Outubro 04, 2019

Futebol por um fio. Por Nílson Souza

Futebol por um fio. Por Nílson Souza
Reprodução

O gol era irrecorrível. Agora depende de julgamento em primeira instância (o árbitro), de submissão aos recursos tecnológicos, de avaliação no Supremo Tribunal do VAR, de reexame do vídeo por parte do juiz de campo e só então os jogadores e os torcedores ficam liberados para comemorar ou silenciar.

Com a intervenção da tecnologia, o futebol ganha em correção, mas inquestionavelmente perde em emoção.

E não vale o argumento de que a torcida vibra duas vezes, quando a bola entra e quando o VAR confirma. Nenhuma dessas vibrações é plena, total, livre de preocupações. Os próprios jogadores já não saem mais dando salto mortal e atirando a camisa longe depois de marcar. A primeira coisa que fazem é conferir se o árbitro não está apertando o fone de ouvido na concha da orelha para estragar a festa.

Parêntese para uma observação curiosa: a tecnologia costuma desempregar, mas, no caso dos juízes de futebol, elevou o número de profissionais envolvidos na arbitragem de cada jogo. Além disso, aliviou a responsabilidade dos apitadores, que passaram a compartilhar suas decisões e a ouvir menos críticas, pois os reclamantes ficam sem argumentos diante de gravações e gráficos.

Pelo que se tem visto nos últimos jogos do Brasileirão e da Copa Libertadores, o VAR está se tornando milimétrico. Antes, jogador na mesma linha, ou seja, emparelhado com o adversário em relação à linha de fundo, podia celebrar quando marcava o gol. Agora pode ser considerado impedido por um fio de cabelo.  

Finalmente uma vantagem para os carecas.

 

*Nílson Souza é jornalista, formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, colunista de Zero Hora, diretor da ARI (Associação Riograndense de Imprensa) e membro do Conselho de Ética da Quinta Câmara do CONAR (Conselho Nacional de Autorregulamentação Publicitária). Experiência de mais de 40 anos como repórter e editor em jornais da Companhia Jornalística Caldas Júnior, Jornal do Brasil, Revista Veja e Grupo RBS, onde exerceu as funções de editor de Justiça, de Esportes e de Opinião do jornal Zero Hora, atuando também como secretário-executivo do Comitê Editorial. Participou da formulação do Código de Ética e Autorregulamentação Jornalística e do Código de Conduta do Grupo RBS, atuou na preparação e redação de palestras para executivos e como ghostwriter de artigos e livros.

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Redação Making Of

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