Dezembro 24, 2019

Imagens de sofrimento deixam de ser foco em campanhas de doação no Brasil

Imagens de sofrimento deixam de ser foco em campanhas de doação no Brasil

Ao invés de fotos de crianças desnutridas ou pessoas em situações degradantes, muitas campanhas de arrecadação de recursos estão privilegiando imagens de esperança e otimismo. É o caso do aplicativo brasileiro Ribon, uma plataforma  que proporciona uma experiência de doação totalmente gratuita aos seus usuários.

"Resolvemos tirar o foco do sofrimento que essas pessoas passam para dar mais ênfase ao impacto positivo que uma doação eficiente causa", explica Rafael Rodeiro, CEO da startup Ribon. 

O que a startup de doações evita é o chamado “poverty porn” (algo como “pornografia da pobreza” em tradução livre). Amplamente utilizado para fins de caridade, o recurso usa imagens apelativas e impactantes para sensibilizar pessoas a abrirem suas carteiras e realizar uma doação.

De acordo com a psicoterapeuta Pollyanna Esteves, é usado o gatilho da culpa nesse tipo de campanha. “As pessoas doam para se sentirem menos culpadas pela situação do outro e menos culpadas pela própria situação de estar bem, o que logicamente não faz sentido”, afirma a profissional de saúde. 

A tendência que a Ribon segue é em escala mundial. No Twitter, habitantes da África se mobilizam em postar a hashtag  #TheAfricaTheMediaNeverShowsYou (“A África que a mídia nunca mostra para você” em tradução literal). Nela, são expostas apenas imagens positivas, coloridas e de felicidade a respeito do continente africano. Lá existem projetos que são beneficiados pela Ribon. "Um dos nossos objetivos ao adotarmos essa postura é quebrar estereótipos equivocados sobre a realidade dessas comunidades africanas", explica Rodeiro.

A prática do “poverty porn” foi tão exposta às pessoas com o propósito de causar choque que elas se acostumaram com essa linguagem e passaram a ver o sofrimento como algo banal. De acordo com Pollyanna, as consequências para a saúde mental podem ser sérias. "Criamos o costume de olhar só o lado ruim da vida e isso é péssimo, porque a mente usará esse filtro e buscará o tempo todo só o negativo. A longo prazo, isso pode causar, inclusive, depressão". 

A mudança apontada por Rodeiro é lenta, mas já mostra resultados promissores. Há um consenso geral de que apelando para culpa, as pessoas vão querer doar mais, o que pesava contra a Ribon quando optou por seguir um caminho diferente do usual no setor. Atualmente a plataforma já conseguiu realizar mais de cinco milhões de doações para ONGs que trabalham na distribuição de água potável, medicamentos, saúde básica e fortificação alimentar. Isso é uma evidência de que a abordagem otimista gera resultados. 

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Redação Making Of

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