Junho 11, 2019

Filmes para se ver abraçadinho

Filmes para se ver abraçadinho
Tom Hanks e Meg Ryan, a eterna dupla romântica

Certo, o Dia dos Namorados é mais uma data comemorativa criada pelo marketing para beneficiar o comércio! Maaas, sempre serve como momento especial para os que se amam, os oficialmente namorados, os nem tanto, os quase... Costuma ser uma data de muitas flores, bombons, perfumes, lingeries ou jóias, dependendo do poder aquisitivo e da criatividade do(a) parceiro(a).

Muitos investem num jantarzinho romântico, vinho, luz de velas, pétalas de rosas. Já minha sugestão, vocês sabem, não poderia ser outra: um bom filme de amor, alguns tão açucarados que podem fazer doer os dentes...hahaha. Mas mesmo os homens que não são muito afeitos ao gênero, encontrarão filmes românticos que fogem da pieguice, como Don Juan de Marco, que tal ? Vai por mim.

Esta seleção já passou pela coluna, mas continua valendo se você ainda não viu ou gostou tanto que quer rever. Reciclada, mas cheia de amor !! Love is in the air, everywhere I look around...

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CLÁSSICOS DA ERA DE OURO

- Casablanca ( direção: Michael Curtiz – 1942)

Não tinha como não começar por esse classicão, onde Humprey Bogart (Rick) e Ingrid Bergman (Ilsa) vivem um reencontro na romântica Casablanca. Não ficam juntos porque ela é casada com um ativista político super gente fina. Só de ouvir "As time goes by" , a mítica canção-tema, a gente já chora!

 

- Tarde Demais para Esquecer ( direção: Leo McCarey – 1957)

Outra dupla da pesada, Cary Grant (Nickie) e Debora Kerr(Terry) estão de casamento marcado com outras pessoas, quando se conhecem em um cruzeiro e se apaixonam. Marcam de se encontrar seis meses depois no alto do Empire States. Ela não aparece. O que aconteceu ? Pode preparar os lenços quando descobrir...

 

 

AMORES TRÁGICOS

-Em nome de Deus - Abelardo e Heloíse (direção-Clive Donner-1988)

Quase tive uma desidratação quando vi o filme sobre Abelardo, um filósofo e teólogo com votos de castidade e Heloise, uma aristrocata. A história do século XIII é verídica e mostra a (má) influência da Igreja. Os dois se apaixonam, se casam às escondidas e depois são punidos de forma cruel.

Obs.: Há outro bom filme chamado "Em Nome de Deus", mas é irlandês e conta outra história.

 

- Romeu e Julieta ( 1968 – 1996 – 2013)

Pois é, o bom e velho Shakespeare é universal e eterno. Seu romance "Romeu e Julieta" já rendeu várias versões para o cinema. A primeira, em 1908. Vamos nos deter nas três últimas. A de 68, a mais famosa, dirigida por Franco Zefirelli, um encanto. Em 1996, uma versão moderna com Leonardo DiCaprio, dirigida por Baz Luhrman, e a última, menos conhecida, com o menino bonito, Douglas Booth.

A história todo mundo conhece, né? Mas, ok :Romeu, filho da família Montecchio, se apaixona por Julieta, filha dos Capuleto. As duas famílias são inimigas mortais e tudo acaba em tragédia.

 

ROMANCES DE JANE AUSTEN

Já contei para vocês aqui que gosto muito de Jane Austen. Sua obra vai bem além de histórias românticas. O pano de fundo é a sociedade inglesa do século XIX que ela retrata com humor e ironia. Além das adaptações literais de vários livros, Jane influenciou filmes como "O Diário de Bridget Jones"  a "Orgulho e Preconceito e Zumbis"!!!! Pois é... Vamos ficar com os dois mais famosos e suas ótimas versões.

 

- Razão e Sensibilidade ( direção: Ang Lee – 1995)

Após a morte do pai, a viúva e três filhas se mudam para o campo e enfrentam dificuldades financeiras. A herança ficou com o filho homem do primeiro casamento. Às mulheres era reservado casar ou fazer trabalhos domésticos para sobreviver. Uma irmã (Emma Thompson) é prática, a outra (Kate Winslet) é frágil e sensível nas questões do amor. O filme é ótimo, ganhou o Oscar de melhor roteiro adaptado, e tem no elenco ainda Hugh Grant e Alan Rickman, perfeitos nos papéis.

 

- Orgulho e Preconceito ( direção: John Wright – 2006)

Gosto demais dessa adaptação com Keira Knithgley ( que nasceu para fazer papéis de época) e Mathew Macfadyen.Keira é Elizabeth Bennet, uma das cinco filhas de um casal, cuja mãe só pensa em casar as moças. A primogênita é lúcida e à frente de seu tempo, uma espécie de alter ego da escritora. Conhece o aristocrático Mr.Darcy e o enquadra dentro de seus preconceitos em relação às classes mais abastadas. Depois, claro, os dois acabam se apaixonando. Jane Austen faz um crítica à futilidade reinante da época.

 

A DUPLA MEG RYAN E TOM HANKS

Há na história do Cinema atores que fizeram par romântico em vários filmes por existir "química" entre eles. Mesmo que fora das telas, nada tenha acontecido entre eles, podemos lembrar rapidamente de Rock Hudson e Doris DayKatherine Hepburn e Spencer Tracy ( bem, esses eram amantes na vida real), Richard Gere e Julia Roberts , Ryan Gosling e Emma Stone... E, os nossos escolhidos, Meg Ryan e Tom Hanks.

 

- Sintonia de Amor ( direção – Nora Ephron – 1993 )

Tom Hamks é Sam, um viúvo solitário que se muda para Seatlle com o filho. Meg é Annie, uma repórter que ouve a voz de Sam no rádio e se encanta com a história dele. Apesar de ser comprometida, ela o convida para sair. Inspirada em "Tarde Demais para Esquecer", que já falamos lá em cima, "Sintonia de Amor" é daqueles que pode causar diabetes no espectador...Mas, tem lá seu charme.

 

- Mensagem para Você ( direção: Nora Ephron – 1998)

Mesma dupla de atores, mesma diretora, mesma alta dose de açúcar, mas gosto mais deste do que de " Sintonia de Amor". Meg Ryan é dona de uma pequena livraria e odeia o dono de uma mega rede de livrarias que açambarca o mercado. Eles se conhecem e se envolvem pela internet ( daí o título...), sem saber que são "concorrentes". Um dia, ele descobre quem é a internauta que tanto o interessa. Filme gracinha!

 

DOIS ARRASA-QUARTEIRÕES

- Uma linda mulher ( direção: Gary Marshall – 1990 )

A história da prostituta, contratada pelo rico e charmoso empresário  que acaba se apaixonando é uma versão moderna de "Cinderela". Muito do sucesso do filme se deve à necessária "química"  que falamos mais acima entre o par romântico, no caso Richard Gere e Julia Roberts. A canção de Roy Orbison, "Oh, Pretty Woman",  deixou tudo mais adorável. O filme fez o maior sucesso e acabou rendendo 460 milhões de dólares.

 

- Ghost- do outro lado da vida ( direção: Jerry Zucker – 1990)

Logo em seguida, a bilheteria de "Uma linda mulher" foi superada por outro "arrasa-quarteirão" : "Ghost ". A história de amor além da vida vivida por Patrick Swayze e Demi Moore arrecadou 500 milhões de dólares. Ele é assassinado e ela jamais se conforma, recorrendo a uma vidente ( Whoopi Goldberg)para reencontrar o amado. E ele comparece, protege e a salva do malvado que tinha mandado assassiná-lo. A canção também virou um clássico: Unchained Melody.

 

AMORES ANIMADOS

Sim, animações também podem ser românticas !

- A Dama e o Vagabundo  (Estúdios Disney – 1955)

Eles já andaram por aqui, na sessão "Beijo de Cinema". São os fofos Lady, a cachorrinha de raça, que encontra o Vagabundo, vira-latas, quando está perdida na cidade. A cena do espaguete dividido que acaba em beijo é antológica.



- Gnomeu e Julieta ( 2011)

Mais um filme inspirado na história do bom e velho Shakespeare. Dessa vez é uma animação que mostra Gnomeu e Julieta, dois anões de jardim, que se apaixonam, mas como na história original, as famílias não aprovam o namoro. Os simpáticos gnomos fizeram tanto sucesso que rendeu uma continuação em cartaz atualmente.



ROMANCES HOMOAFETIVOS

- O segredo de Brokeback Mountain (direção: Ang Lee – 2005)

A história de amor entre dois cowboys marcou pela ousadia de Ang Lee, que acabou levando o Oscar de melhor diretor, roteiro adaptado e trilha sonora. A dupla é interpretada por Jake Gyllenhaal  e Heath Ledger, astro em ascensão morto precocemente por overdose de medicamentos. O filme é bonito, triste e abriu espaço para outros na mesma linha.



- Beijando Jéssica Stein ( direção: Charles Herman-Wurmfeld – 2001)

Essa comédia romântica dividiu opiniões, mas tem seu encanto. Jéssica se acredita heterossexual até conhecer Helen, ambas cansadas de relacionamentos mal sucedidos. Tentam uma relação, mas as coisas não são tão fáceis como parecem. Há momentos de humor, mas tudo é muito sutil no filme.



 

O AMOR NA MATURIDADE

Já fiz uma edição inteira dedicada a filmes de amor na maturidade (23/01/2018), mas vou colocar aqui um dos que mais gosto...

As Pontes de Madison – Clint Eastwood – 1995

Que  o antigo brutamontes das telas (Dirty Harry, Por um punhados de dólares...) se tornou um diretor sensível a gente já sabia desde Bird, a história do músico Charlie Parker, mas em As Pontes de Madison ele se superou. A inusitada história de amor entre um fotógrafo da revista National Geographic e uma dona de casa, cuja família está viajando, consegue ser comovente sem apelação, sem pieguice, uma beleza. Interpretado pelo próprio Clint, o fotógrafo está em Iowa para fotografar as pontes de Madison. Lá ele conhece Francesca, interpretada por ninguém menos que Meryl Streep,  uma doce mulher com quem tem um breve e intenso romance. A escolha que ela faz ao final desagrada parte do público, mas achei muito coerente e amorosa. Uma lindeza de filme!

 

SIM, EXISTE VIDA INTELIGENTE NAS COMÉDIAS ROMÂNTICAS

Vou encerrar com a minha comédia romântica favorita, já mencionada na coluna algumas vezes...

- HARRY E SALLY-FEITOS UM PARA O OUTRO ( direção: Rob Reiner- 1989)

O filme não é pretensioso, tem diálogos inteligentes, o carisma de Meg Ryan e uma boa parceria com Billy Cristal, que não é nenhum galã. Tudo isso resulta numa divertida e adorável comédia romântica, crível, onde tudo começa com uma bela amizade e acaba em amor. A trilha sonora é super bacana e a cena de Meg simulando um orgasmo na lanchonete entrou para a antologia do cinema.

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FORA DE SÉRIE

OUTLANDER (  4 TEMPORADAS – REINO UNIDO- FOX PREMIUM )

Vi apenas episódios soltos da série, mas tantas amigas serie maníacas a elogiaram que estou devendo dar mais atenção a "Outlander". E tenho que correr, pois está saindo a 4ª temporada e já foi renovada para mais duas. O roteiro se baseia nos livros de Diana Gabaldon, cuja primeira edição saiu em 1991.

A trama acompanha Claire (Caitriona Balfe), uma enfermeira da Segunda Guerra Mundial que tenta se reaproximar de seu marido Frank (Tobias Menzies) após o término do conflito. Durante um passeio, Claire descobre por engano um portal e acaba transportada para a Escócia no ano de 1743, completamente longe de sua realidade. Lá ela conhece Jack Randall, o perigoso antepassado de seu marido, e Jamie Fraser (Sam Heughan), por quem acaba se apaixonando. (Sinopse: site Omelete)

A série não apresenta só romantismo. Há muito de História, das mudanças do papel feminino no mundo com o passar do tempo. Tô a fim de ver. E vocês já viram?

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O LIVRO QUE VIROU FILME

DON JUAN- O SEDUTOR DE SEVILHA ( Tirso de Molina – 1630)


Não existe apenas UM livro sobre Don Juan. O personagem apareceu pela primeira na obra de 1630, mas depois foi objeto de vários livros, peças, filmes e até ópera. Sua popularidade pode vir do fato de ser o perfeito mulherengo, libertino, conquistador. Seu nome se tornou, figurativamente, sinônimo de homem sedutor.

Na Espanha, ele é Don Juan. Na Itália, Don Giovanni. Especialistas pesquisaram muito para saber se ele existiu realmente, mas as conclusões são de que Don Juan é fictício.

Sucederam-se vários livros como " Don Juan" (poema de Lord Byron- 1824), "O Diário Perdido de Don Juan" (Douglas Abram- 2007), Don Giovanni ou O Dissoluto Absolvido' ( peça de  José Saramago)...

 

O FILME: DON JUAN DE MARCO (direção: Jeremy Leven – 1995)

São muitos os filmes inspirados no personagem Don Juan, mas escolhi "Don Juan de Marco" por vários motivos. Ele conta a história de forma original: um rapaz de 21 anos é levado para um hospital psiquiátrico por tentar o suicídio, alegando mal de amor. Ele usa máscara e capa e diz ser Don Juan. O psiquiatra decide tratá-lo sem medicamentos e ao ouvir os relatos do provável Don Juan, vai ele mesmo refletindo sobre seu relacionamento e se tornando mais amoroso. Johnny Depp é Don Juan e o extraordinário Marlon Brando – segundo motivo da escolha -é o terapeuta. Brando fez alguns papéis "meia-boca" nos últimos anos de vida. Ele deveria ter encerrado a carreira com "Don Juan de Marco" , onde faz um homem encantador ao lado de Faye Dunaway.

Uma observação muito pessoal: noto que os homens, não tão apreciadores de filmes românticos, gostam muito de "Don Juan de Marco". Algo toca o coração masculino nessa história.

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É COISA NOSSA

PEQUENO DICIONÁRIO AMOROSO (direção: Sandra Werneck – 1997)

Uma das melhores comédias românticas do cinema brasileiro, o filme conta a história de Luiza e Gabriel que se conhecem por acaso e se apaixonam. Gabriel é divorciado, Luiza está saindo destroçada de uma outra relação. Como qualquer casal vão passando por todas as fases de um relacionamento, nem sempre agradáveis.  Sandra Werneck vai contando essas passagens em ordem alfabética: amor, cio, felicidade... Difícil não se reconhecer em alguns capítulos desse dicionário amoroso.

Luiza é vivida pela ótima Andréa Beltrão e Gabriel por Daniel Dantas. Eles formam um casal real, crível. Gloria Pires e Tony Ramos também estão no elenco.

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Moral da história :

 

THE END

(*)Fotosdivulgação/reprodução

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Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

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