Outubro 10, 2019

Fechados com Bolsonaro, mas sair do PSL é outra história

Fechados com Bolsonaro, mas sair do PSL é outra história
FABIAN LEMOS/DIVULGAÇÃO

Para onde o presidente Jair Bolsonaro for os eleitos a deputados estadual e federal em Santa Catarina, assim como o governador Carlos Moisés da Silva e a vice Daniela Reinehr devem seguir, independentemente das disputas internas ou desarranjos entre alguns.

O gesto dos deputados estaduais Felipe Estevão, Ana Caroline Campagnolo e Sargento Lima, na foto, é emblemática: estão fechados com a posição de Bolsonaro e põem este aspecto acima de qualquer disputa partidária.

A pouco menos de um ano da eleição municipal, o cenário menos viável para qualquer candidato seria ficar sem uma estrutura baseada na liderança de Bolsonaro, mais fácil seria remover quem gera problemas, um deles o deputado federal Luciano Bivar, de Pernambuco, presidente nacional da sigla, que declarou, nesta quarta (9), que o presidente da República “não tem mais nenhuma relação com o PSL”.

O problema é maior para os parlamentares que não poderiam se desfilar da sigla sem que a legislação os atingisse, ou seja, o entendimento pacificado na Justiça Eleitoral, além de ratificado pelo Supremo, é o de que o mandato pertence ao partido, um empecilho e tanto para quem quiser entrar em uma batalha sem perspectiva de sucesso.

 

Avaliação

O raciocínio de Bivar, envolvido em denúncias de candidatas “laranjas” na última eleição - mulheres que concorreram para cumprir a cota de 30% de gênero e sequer sabiam o número, o partido ou votaram em si mesmas, em alguns casos - é o de que a saída de Bolsonaro da sigla já está decidida até para não se arranhar neste episódio.

De fato, há dois grandes grupos que dividem o PSL no país, o que não é diferente em terras catarinenses: os que pensam no projeto partidário, a formação e organização de uma grande sigla de direita e aqueles que seguem Bolsonaro, daí os últimos confrontos tanto no Congresso, quanto na Assembleia em relação a Moisés.

 

Caso concreto

Líder do PSL na Assembleia, o deputado Marcelo Alba estava em clima de Oktoberfest, na sua base, em Blumenau, no início da de ontem, onde é nome mais forte lembrado para concorrer à prefeitura.

Estava ao lado do governador Moisés diante de milhares de eleitores em potencial na abertura da grande festa, o que o coloca no dilema de ter que procurar uma sigla ou seguir Bolsonaro, duas situações que parecem inviáveis pela exiguidade do tempo.

 

SECOM/GOVERNO DO ESTADO

SEM CRISE

O prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt (sem partido), minimizou qualquer tentativa de criar um clima negativo entre ele e o governador Carlos Moisés da Silva na abertura da Oktoberfest. O prefeito preferiu não dar cor partidária ao fato do evento não ter recebido verbas da Santur, o que não ocorria desde a primeira edição da festa, e lembrou que a notícia boa para a cidade foram os recursos para o Centro de Convenções, entregues por Moisés dias desses. Sobre o pedido de credenciais pelo governo do Estado, que teria chegado a 60, 21 deles para o gabinete da vice-governadora Daniela Reinehr (PSL), Hildebrandt afirmou que existe uma cota para as autoridades. O deputado Ivan Naatz (ainda no PV), que participou da solenidade ao lado do empresário Luciano Hang, da Havan, disse à tribuna da Assembleia, horas antes, que o número de credenciais não passou de 12.

 

Fora do radar

O deputado federal Fabio Schiochet, presidente estadual do PSL, envolvido nas votações na Câmara, não atendeu a coluna nos últimos dois dias.

Não há resposta rápida sobre o que se daria caso Bolsonaro, a razão da força da agremiação política, deixasse os quadros e um projeto que passa por candidatos a prefeito nos 30 maiores municípios catarinenses, entre os 101 que pretende lançar em 2020, mais as dezenas para concorrer a vereador.

 

A lógica

Não há partido, com nova proposta ou mais tradicional, que possa abrir mão de estar forte nas próximas eleições municipais.

Quem não tem vereadores e prefeitos espalhados pelo Estado, não forma siglas competitivas para 2022, o grande teste para a consolidação da onda Bolsonaro.

 

MAURÍCIO LOCKS/DIVULGAÇÃO

A FORÇA DOS MICRO E PEQUENOS

A Frente Parlamentar das Micro e Pequenas conta com mais de 300 deputados federais e senadores no Congresso e é presidida pelo senador Jorginho Mello (PL). Natural que, na homenagem à semana do importante segmento, líderes empresariais como os presidentes da Fiesc, Mario Cezar de Aguiar, e da Fecomércio, Bruno Breithaupt, se juntassem ao senador catarinense no evento, ao lado do presidente do Sebrae Nacional, Carlos Melles, e do secretário nacional de Emprego e Competitividade, Carlos da Costa. Levantamento feito pelo Sebrae e pela Receita Federal mostra que 99% das empresas do Brasil são Micro ou Pequenas, uma força sem dúvida.

 

À espera da sanção

Na mesma linha do importante segmento, o Senado aprovou, por unanimidade, o projeto do catarinense Esperidião Amin (PP) que autoriza o uso de garantia solidária por microempresas que precisam tomar empréstimos financeiros.

A norma seguirá agora para a sanção do presidente Jair Bolsonaro e permite que pequenos empreendedores, pessoas físicas ou jurídicas, se organizem em uma sociedade de garantia solidária, e que, além dos sócios participantes, abrirá a possibilidade de sócios investidores, que aportarão capital, e autoriza ainda investimento público e incentivos estatais nesse tipo de sociedade, cujas ações serão de livre negociação.

 

Também no Congresso

Decreto Legislativo proposto pelo senador Dário Berger (MDB) que suspende as atuais demarcações e cobra novo estudo para os terrenos de Marinha, ganhou apoiadores na audiência pública realizada na Câmara dos Deputados, próxima casa a analisar a medida.

Nos cálculos da equipe de Dário, a medida, determinada pelo governo federal, atinge 10 milhões de brasileiros em 240 municípios, 50 mil propriedades só em Santa Catarina, um absurdo que exige, por exemplo, que, depois de comprar o imóvel e escriturá-lo, a União exige do cidadão que o terreno seja comprado de novo.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento) e na 105 FM (Jaraguá do Sul); e assina uma coluna no Diarinho, de Itajaí.
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