Abril 12, 2019

Hahahahaha...

Hahahahaha...
Michael Douglas e Alan Arkin em O Método Kominsky

Ok, queridos cineseriéfilos, a coluna vai dar uma folga nos assuntos sérios esta semana. Nos tempos bicudos que estamos atravessando com tragédias diárias, desastres naturais, desmandos políticos, manifestações de ódio e falta de compaixão, está difícil achar graça de alguma coisa. Entretanto não devemos sentir culpa de rir, porque o velho ditado continua valendo: rir é o melhor remédio. Então por que não buscar estímulo para o riso, sem culpa, muito antes pelo contrário, pela obrigação que temos de manter a cabeça à tona ajudando quem nos cerca e a nós mesmos? Desânimo e tristeza não resolvem nada. Já sei, estou num tom meio de autoajuda hoje, mas às vezes é preciso "descer do salto" e buscar uma trégua, um bálsamo ou, como escreveu Guimarães Rosa (referindo-se ao amor) "...um pouquinho de saúde, um descanso na loucura".

Confesso que minha primeira escolha de séries nunca são as comédias. Sempre duvido que possam ser realmente engraçadas ( no cinema, o gênero tornou-se um dos piores). Mas garimpando aqui e ali, há bons seriados cômicos no sistema de streaming.Dou preferência às de humor ácido, crítico, não exatamente às escrachadas.

Minha inspiração para esta edição veio justamente da chegada do primeiro episódio da 7ª temporada da minha favorita no gênero: Veep. Já falei sobre ela aqui algumas vezes. Infelizmente, essa será a temporada derradeira. Ela chegou com certo atraso pelo tratamento de câncer de mama da protagonista, a ma-ra-vi-lho-sa Julia Louis-Dreyfus.  Depois do drama na vida real, seu personagem Selina Meyer, candidata à presidência dos EUA, veio ainda mais impaciente e debochada na season finale.

Vamos à seleção, sempre lembrando que vocês podem ( e devem) acrescentar, reclamar, elogiar e etc...no rodapé da coluna ou pelo cineseries@portalmakingof.com.br

Na próxima terça-feira, voltamos neste mesmo bat-canal com um novo tema. Boa leitura.

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Disponíveis na Netflix :

O método Kominsky – 1 temporada

Já falei sobre essa minissérie, que comecei a ver sem entusiasmo e acabei gostando muito. Esperava clichês que não vieram, graças aos deuses. Aqui, os problemas da terceira idade são masculinos. Os homens de mais idade certamente se identificarão. Há uma certa amargura, claro, mas também situações muito engraçadas. O nome de peso do elenco é Michael Douglas, ator que não está entre meus favoritos, mas que cumpre muito bem seu papel nessa produção. Ele é Sandy Kominsky, um ator que já foi famoso e agora vive de dar aulas de interpretação. Seu agente e melhor amigo é Norman Newlander, interpretado pelo ótimo Alan Arkin, que perde a esposa e cai em depressão. Cabe a Kominsky tirar o amigo do "buraco".

A produção da Netflix faturou o Globo de Ouro de Melhor Série em comédia e Melhor ator para Michael Douglas. Isso parece ter garantido uma segunda temporada não prevista inicialmente.

 

Grace e Frankie – 5 temporadas

Difícil imaginar que uma série com Jane Fonda (Grace) e Lilly Tomlin (Frankie), circundadas por Sam Waterson e Martin Sheen, pudesse dar errado. Deu certo a ponto da Netflix já ter anunciado a sétima temporada. A história começa quando os dois amigos revelam para suas esposas que são apaixonados um pelo outro e vão ficar juntos. Depois do grande susto, as duas mulheres que nunca se gostaram, agora na terceira idade precisam encontrar juntas a saída para uma nova vida. (Veja o trailer)

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Disponíveis na HBO :

Veep – 7 temporadas

Política é um tema que se presta à comédia, principalmente nos últimos tempos. Veep prova isso com um texto mordaz, irônico e engraçado. Na primeira temporada, Julia Louis-Dreyfuss ( de Seinfeld) interpreta a vice-presidente dos EUA , Selina Meyer, que se ressente de ser ignorada e tratada como uma figura meramente decorativa. Selina, claro, tem pretensões de chegar à presidência. Seu staff  - assessor de imprensa, chefe de gabinete etc... - é atrapalhado, ambicioso, capaz de tudo para manter o emprego e acaba metendo Selina em "frias" constantes. Ela é capaz de dizer as coisas mais politicamente incorretas do mundo, como ao suspeitar que estava grávida de um "ficante" : Se homens engravidassem, você conseguiria fazer um aborto num caixa eletrônico.O assistente direto, pau pra toda obra, do tipo que carrega a bolsa da chefe e providencia desde remédios a batom, é especialmente hilário. O ator Tony Hale já levou, merecidamente, um Emmy e várias indicações. Sempre torço por ele nas premiações pelo tanto que me faz rir. Aliás, o elenco todo é bom.  Agora, na derradeira temporada das aventuras da Veep, a candidata volta politicamente mais incorreta ainda, espalhando palavrões e dizendo o que lhe passa na cabeça sobre o povo/eleitor. Muito realista...

 

Silicon Valley – 5 temporadas

Essa comédia mostra de forma divertidamente irônica o mundo da tecnologia e dos jovens que se tornam milionários da noite para o dia depois de desenvolver algum software inovador. Na animação de abertura, mostrando o Vale do Silício, estão as gigantes do ramo: Google, Facebook, Microsoft, Yahoo etc... A trama: um grupo de seis programadores, bem nerds e totalmente atrapalhados, montam a incubadora Pied Piper, tendo como ponto de partida o aplicativo criado pelo inteligente e tímido, Richard Hendricks. Eles querem ganhar espaço e enriquecer, mas sempre que estão prestes a conseguir, tomam alguma decisão equivocada. É ainda muito engraçado ver o ego inflado dos grandes investidores e a concorrência selvagem entre eles. O elenco é perfeito, mas as primeiras temporadas são bem melhores que as mais recentes.

 

Barry – 1 temporada

Barry é um matador de aluguel com depressão que deseja abandonar a atividade, mas é convencido a fazer um último trabalho: assassinar um aspirante a ator. Ele segue seu alvo até uma aula de atuação, é bem recebido pelo grupo e acaba lendo um texto. Apaixona-se pela arte de atuar e decide mudar de profissão. Mas não é tão fácil assim deixar o mundo do crime. O protagonista é interpretado por Bill Hader, conhecido por participar do engraçadíssimo Saturday Night Live. A segunda temporada está chegando na HBO.

 

Greg News – 3 temporadas

A prata da casa é Gregório Duvivier que apresenta um talk show baseado nas notícias políticas, culturais e sociais. Usando crítica feroz e muito humor, Gregório comenta o que se passou durante a semana no Brasil e no mundo. Uma coisa rara no jornalismo "série" é a contextualização, coisa que o programa faz com maestria. Esta terceira temporada promete muito, pois matéria-prima é que não falta! Serão 30 episódios.

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Disponíveis na Fox/Premium :

Run coyote run – 2 temporadas

Já falei na coluna sobre essa série que usa o humor para falar de um assunto super sério: a imigração ilegal dos mexicanos para os Estados Unidos. Não sou muito fã das séries mexicanas, mas essa encontrou o tom certo ao juntar um jovem local, Gamaliel, e seu melhor amigo de infância, o norte-americano, Morris. Morando em lados diferentes da fronteira entre os dois países, eles montam um agência de turismo que, na verdade, funciona para atravessar ilegalmente pessoas para o lado americano. Para ajudar nesse trabalho de coyote, eles contam com Kewewe, um imigrante da Zambia; Guevin, um mudo que só eles entendem e um ex-soldado. O prefeito corrupto e mulherengo, com seu bigodinho de Hitler, é outro personagem hilário. As situações são muito divertidas, mas a série também aponta o drama dos imigrantes ilegais para atravessar o que eles chamam de "bad muro".

 

Mozart in the jungle – 4 temporadas

A série se baseia no livro de Blair Tindall que narra sua experiência como musicista na orquestra sinfônica de Nova York. A trama: Hailey é uma tocadora de oboé que busca uma oportunidade de mostrar seu talento. Rodrigo (interpretado pelo ator mexicano de maior sucesso na atualidade, Gael Garcia Bernal) é um jovem maestro que está no auge de sua popularidade e sucesso e por isso é escolhido para comandar e modernizar a orquestra de Manhattan. Quem não gosta nada da novidade é o antigo maestro, vivido por Malcolm McDowell. A série mostra quem nem mesmo uma grande orquestra está de livre de viver buscando recursos para sua manutenção. O grupo de musicistas, cada qual com seus dramas e dificuldades, se vira como pode.

De humor sofisticado, Mozart in the jungle deu a Gael Garcia Bernal um Globo de Ouro como Melhor Ator em Comédia ou Musical. Apesar do sucesso de crítica, a quarta temporada é também a derradeira.

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Disponível na Amazon Prime :

A maravilhosa Sra. Masel (The Marvelous Mrs. Masel ) – 2 temporadas



A série mais premiada na última edição do Emmy , incluindo Melhor Atriz Principal, Atriz Coadjuvante, Roteiro, Direção e, o principal, Melhor Série de Comédia. Isso já uma ideia da qualidade dessa produção original da Amazon/Prime. A trama: Midge Maisel (Rachel Brosnahan) é uma dona de casa nova-iorquina que sofre uma reviravolta na sua vida bem organizada, quando seu marido, o incompetente e sem talento Joel (Michael Zegen), a troca pela secretária. Até ali, era Midge quem escrevia as melhores piadas do marido, metido a humorista, e quem conseguia agendar apresentações para ele, subornando os dores de bares com um prato de sua ótima carne assada. Tendo que ir à luta pela sobrevivência, ela acaba fazendo stand-ups em bares, enfrentando todo tipo de preconceito por ser mulher divorciada, afinal estamos falando dos anos 50. As piadas das apresentações no palco tornam a série ainda mais divertida.

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A CARA DO CINEMA

Como o tema de hoje é rir, a cara não é a de nenhum bonitão ou diva glamurosa, mas a do britânico Marty Feldman, responsável ( junto com o resto do elenco maravilhoso) pelas maiores gargalhadas que dei no cinema. O filme era "O Jovem Frankenstein"(1974), de Mel Brooks, em que Feldman interpreta o impagável criado Igor, com uma corcunda que mudava de lado a cada cena e seus olhos esbugalhados.

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(*Fotos:Divulgação/reprodução)

THE END

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cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

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