Junho 19, 2019

Gean se diz injustiçado: “Um dia triste para Florianópolis”

Gean se diz injustiçado: “Um dia triste para Florianópolis”
REPRODUÇÃO/LIVE/FACEBOOK/ALTAIR MAGAGNIN/NDMAIS

Depois de prestar depoimento por quase quatro horas à Polícia Federal, ser liberado por volta das 20h da mesma terça (18) em que a Operação Chabu provocou repercussões nos meios políticos e policiais, o prefeito Gean Loureiro (sem partido) disse, em coletiva, que ainda não sabe os motivos de sua detenção, que sequer chegou a ser mantida pelo delegado que coordena a operação por não entender necessária.

A tentativa do advogado Diogo Ptsica, que comanda a defesa de Gean, será derrubar o afastamento do cargo por 30 dias, de acordo com decisão do desembargador federal Leandro Paulsen, do TRF-4, com sede em Porto Alegre, nesta quarta (19), em uma véspera de feriado de Corpus Christi.

Como em muitas operações da Polícia Federal, a Chabu não deixa os detidos terem acesso à investigação, tampouco aos autos do pedido que instrui as prisões decretadas, daí o prefeito de Florianópolis dizer que o assunto envolvia muito mais uma questão interna de vazamento da própria PF e da Polícia Rodoviária Federal e menos em relação ao envolvimento de políticos.

 

Sem motivos, só consequências

Nem a sala-segura nem os equipamentos de contra-inteligência foram encontrados nem o projeto Meta 21, que teoricamente traria dinheiro internacional para Florianópolis, e que seria encampado por um dos delegados federais presos, foi concretizado, mas Gean enfrenta o julgamento antecipado, traço das operações da PF.

É, sem dúvida, o peixe-grande que atrai os holofotes para o fato, que agora se sente injustiçado e assegura: “Foi um dia triste para Florianópolis”.

 

Do advogado

Diogo Ptsica sustenta que o quase banimento da condução coercitiva pelo Supremo Tribunal Federal interferiu na decisão de decretar a prisão provisória do prefeito.

Mas aceitar isso como uma medida corriqueira, sem provas robustas, beira o perigoso caminho da superficialidade de uma investigação policial, algo questionável que atinge a qualquer cidadão, não só os poderosos, políticos, empresários ou policiais.

 

Respeito ao contraditório e ao processo legal

Quando o assunto de abuso da autoridade entra em pauta no Congresso, delegados, promotores ou procuradores e magistrados são os primeiros a questionar o quanto isso poderá interferir em suas decisões profissionais.

Não se avalia, nesta hora, o impacto na vida de quem tem a imagem e biografia arranhadas para sempre, sem que qualquer indenização financeira restitua o bom nome na sociedade.

 

Nomes

Das 10 pessoas que tiveram os nomes envolvidos nas investigações perguntados ao prefeito da Capital, Gean disse à PF que conhecia umas quatro ou cinco, entre eles o delegado federal Fernando de Moraes Caieron, a ex-secretária estadual de Assistência Social Romanna Remor e o ex-secretário estadual da Casa Civil, Luciano Veloso Lima, os dois do MDB.

Mais uma vez, a questão era qual a conduta imputada a cada um deles, já que, por determinação legal, Gean não teve acesso a eles, enquanto depôs, nem poderá fazê-lo agora. O prefeito entregou o passaporte e o celular pessoal, com a devida senha.

 

Outros não

Os nomes de políticos que tiveram mandato ou os detém atualmente foram perguntados Gean.

Muito menos o do ex-governador Eduardo Pinho Moreira, em cuja administração atuaram Luciano Lima e Romanna Remor.

 

Credibilidade

As operações da Polícia Federal, mesmo antes da Operação Lava Jato, sempre chamaram a atenção pelo combate à corrupção, ao narcotráfico e ao crime organizado.

Com equívocos como os verificados em ações, como a Ouvidos Moucos, que resultou na morte do reitor da UFSC, Cao Cancellier, ou a Chabu, a relevância das operações começa a ser questionada, algo entre o barulho que provocam e o resultado que trouxeram, isso tudo na véspera da conclusão do julgamento da Operação Moeda Verde, no TRF-4, nesta quarta (19).

 

Vice está no exercício

Sem titubear, Gean, que é advogado por formação, não aparecerá nesta quarta na prefeitura, enquanto não for derrubado afastamento do cargo.

Na coletiva, confirmou que era é o vice-prefeito João Batista Nunes (PSDB) que está à frente do município e acrescentou que seu objetivo, a partir de agora, é manter o mandato e o ritmo de atividades e obras, antes de pensar nos efeitos do ocorrido em 2020, pois acredita que sai fortalecido politicamente do episódio negativo que enfrentou.

     

Os nomes

Pela decisão do TRF-4, foram detidos provisioriamente (cinco dias), além de Gean, Fernando Amaro de Moraes Caieron, delegado da Polícia Federal; José Augusto Alves, empresário; Marcelo Rubens Paiva Winter, policial rodoviário federal, que chegou a atuar no Gaeco; Luciano da Cunha Teixeira, consultor; Luciano Veloso Lima, ex-secretário estadual da Casa Civil; Hélio Sant’Anna e Silva Júnior, delegado aposentado da Polícia Federal.

Não há a confirmação de quantos continuam detidos, mas a tendência é a de que alguns sejam liberados como ocorreu com o prefeito de Florianópolis, logo após prestarem seus depoimentos. Um deles foi confirmado, por volta das 21h, de terça (18), o ex-secretário Luciano Veloso Lima, foi liberado pela PF na mesma condiçao de Gean, depois de prestar depoimento.

 

Até do PT

Adversários históricos de Gean Loureiro, os petistas de Florianópolis proporcionaram um momento raro nas relações políticas, emitiram uma nota em que condenam a forma como a Operação Chabu, da PF, repete a espetacularização verificada em outros atos da Polícia Judiciária Federal. Leia na íntegra:

 NOTA DO PT DE FLORIANÓPOLIS SOBRE A PRISÃO DO PREFEITO GEAN LOUREIRO

O Partido dos Trabalhadores de Florianópolis mantém sistemática oposição ao governo de Gean Loureiro, uma vez que a política implementada pelo prefeito é diametralmente oposta à visão de mundo defendida por nosso Partido, tanto que nossa bancada atua como oposição ao paço municipal, com responsabilidade e de forma sempre propositiva, fato é que nosso projeto de cidade não cabe neste projeto implementado por Gean.

Contudo, mantemos a responsabilidade e coerência na defesa intransigente do estado democrático de direito, rechaçando práticas que ferem o princípio da presunção de inocência, do contraditório, da ampla defesa e do devido processo legal, para dizer o mínimo.

As prisões pirotécnicas como método tem sido a arma do estado policialesco que tanto combatemos nesses últimos tempos de nítido obscurantismo.

Que as investigações apurem adequadamente as respectivas responsabilidades cíveis, criminais e administrativas, mas sempre sob o holofote das regras do jogo democrático e das garantias e direitos individuais.

Vários são os exemplos de excessos cometidos pelas autoridades investigativas do Estado pelo País afora, sendo que em Santa Catarina, por exemplo, passamos pelo fatídico episódio que vitimou o Reitor Cancelier, cujo inquérito recém finalizado conclui sua total inocência.

Independente de apoiar ou não determinada figura pública e sua política, o foco deste tipo de ação policialesca espetacularizada precisa ser necessariamente pensada a partir do cabimento da prisão, seja ela flagrante, preventiva ou temporária, e o consequente risco que um Chefe do Executivo tem de fuga ou destruição de provas do eventual ilícito. Nesse caso, faz-se necessária uma rápida manifestação da Justiça Federal a respeito. A cidade, tanto quanto os indiciados e presos, merecem saber quais os motivos das suas prisões.

Florianópolis 18 de Junho de 2019

Executiva Municipal do Partido dos Trabalhadores de Florianópolis

 

JEFFERSON RUDY/AGÊNCIA SENADO

SENADO REJEITA DECRETO DE BOLSONARO

Foi mantido o prognóstico do que já havia ocorrido na comissão e o plenário do Senado aprovou na noite terça (18), por 47 votos a 28, o Projeto de Decreto Legislativo que susta o Decreto editado pelo presidente Jair Bolsonaro, que flexibiliza regras para a posse e o porte de armas. Uma derrota pesada, pois o tema era promessa de campanha de Bolsonaro e previa a concessão de porte a 20 categorias profissionais e aumenta de 50 para 5 mil o número de munições que o proprietário de arma de fogo pode comprar anualmente. O texto aprovado é de autoria do senador Randolfe Rodrigues (Rede-AP) e recebeu relatório favorável do senador Veneziano Vital do Rêgo (PSB-PB) e ainda terá que ser analisado pela Câmara dos Deputados. Na foto, durante a sessão, aparecem os senadores Alessandro Vieira (PPS-SE), Alvaro Dias (Podemos-PR), Esperidião Amin (PP-SC) e Fernando Bezerra Coelho (MDB-PE).

 

Dois a um

A derrota de Bolsonaro não mudou o placar entre os três senadores catarinenses.

Jorginho Mello (PL) e Dário Berger (MDB) são favoráveis ao decreto de Bolsonaro, Esperidião Amin (PP), não.

 

REPRODUÇÃO/FACEBOOK

ALERTA NO CONTINENTE
Moradores da Ponta do Leal, na região continental, estão fazendo um alerta à Defesa Civil de Florianópolis para evitar o que ocorreu no Morro das Pedras, no Sul da Ilha. A preocupação é com a falta de proteção, a colocação de grandes pedras, para proteger o muro do Residencial Ponta do Leal, que abriga as famílias de pescadores que moravam em casa palafitas, demolidas para reurbanizar a região. São mais de 80 apartamentos e a ideia é que outros moradores da cidade mobilizem o 199, da Defesa Civil, para que o assunto seja resolvido antes da próxima ressaca.

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roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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