Novembro 11, 2019

Gean escolhe destino eleitoral até o fim do ano

Gean escolhe destino eleitoral até o fim do ano
ROBERTO AZEVEDO

O prefeito de Florianópolis Gean Loureiro, que se desfiliou do MDB em maio passado, afirma que só escolherá o partido a que pretende se filiar no fim do mês que vem.

É uma resposta às especulações que já o colocaram em várias siglas, sem que o prefeito confirme seu destino para se candidatar à reeleição, em 2020.

Assediado por vários líderes de agremiações políticas, Gean cita o DEM, o Republicanos (ex-PRB), o PSB e o Podemos, além do próprio MDB, entre os que o procuraram para conversar, portanto, opções não faltam para quem comanda o segundo maior colégio eleitoral do Estado.

Na foto, durante o evento de comemoração dos 80 anos do SCC SBT, na Fiesc, ao lado do prefeito de Chapecó, Luciano Buligon (DEM).

 

De olho no trabalho

O prefeito, que chegou a enfrentar momentos difíceis em uma prisão não efetivada na Operação Chabu, da Polícia Federal, aparentemente única situação que o deixa vulnerável e na mira dos adversários, dedica-se integralmente à administração.

O foco que Gean assegura manter é a prioridade máxima, com a inauguração de obras e muitos projetos, que vão de operações de calçamento de centenas de ruas, revitalização de rodovias estaduais, o alargamento da faixa de areia de Canavieiras, despoluição da Beira-Mar Norte, praças nos bairros, reforma e entrega de novos prédios de unidades de saúde, escolas e creches.

 

Por ele

Gean tem pesquisas nas mãos que mostram que ele não deve atrelar o nome a velhos caciques, como Dário Berger (MDB), Esperidião e Angela Amin, ambos do PP, ou mesmo o governador Carlos Moisés (PSL) ou ao presidente Jair Bolsonaro (ainda no PSL), pois, em todos esses cenários, perde espaço pela “contaminação” da imagem.

“Dependo só do trabalho da administração, dependo de mim”, sentencia Gean.

 

Não somam

Procurado pelo presidente estadual do MDB, o deputado federal Celso Maldaner, para retornar ao partido, semana passada, Gean declarou que não há hipótese nenhuma.

Nem mesmo com a eleição do deputado federal Baleia Rossi (SP) para comandar o diretório nacional, pois o prefeito da Capital não crê que isso retire do processo a cúpula (Michel Temer, Romero Jucá, entre outros) acusada de corrupção.

 

Em debandada?

Sobre a decisão do diretório estadual em nomear o vereador Rafael Daux para comandar o MDB na Capital, que defende a candidatura própria à prefeitura, Gean considera o ato um desastre.

Declarou que, em 2020, não quer o apoio do partido e acredita que os filiados do MDB que estão em sua administração caminham para sair da sigla, o que acredita dificultará a formação de chapas emedebistas à Câmara de Vereadores, principalmente sem a possibilidade de coligação.  

 

A reação

O presidente municipal do MDB de Florianópolis, vereador Rafael Daux, reagiu às declarações de Gean, seguida por uma série de bombardeios de outros, principalmente ex-correligionários e integrantes da equipe do prefeito.
Daux dividiu em três partes as críticas feitas Gean, que foram divulgadas, no último sábado (9), na coluna que assino no Diarinho, de Itajaí, e que reproduzo na ainda inédita versão no Portal Making Of:

“1. O Prefeito, como tem feito repetidas vezes, mente. Ao contrário do que afirma, não vem sendo procurado por diversas siglas. Na verdade, Gean tem procurado um partido onde possa se abrigar e vem encontrando portas fechadas na maioria dos partidos. Vale lembrar que o Prefeito abandonou o MDB, partido que o conduziu a Prefeitura de Florianópolis, em uma decisão 100% marqueteira e que mostra a sua verdadeira face: um homem que só tem compromisso com seu projeto de poder.

2. Ao citar políticos relevantes, dizendo que eles desabonam sua candidatura, Gean deixa claro como ele trabalha: tudo é marketing. Se comer sushi der voto, o Prefeito come sushi. Se cuspir no prato em que comeu der votos, ele cospe.

3.Por último, o Prefeito afirma que foi um desastre a escolha do meu nome à presidência do partido. Desde o primeiro momento em que aceitei o desafio de presidir o MDB na Capital venho sendo procurado por pré-candidatos e pessoas que estavam desanimadas e afastadas do partido. São homens, mulheres e jovens que há muito tempo não eram ouvidos pelo Partido. Por isso, digo: Gean, pode ficar tranqüilo. Quando o momento chegar o MDB estará preparado. Não para fortalecer o seu projeto de poder a qualquer custo, mas para defender os interesses de Florianópolis. Gean deixou o MDB com uma dívida de aproximadamente R$ 200 mil. Vamos ver como ele vai deixar Florianópolis. Isso vai dar CHABU...”

 

A novidade no NOVO

O deputado estadual Bruno Souza, sem partido depois de deixar o PSB, no início de fevereiro, anunciou sua filiação no NOVO, o que o deixa, mais do que nunca, como alternativa à eleição à prefeitura de Florianópolis, em 2020.

O partido tem angariado adeptos à causa de maior liberdade econômica, não utilização de dinheiro público nas eleições e na defesa da democracia e das liberdades individuais, com incentivo ao empreendedorismo e à participação do cidadão na política, muitas das bandeiras que Bruno já defende.

 

MAURÍCIO LOCKS/DIVULGAÇÃO

APOIO EM CRICIÚMA

O deputado federal Eduardo Bolsonaro, líder do PSL na Câmara, declarou que apoia qualquer movimento da advogada Julia Zanatta e do senador Jorginho Mello e não teria por que não apoiar já que “eles sempre foram amigos leais ao governo (de Jair Bolsonaro)”. Julia aparece como pré-candidata à prefeitura de Criciúma pelo PL, presidido por Jorginho. Foi a primeira agenda de Bolsonaro em Santa Catarina, antes da palestra que fez na maior cidade do Sul do Estado, em Criciúma, no Teatro Elias Angeloni, onde falou sobre a História do Brasil e o Conservadorismo.

 

Que susto

O acidente de carro, próximo à Fazenda Boqueirão, em Lages, na sexta (8) com o presidente da Assembleia Julio Garcia (PSD) foi recebido com preocupação pelos demais deputados estaduais.

No domingo (10), Julio foi removido do Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, em Lages, para Florianópolis, onde será submetido a uma nova cirurgia de reparação no tornozelo direito, que foi bastante atingido no acidente, com fratura exposta.

 

Tudo tranquilo

De acordo com boletim emitido pela Diretoria de Comunicação da Assembleia, a mulher de Julio, Adalgisa Scheer, passa bem e permanece em observação no Hospital Nossa Senhora dos Prazeres, em Lages.

Enquanto o casal Giulianno Dalligna e Gabriela Jardim dos Santos, que estava no outro carro envolvido no acidente, teve alta no domingo à tarde.

 

Em nome dos royalties 1

Foi uma gritaria geral, que veio dos deputados João Amin (PP) e Marcos Vieira (PSDB), do ex-governador Raimundo Colombo e até da Fecam, comandada pelo prefeito Joares Ponticelli (PP), de Tubarão, contra um documento assinado pelo governador Carlos Moisés da Silva, que adiou o julgamento sobre o destino dos royalties do petróleo.

Moisés, juntamente com outros cinco governadores, aceitou um pedido do governador do Rio de Janeiro, um dos signatários do pedido, para que fosse transferida do próximo dia 20 para daqui a seis meses o julgamento, o que provocou a ira de adversários do governador catarinense, parecia uma antecipação da campanha eleitoral.

 

Em nome dos royalties 2

Em todas as manifestações, a questão é centrada na perda de receita do Estado, a partir do que seria uma decisão favorável do STF, algo de que não há certeza alguma, enquanto o argumento de Moisés é de que o pedido de Witzel, do Estado que mais perdeu com o cálculo dos royalties do petróleo, haveria a possibilidade de uma acordo para dividir valores.

O fato é que o assunto é controverso mesmo, pois, há mais de duas décadas, catarinenses, paulistas e paranaenses já discutem outro ponto do assunto, a quem cabe os royalties do que já é produzido na Bacia de Santos, e, desde 2017, não só os municípios e estados produtores passaram a requerer esta partilha.

 

É grave

Enquanto as declarações falam em uma renúncia de até R$ 170 milhões por ano com a decisão de Moisés, que não é definitiva, e nem retira a ação do STF, somente a adia, uma revelação bombástica foi revelada pelo governador.

Santa Catarina jamais fez parte ou qualquer participação no processo que corre na mais alta corte, por isso, em meio ao tiroteio estabelecido pelo documento assinado por seis governadores, Moisés determinou à Procuradoria Geral do Estado que promova a entrada oficial do Estado na ação. Assista ao vídeo:

 

Para saber

Esta pendenga criada pelo documento e tom ameaçador das reações, levada à frente por deputados e a Fecam, nada tem a ver com a partilha dos royalties do pré-sal¸ a cessão onerosa, que amealhou muito menos do que o governo previa nos leilões.

Mesmo assim, todos os estados e municípios receberão os recursos, de acordo com a população e o os repasses que têm direito pelo Fundo de Participação dos dois entes federados.

 

REPRODUÇÃO/FACEBOOK/YOUTUBE

LULA LIVRE, LÍNGUA SOLTA!

Nas duas primeiras manifestações públicas que fez após ser solto da carceragem da Polícia Federal, em Curitiba, o ex-presidente Lula (PT) adotou um discurso bem diferente do que o deputado federal Pedro Uczai (PT), com base no Oeste de Santa Catarina, defende. Para Uczai, Lula será “um conciliador” a partir de vencido a etapa da prisão em segundo grau por corrupção, no caso do Duplex do Guarujá. Ainda nos próximos dias, o TRF-4, com sede em Porto Alegre, decidirá sobre outra ação, a do Sítio de Atibaia, onde Lula já foi condenado em primeiro grau, pelos benefícios que caracterizariam propina. Mas, de fato, o ex-presidente petista não perdeu a vontade de espinafrar seus adversários e quem o levou à prisão, mas parecia muito próximo do tom de Jair Bolsonaro ao criticar a Rede Globo, algo que os une por definição.  

 

A lamentação

Horas depois de ser solto, Lula ainda afiava o discurso contra o conservadorismo de Bolsonaro e teve que enfrentar uma perda e tanto para a esquerda com a renúncia do presidente Evo Morales, da Bolívia.

Para a esquerda, Evo, que estava há quase 13 anos no poder - o mesmo tempo que o PT (com Lula e Dilma) governou o país - sofreu um golpe, mas não dá para considerar isso de quem mudou duas vezes a Constituição boliviana para se perpetuar na presidência, que não suportou manifestações nas ruas e uma auditoria promovida pela Organização dos Estados Americanos (OEA), que encontrou fraudes na última eleição presidencial no país vizinho.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento) e na 105 FM (Jaraguá do Sul); e assina uma coluna no Diarinho, de Itajaí.
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