Maio 01, 2020

Governador deveria falar, mas cancela entrevistas

Governador deveria falar, mas cancela entrevistas

 

O pedido de exoneração do Secretário da Saúde, o bombeiro e médico Helton Zeferino, era indispensável desde que The Intercept revelou a compra fake de respiradores por 33 milhões adiantados. Mas está longe de resolver a dúvida que se instalou na sociedade catarinense desde a reportagem: qual o bastidor da maracutaia. Quem está envolvido?

Já sabe que foi usada uma empresa de fachada de Macaé, Rio de Janeiro; que copiou o projeto de uma empresa de Joinville sobre respiradores; e que esta recebeu uma oferta de três milhões para participar da negociata, segundo o jornal Notícias do Dia; que uma funcionária da Saúde autorizou a compra com pagamento antecipado e já foi exonerada; que os supostos respiradores não chegaram nos dois prazos prometidos; que há investigações em curso na área policial, jurídica e legislativa.

Mas tem uma falha nesse processo que choca o Estado: a comunicação. O governador Carlos Moisés, que em todas as entrevistas sobre a pandemia até ontem, tinha o Secretário da Saúde colado ao seu lado, precisa se antecipar a todas as investigações e falar sobre o incidente. Dizer o que sabe, mesmo preliminarmente.

Só que as entrevistas diárias das seis horas da tarde foram canceladas até a próxima segunda-feira, conforme nota divulgada na manhã desta sexta, 1º.  Serão três dias de silêncio.

Além de não ter o nome do novo secretário, deve ter pesado na decisão o fato de Moisés estar evitando falando do problema dos respiradores.

Só que não é hora de seguir a burocracia, esperar relatórios. O vírus da desconfiança anda tão rápido como o Covid-19. E pode comprometer definitivamente a imagem do governo que até agora foi eficiente ao segurar a curva da pandemia. Mas derrapa na segunda vez nos processos internos – no caso do hospital de campanha em Itajaí e agora nos respiradores.

Neste caso, a imagem para o pulico é mais negativa ainda, pois os pacientes tem graves problemas respiratórios – o último estágio da doença. Daí, uma possível negociata com respiradores é inaceitável.

Então, não tem outra saída: fala logo, governador!

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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