Julho 31, 2019

Hackers do mal e hackers do bem

Hackers do mal e hackers do bem
Reprodução

Se quebrar a privacidade de um telefone é hackear, então quando a polícia federal quebra a privacidade do telefone de um bandido, de um criminoso, de um corrupto, ela está hackeando também. O problema é bastante mais complicado do que isso. Do que a ideia simplória de que se trata apenas da quebra do dogma da privacidade.

O que está acontecendo é uma revolução comunicacional-informacional que coloca todo mundo à mercê dos hackeamentos, para o mal ou para o bem. E, como sempre, o mal parte na frente, com maior agilidade. O que temos que fazer é tornar fortíssimo o hackeamento para o bem, para liquidarmos o máximo possível com o hackeamento para o mal.  É um problema de uso, ou relaxamento de uso, de uma poderosa tecnologia, que não tem volta atrás. E quem tem que usar a tecnologia intensivamente, promovendo o hackeamento para o bem, é o governo, em nome da sociedade. Montando um quarto poder, o Informativo, que hackeie todas e quaisquer circunstâncias suspeitas, como estava fazendo o COAF, para encurralar todos os bandidos, todos os criminosos, todos os corruptos.  Se esse hackeamento para o bem, por parte do governo, atingir acidentalmente, por desinformação, pessoas inocentes, isso tem importância menor, graças àquilo que disseram o Presidente Bolsonaro, o Presidente do Senado e o Presidente d STJ: Que eles não se preocupam com o hackeamento de seus telefones porque eles não têm nada a esconder. É este o grande princípio para se justificar os hackeamentos para o bem.

É em cima desse princípio – o de que quem não tem nada a esconder não tem nada a temer – que devemos organizar uma democracia informacional, dentro da qual vida pública não é vida privada. Dentro da qual todos aqueles que se envolverem com política ou com governo estarão sob privacidade zero. Onde toda e qualquer suspeita de crime, bandidagem ou corrupção – também dentro da própria população – estará sujeita a hackeamento para o bem, por parte do poder informativo da república, o quarto poder instaurado dentro da democracia. A guerra é entre o bem e o mal dentro da revolução comunicacional-informacional que está aí. E o governo, em nome de toda a sociedade, tem que hackear, se necessário, todos os cidadãos sob suspeita de bandidagem, crime ou corrupção. Debaixo da segurança oferecida por esse grande princípio declarado pelo Presidente Bolsonaro, pelo Presidente do Senado e pelo presidente do STJ. O de que quem não tem nada a esconder não tem nada a temer dentro da quebra de sua privacidade. Esse é o rumo imposto pela natureza da evolução da tecnologia da comunicação e da informação. O da guerra implacável entre os hackeamentos para o bem ou para o mal, que não tem volta atrás. E se os defensores do bem não acordarem, o mal vencerá essa guerra. Da qual a humanidade não escapará.

*Ricardo Luiz Hoffmann é Formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.           

Tags:
artigos opinião especialistas
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Redação Making Of

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!