Março 13, 2019

Gean avalia os cenários para 2020

Gean avalia os cenários para 2020
CRISTIANO ANDUJAR/PMF

Prestes a lançar um pacote de 32 obras e entregar ao tráfego o Elevado do Rio Tavares, um dos remédios para o complicado trânsito no Sul da Ilha de Santa Catarina, o prefeito Gean Loureiro (MDB) entrou no radar das especulações sobre a troca de partido para concorrer à reeleição em 2020. Gean admite que, a exemplo do que foi usado pelos adversários contra ele no segundo turno da eleição passada, as denúncias de corrupção que envolvem figuras da cúpula nacional emedebista como o ex-presidente Michel Temer (presidente nacional da sigla), o senador Renan Calheiros (AL) e o ex-senador Romero Jucá (presidente nacional em exercício) ou o ex-deputado e ministro Geddel Vieira Lima (BA), para citar alguns, lhe tiram votos, de acordo com pesquisas. Mas a decisão virá a partir de uma avaliação mais rigorosa somente depois do segundo semestre deste ano. Novos endereços partidários não faltam para o prefeito da Capital, que tem interlocução com várias siglas, entre elas PRB, PSB e DEM. Mais do que tratar de desgastes, Gean, que foca na administração dos próximos 21 meses, deverá também considerar o quanto uma nova mudança de partido pesará no seu histórico, em tempos de mudança de postura do eleitor, principalmente para quem já foi filiado ao PDT e ao PSDB.  

 

Importante

Gean Loureiro conversou recentemente com o deputado Valdir Cobalchini, que busca apoio para presidir o MDB catarinense. Relatou ao parlamentar, ex-colega de plenário a Assembleia, o temor pelo desgaste de continuar na sigla, mas não dá certeza de nada sobre o futuro na sigla pela qual garantiu o maior número de mandatos, de vereador a deputado federal e estadual. Cobalchini teria o apoio de Gean, mesmo quando, do outro lado na disputa interna está o senador Dário Berger, ex-prefeito de São José e Florianópolis, um campeão em troca de partidos.  

 

Parcerias

Gean quer formar uma aliança robusta na candidatura à reeleição, mas a nova configuração com o fim da coligação na proporcional, não deverá repetir a tripa de 15 partidos na majoritária. Já aceitou a mão estendida do deputado estadual Marcos Vieira, presidente do PSDB catarinense, não exatamente do partido do vice, João Batista Nunes, também desgastado por denúncias de corrupção. Outro parceiro certo nas conversas é o PR, do senador Jorginho Mello, uma outra conversa que precisa ser melhor amarrada para o ano que vem.

 

Tertius

Enquanto a polarização permanece entre Valdir Cobalchini e Dário Berger, o nome do estreante deputado estadual Fernando Krelling, que tem base no Norte do Estado, o que inclui o maior colégio eleitoral, Joinville, começou a ser lançado como pré-candidato à presidência do MDB. Jovem e com carreira política só no início, poderá ser um tertius na disputa.

 

Importante

O desafio do novo presidente estadual do MDB vai muito além de uma cara nova. A eleição do ano que vem para prefeito e a manutenção das 100 administrações garantidas em 2016 estão na ordem do dia e do processo de escolha.

 

Foi ele

Ponto para Valdir Cobalchini que estruturou e coordenou o processo no Estado, enquanto o já presidente da sigla, Mauro Mariani, ficou à margem. E Dário Berger também não somou coisa alguma: perdeu em São José, sua base, e não foi decisivo na eleição apertada de Gean Loureiro na Capital, outra cidade que comandou. Até adversários internos de Cobalchini reconhecem ou deveriam reconhecer este feito.

 

Especulação

Gean Loureiro seguir para o PRB junto com Gelson Merisio seria o suicídio político do prefeito da Capital. Reeleito, Gean passa a ser nome lembrado para disputar o governo, em 2022, e os métodos de Merisio são conhecidos: entra no partido para mandar e ser o pré-candidato à prefeitura de Joinville, especula-se, e ao Centro Administrativo. Isso sem contar o enorme desafio de fazer o PRB crescer no Estado, que não tem nenhum prefeito ou vice, embora tenha garantido uma cadeira na Asssembleia, com Sergio Motta, e outra na Câmara, com o deputado federal mais votado, o comunicador Helio Costa.

 

Aliás

Merisio, acompanhado pelos deputados estaduais Kennedy Nunes (PSD) e Rodrigo Minotto (PDT), foi almçocar, na quinta passada (7), no Reaturante Lindacap, em Florianópolis. Na entrada, deu de cara com os deputados Valdir Cobalchini e Moacir Sopelsa, ambos do MDB, e parou para conversar. Não os convidou para seguir na aventura política, mas revelou angústia com a futura troca de endereço eleitoral, provavelmente o PRB, depois de avaliar a diuficuldade de filiação, por exemplo, no PP. Minotto também negou algum convite, não perderá a condição de brizolista de jeito nenhum.   

 

Ah, o passado!

Antes todo-poderoso, Merisio negava em 2017, quando ainda se dsicutia se o então governador Raimundo Colombo trabalharia pela manutenção da aliança com o MDB, qualquer possibilidade de deixar o PSD. "Que ele saia (do partido)!", disse Merisio sobre Colombo, na presença da então diretora de empresa da Asssembleia, a jornalista Thamy Soligo. Os ventos mudaram e Merisio sequer consegue que gente de peso, como prefeito de Chapecó, Luciano Buligon (sem partido), o siga na troca de partido, ou deputados estaduais e federais.    

 

ROBERTO AZEVEDO

CONVERSA ANIMADA

O tapete vermelho no hall da Assembleia é ponto de muitos encontros. Nesta terça (12), no início da noite, o presidente Julio Garcia (PSD) acabara de retornar á casa, o vice presidente Mauro De Nadal (MDB) saia do parlamento, e o ex-deputado federal e estadual João Paulo Kleinübing, presidente estadual do DEM, passava pelos dois que já haviam conversado até sobre o antigo futebol de salão. Julio foi goleiro de sucesso, campeão estadual e brasileiro, antes de ser reconhecido como um grande estrategista político. Mauro aprende com esta postura pró-ativa. Kleinübing foi ao gabinete do deputado Milton Hobus (PSD) e pediu para conversar com Julio nesta quinta (14).

 

Quem sabe

Já imaginaram uma fusão entre DEM e PSD, o que seria a retomada da história do PFL, e que geraria a possibilidade de uma debandada de parlamentares de outras siglas sem a perda do mandato. Pois não ignorem, já que o PSD tem 34 deputados federais e o DEM, 29. Juntos teriam a maior bancada da Câmara e a maior do Senado, 13 cadeiras.

 

Em nome da troca

Quando a reedição da UDN virou assunto que vai além dos bares e restaurantes, porque não um de seus herdeiros naturais, o PFL, renascer com outro nome. Os demistas foram privilegiados no governo de Jair Bolsonaro e nas presidências das duas casas no Congresso Nacional.

 

História

Na conversa observada por Julio Garcia e Mauro De Nadal, João Paulo Kleinübing foi provocado sobre o passado do avô, Waldemar, que foi um udenista ferrenho e prefeito de Videira. João Paulo contou que, certo dia, quando Ivo Silveira (1966-1971) era governador do Estado e Jorge Bornhausen seu vice, eleito indiretamente pela Assembleia, o avô-prefeito veio pedir ajuda para o eterno problema de abastecimento de água videirense. Bornhausen disse que o levaria ao governador, que foi filiado ao arquirrival PSD e agora estava na Arena. Resposta do então Kleinübing famoso: “Alto lá, se depender de apertar a mão deste pessedista, Videira fica sem água!” A coisa era séria, uma briga comparável a embates esportivos como Fla-Flu, Gre-Nal e Avaí e Figueirense, rivalidades sem fim.     

 

Na Assembleia

Secretário da Casa Civil Douglas Borba, que é vereador em Biguaçú, e desfiliou-se, finalmente, do Progressistas (PP), aterrissa na Assembleia, nesta quarta (13) para visitar os 40 gabinetes dos deputados. É o que os parlamentares consideram o início da articulação mais efetiva do governo de Carlos Moisés com o Legislativo. E precisa, até porque começa a tramitação do projeto que cria uma nova política pública para a concessão de incentivos fiscais e há vetos para debate em plenário que interessam ao Centro Administrativo, que ainda não possui uma base de apoio definida, como se isso não fosse fundamental.  

 

Pode se preparar

Um dos maiores enigmas em relação ao governo de Carlos Moisés é a tal reforma administrativa, que ainda não chegou ao parlamento. Douglas Borba pode se preparar para as perguntas sobre o assunto e outra sequência que incluem benefícios questionados dentro da administração, herança de outros governos e que deveriam ser banidos.    

 

Defesa

Presidente da Fecomércio, Bruno Breithaupt  defendeu na tribuna da Assembleia a manutenção da política de concessão de incentivos fiscais do governo do Estado. Na argumentação, declarou que os setores de serviço, comércio e turismo representam 63,9% da força de trabalho e que pagam mais de 50% de todo o ICMS arrecadado em Santa Catarina.

 

MAURICIO VIEIRA/SECOM

A PRIMEIRA ESCOLHA E A TRADIÇÃO

Na primeira escolha do chefe do Ministério Público estadual feita pelo novo governador Carlos Moisés, a tradição pelo mais votado na lista tríplice para procurador-geral de Justiça foi mantida e o promotor de Justiça de carreira Fernando da Silva Comin confirmado no cargo a partir de 5 de abril próximo. Comin substitui o procurador-geral Sandro José Neis, que comandou o órgão nos últimos quatro anos. A apresentação de Comin foi feita em grande estilo, diante da reunião do colegiado de Moisés e da vice-governadora Daniela Reinehr.

 

Isca

Não só a reforma da Previdência mobilizará o Congresso. O presidente Jair Bolsonaro resolveu enviar outra matéria, a rediscussão do Pacto Federativo, que redefinirá a divisão dos impostos entre a União, estados e municípios, e a possibilidade de dar mais autonomia no orçamento para todos os entes federados. Hoje está engessado com repasses fixos para áreas como saúde, educação, segurança pública e assistência social. O ponto é justamente incorrer em improbidade administrativa por não cumprir os valores mínimos constitucionais, algo que gerará polêmica nos órgãos de controle e alívio para os gestores, que pressionarão parlamentares a favor da reforma da Previdência.

 

* Prisão de dois suspeitos pela morte da vereadora Marielle Franco (PSOL) e do motorista Anderson Gomes, no Rio de Janeiro, o sargento reformado da PM Ronnie Lessa atirou contra a vereadora e do ex-policial militar Élcio Vieira de Queiroz, expulso da corporação, é a ponta do iceberg do crime, que tem que estabelecer a motivação e os mandantes, provavelmente ligados às milícias.

 

* Uma das muitas teses é a de que Marielle, que não atuava contra a milícia, mas em movimentos sociais diversos, que incomodavam os criminosos, tenha sido vítima de um recado pesado ao hoje deputado federal Marcelo Freixo (PSOL), de quem ela foi assessora, e que comandou a CPI que debateu o assunto tão escandaloso quanto o narcotráfico na Assembleia Fluminense.

 

* CPI da Hercílio Luz já produziu dois efeitos práticos na primeira reunião: os deputados Marcos Vieira (PSDB), presidente da Comissão, e João Amin (PP), vice-presidente, declararam que receberam recursos nas campanhas de 2010 e 2014 de empresas que atuaram na reforma a ponte; e os parlamentares, que devem encerrar os trabalhos em julho, de acordo com o relator Bruno Souza (PSB), vão se valer do que TCE e Ministério Público já levantaram sobre os mais de R$ 700 milhões gastos nas obras.

 

* Presidente da Comissão de Assuntos Municipais, o deputado Jerry Comper (MDB) começa nesta quarta (13) o debate sobre o Estudo dos Municípios feito pelo Tribunal de Contas do Estado juntamente com a a diretora de Atividades Especiais do TCE, Monique Portella Wildi Hosterno, e o presidente da Fecam, Joares Ponticelli (PP), de Tubarão.

 

* Jerry destaca que, à mesa há uma análise detalhada que “nos faz refletir sobre a relevância da sustentabilidade de administrações públicas competentes e principalmente próximas da comunidade", que recomenda a fusão de 105 municípios.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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