Fevereiro 01, 2020

Haja tela para tantas rainhas!

Haja tela para tantas rainhas!
Claire Foy, Imelda Stauton e Olivia Colman

Começa assim: alguém faz um filme de sucesso sobre tal assunto e a partir daí surgem vários outros com o mesmo mote. Aconteceu com a troca de identidade: velho que virava jovem, homem em corpo de mulher (Quer ser grande, Eu queria ter a sua vida, Se eu fosse você etc...) ou com amor além da morte (Ghost, Amor além da vida, Um romance de outro mundo) por exemplo. Agora estamos na fase de suas majestades: reis e rainhas estão na moda no cinema e nas séries de TV. Não é exatamente uma novidade. Por gerar personagens dramaturgicamente muito ricos o tema é recorrente e agora voltou com tudo.

Desta vez o estopim foi The Crown, a série de 2016 sobre o reinado de Elizabeth II. O sucesso já a levou à 4ª temporada. O Oscar também é chegadinho numa alteza, tanto que no ano passado A Favorita (no caso, a favorita da rainha Ana) foi recordista em número de indicações. O que se destaca nestas histórias é o quanto as mulheres sofriam para reinar, pois o poder era considerado privilégio masculino. Seja como for, é inegável que o mundo da nobreza exerce um fascínio sobre roteiristas e sobre nós, o público.

Então, selecionei alguns títulos sobre elas, as rainhas! Fique à vontade para acrescentar os seus. Boa leitura, bons filmes. Até a próxima.

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FORA DE SÉRIE

THE CROWN – 3 temporadas – Netflix

Confesso que custei a embarcar na história da realeza britânica pela pretensão de já saber tudo sobre o assunto, mas a série é ótima. A produção, reconstituição de época, cenários e figurinos são espetaculares. A gente se sente dentro do Palácio de Buckingham, com seus espaços imensos e moradores solitários. A parte histórica é muito interessante, como a do primeiro ministro, Winston Churchill, interpretado por John Litgow. Os bons atores são fundamentais para contar a trama dos Windsor. Aos poucos fui descobrindo coisas que não sabia como a presença de um espião dentro do palácio durante muitos anos, até ser descoberto mas continuar lá para não escancarar a incompetência da segurança britânica.

Gosto de pesquisar para saber o que é verdade e o que é ficcional, isso torna tudo ainda mais envolvente. De resto, Elizabeth é mostrada como uma mulher rígida que coloca seu reinado acima de tudo, inclusive da felicidade da irmã - impedida de casar com o homem que amava por ele ser divorciado- e do filho, Charles, mandado para um colégio terrível longe da Inglaterra. Aliás, o herdeiro do trono é um personagem que vive passagens de cortar o coração da público. Estou com pena do futuro rei, se é que ele algum dia vai realmente substituir a mãe. Há uma corrente que prefere o neto de Elizabeth, o príncipe William, como seu sucessor.

Seja como for, a família rende: incrível como cada episódio conta uma história substancial, nunca é só para "encher linguiça". Não é à toa que a série foi premiadíssima. No recente Globo de Ouro, Olivia Colman levou o troféu de Melhor Atriz, como a rainha Elizabeth mais velha (na foto, com Claire Foy, a rainha quando jovem,e Imelda Stauton, que pode ser a monarca na próxima fase de The Crown).

E pelo noticiário atual, ainda tem muita matéria prima pela frente com a renúncia do príncipe Harry e da mulher, a atriz Megan Markle, aos títulos e benesses da nobreza. Aguardemos para ver como vão tratar o assunto!

(The Crown está disponível na Netflix).

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CATARINA , A GRANDE – minissérie – 4 episódios - HBO

A britânica Helen Mirren  é especialista em viver rainhas. Em 2006, ela recebeu um Oscar ao viver Elizabeth II em A Rainha, e um Emmy por encarnar Elizabeth I na minissérie que levava o nome da monarca. Agora, ela está de volta aos papéis aristocráticos em Catherine, the Great, representando a rainha que governou a Rússia por 34 anos e modernizou o país, tornando-o uma potência mundial. A superprodução da HBO não fez tanto sucesso, mas Helen realiza uma ótima dobradinha com australiano Jason Clarke no papel do tenente Grigory Potemkino grande amor de Catarina, famosa por seu apetite sexual.

 

 

 

SHE WOLVES: England´s Early Queens – Documentário – Netflix

Esta série documental conta a história das sete grandes rainhas inglesas, muitas vezes desvalorizadas pelos historiadores. O primeiro episódio é sobre a rainha Eleanor, na Idade Média, e o último mostra Elizabeth I, a Rainha Virgem.

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MAJESTADES NA TELA GRANDE

 

A RAINHA – Stephen Frears – 2007

Olha a Helen Mirren aí, gente! Seu papel como a rainha Elizabeth II deu a ela o Globo de Ouro e o Oscar de Melhor Atriz. Nunca é fácil compor um personagem vivo, que todo mundo tem a imagem na cabeça, mas a britânica desempenhou bem ao não querer imitar, mas interpretar. A época retratada é do pós-morte da princesa Diana, como a ex-sogra e o primeiro ministro Tony Blair lidaram com a situação, como protegeram os dois filhos da princesa da devassa na vida pessoal etc...

 

 

O AMANTE DA RAINHA – Nicolaj Arcel - 2013

A história se passa no século XVIII, quando Caroline Mathilde , uma jovem britânica se torna rainha da Dinamarca após se casar com o insano rei Christian. Em viagem pela Europa, a saúde mental do monarca piora e  o médico alemão Johann Struensee é escolhido para tratá-lo.  Ele conquista a confiança do rei, tornando-se seu confidente e principal conselheiro. Promovido a médico da corte, Struensee também se aproxima cada vez mais de Caroline e os dois se apaixonam. Aproveitando-se da fragilidade de Christian, os dois assumem o poder do país e iniciam uma surpreendente reforma de inspiração iluminista. A rainha é interpretada por Alicia Vikander, atriz sueca que virou queridinha de Hollywood. O médico é Madds Mikelssen, dinamarquês do ótimo filme A Caça e da série Hannibal.

 

 

A FAVORITA – Yorgos Lanthimos – 2019

Outra história baseada em fatos de podervingança ambição na corte inglesa do século XVIII, desta vez no reinado da rainha Anne, mas traz uma pegada diferente ao focar no triângulo amoroso composto por três personagens femininas: a Duquesa de Marlborough (Rachel Weisz), a Rainha Ana (Olivia Colman) e Abigail (Emma Stone). O filme disputou o Oscar em 10 categorias, inclusive com as três atrizes disputando a estatueta. Olivia Colman acabou tirando o prêmio de Glenn Close (A Esposa), considerada... a favorita.

 

DUAS RAINHAS – Josie Rourke – 2019

Mary Stuart , ainda criança, foi prometida ao filho mais velho do rei Henrique II, Francis, e então foi levada para França. Mas logo Francis morre e Mary volta para a Escócia, na tentativa de derrubar sua prima Elizabeth I , a Rainha da Inglaterra. É uma abordagem mais política, onde de novo as mulheres disputam entre si, mas têm que enfrentar também as articulações e traições masculinas. Duas atrizes bem da moda vivem Mary (Saoirse Ronan) e Elizabeth (Margot Robbie).

 

VICTORIA E ABDUL – O CONFIDENTE DA RAINHA – Stephen Frears – 2017

Uma história biográfica: Abdul Karim nasceu na Índia Britânica, em 1863. Aos 24 anos, foi enviado para Inglaterra para servir nos festejos do 50.º aniversário da subida da rainha Victoria ao trono. Entre Karim e a rainha nasce um entendimento inesperado que, com o passar do tempo, se transforma numa grande amizade. Por causa disso, a soberana conferiu-lhe o título de "Munshi", uma palavra urdu que significa "professor".  Quando o nomeou seu secretário oficial sugiram tensões dentro do círculo restrito da rainha que o acusou de ser um espião da Liga Patriótica Muçulmana.  O relacionamento dos dois fez com que Vitória — conhecida pelo seu isolamento desde o falecimento do príncipe Alberto, seu marido e conselheiro —, mudasse a sua forma de estar no mundo. Na vida real, a história foi um pouco diferente, mas o filme tem resultado bem simpático. Além disso, tem a grande Judi Dench no papel da rainha.

Obs.: Judi Dench já tinha vivido a rainha Victória em Mrs. Brown (1998). E a mesma rainha foi personagem também em Victoria, a grande ( 1937), A Jovem Rainha Victoria (2009)...

 

Todos os filmes estão disponíveis no on demand do Now/Net ou na Netflix. Dá pra fazer o Mutirão Rainhas.

Outros: Adeus, minha rainha ( 2013/FRA); Maria Antonieta ( Sophia Coppola/2006 ), A jovem Rainha (2015/Fin/FRA), A rainha Margot (1994/FRA), Mary, rainha da Escócia (2013)

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 AGENDA – Esperando o Oscar chegar...

 Enquanto não chega 09 de fevereiro, data da cerimônia da entrega do Oscar, outras premiações acontecem todas as semanas. Os próximos são o BAFTA (o + importante depois do Oscar) no dia 02/02; e o Independent Spirit Awards, dia 08/02. Claro, tem também o Framboesa de Ouro, que premia os piores, a ser divulgado também em 08/02.


Quem ganha a estatueta no dia 09 ?

Sou muito ruim de prognósticos, porque me deixo levar pelo coração contra todas as evidências. Quem acompanha a coluna sabe o quanto gostei de Dor e Glória, de Pedro Almodóvar, e do trabalho de Antonio Banderas no filme...mas vou tentar ser racional! 

Se alguém for entrar no bolão de apostas do Oscar: a maior barbada é o prêmio de Melhor Ator para Joaquin Phoenix, por Coringa. Outra categoria fácil é Melhor Filme em língua estrangeira: o coreano Parasita.

Menos óbvio é o Melhor Filme, mas a trama de guerra de Sam Mendes, 1917, é o provável vencedor. Melhor Diretor é outra que vem dividindo prêmios: pode dar Sam Mendes, Quentin Tarantino ou mesmo o coreano Bong Joon Ho. Já Melhor Atriz, Scarlett Johansson começou como favorita, mas foi perdendo prêmio por prêmio para Reneé Zellweger por seu papel como a lendária e trágica Judy Garland. Particularmente, não gosto de Renée, mas ainda não vi Judy: Muito além do Arco-Iris.

Na categoria Melhor Atriz Coadjuvante, a carismática Laura Dern tem ganho todos por História de um Casamento, mas pode dar Scarlett Johansson, que concorre por Jojo Habbit (é comum o ator que concorre em duas categorias não ganhar ao menos um). A categoria Melhor Ator Coadjuvante é de peso: Tom Hanks, Anthony Hopkins, Al Pacino, Joe Pesci e Brad Pitt. Adorei Hopkins no papel de Bento XVI, em Dois Papas, mas deve dar Brad Pitt por Era uma vez em Hollywood, de Quentin Tarantino.

O Brasil está representado na categoria Melhor Documentário com Democracia em Vertigem, de Petra Costa. Não tem muita chance, mas – polêmicas políticas à parte – vale torcer por ela. A diretora deixa bem claro que é uma visão muito pessoal dos acontecimentos que cercaram o impeachment da presidente Dilma Roussef, portanto é injusto cobrar fidelidade histórica.

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Até a próxima edição!

 

 

THE END

 

 

Fotos: Reprodução/Divulgação

 

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

Jornalista, cinéfila desde criancinha e maníaca por séries de TV desde "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, pois não consegue deixar o coração de lado na hora de avaliar um filme. Adora falar e escrever sobre o assunto e tenta chamar a atenção para as grandes obras cinematográficas que as novas gerações desconhecem. Concorda com o mestre Federico Fellini quando ele disse que "o cinema é um modo divino de contar a vida".

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