na outra ponta do processo está quem gerou a mensagem falsa. Há indivíduos, certamente, mas é mais certo dizer que empresas e grupos de pessoas recrutadas e pagas para espalhar mentiras. Também não é novo.

Na eleição de 2014, aquela que Dilma disse que iria ganhar na marra, havia um exercito de duas mil pessoas do PT – muitas pagas e outras vindas de órgãos públicos, apenas para desconstruir a concorrência. Marina Silva, na época, foi a primeira atingida. Depois, Aécio penou e perdeu.  

Ponto 2: gente recrutada para espalhar fake news, empresas picaretas contratadas para esse fim e empresários colocando dinheiro para interferir no processo.

Se não houvesse as pessoas citadas no item 1 não haveria o ponto 2. Certo?

E por fim, a Fake News apresentada como novidade na eleição de Donald Trump e conhecida dos brasileiros nos últimos dois pleitos, sempre existiu por aqui, com outro nome. Por exemplo: em folhetos imitando jornal distribuídos com dados errados; pesquisas eleitorais fajutas publicadas como matérias pagas nos jornais e dezenas de outros formatos. Um dos mais perversos é cooptar por jornalistas de expressão para realizarem em seus espaços matérias subliminarmente favoráveis a um ou outro candidato.

Ponto 3: Fake News já incomoda há muito tempo. Agora é moda. E mais do que isso achou um público de 120 milhões de brasileiros que cada vez mais acessam a internet, tornando-se presas vulneráveis de mal intencionados.

Ponto 4: sabendo-se que tudo isso iria acontecer em 2018, conforme alertas, porque as autoridades não criaram mecanismos eficazes para impedir a manipulação de eleitores? Sem dúvidas esta é a pergunta que mais incomoda neste momento.      

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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