Maio 09, 2020

Governador Moisés e o fogo nos bastidores

Governador Moisés e o fogo nos bastidores

Carlos Moisés deveria usar a experiência que adquiriu como bombeiro para estancar o incêndio que consome por dentro o seu governo. Só que alimentou ainda mais as chamas ao falar para empresários nacionais, virando motivo de notas de repúdio  da Associação Catarinense de Emissoras de Rádio e Televisão e ABERT. 

Disse o governador à plateia, online que o empresário deveria pressionar os órgãos de comunicação em busca de uma “imprensa decente.”  

Na entrevista coletiva que deu na tarde de ontem, 8,  se queixou da cobertura que vem sendo dada à compra sem garantias de respiradores que não foram entregues. E que segundo denunciou seu ex-secretário de saúde, Helton Zeferino, foi induzida pelo atual secretário da casa civil, Douglas Borba, inclusive com a escolha do suposto fornecedor, Veigamed. 

 

Base 

 

Na mesma entrevista, Moisés voltou a se referir ao erro da mídia na cobertura que envolveu a Escola de Base, de São Paulo, cujos donos foram envolvidos indevidamente em pedofilia. A escola fechou, a mídia reconheceu amplamente que falhou e o caso entrou para os anais da história dos erros jornalísticos.  Veículos foram condenados pela Justiça e indenizaram os denunciados.  

Aquele erro de 1994, ou seja, 26 anos atrás, não pode ser pinçado para passar a mão por cima do episódio que envolve a compra de respiradores.  Uma coisa não tem a ver com a outra. A imprensa de hoje procura reproduzir o que está a olhos vistos, examinado em vários inquéritos e denunciado por integrantes do próprio governo - o secretário que pediu demissão e a funcionária da saúde que foi exonerada do cargo. 

 Ainda ontem, um terceiro secretario, Jorge Tasca, da Administração, procurou Moisés para demonstrar insatisfação com os bastidores da gestão. Onde há fumaça, há fogo.    

 

Comunicação 

 

O governador demonstra insensibilidade na forma de comunicar-se. Parece que não ouve bons conselhos, apenas quem lhe traz uma justificativa surrada para culpar a imprensa. Sua falta de ação em conter os danos, justificando a compra que não deu certo, aumenta a sensação foi um erro com múltiplas facetas.  E não está sendo tratada com transparência, palavra que significa atitude e não apenas um item de power point.

 Terá Moisés condições de reverter o jogo? Talvez, se agir plenamente como governador do Estado.  

   

Tags:
multimidia claiton selistre bastidores comunicação TV rádio jornal
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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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