Janeiro 25, 2020
SÃO JOSÉ EM AÇÃO

Impeachment de Moisés está longe de ser um fato

Impeachment de Moisés está longe de ser um fato
RODOLFO ESPÍNOLA/AGÊNCIA AL

A maioria dos deputados estaduais não antevê qualquer possibilidade do governador Carlos Moisés, a vice Daniela Reinehr e o secretário Jorge Eduardo Tasca sofrerem o impeachment em função da denúncia apresentada pelo defensor público Ralf Zimmer Júnior.

Mesmo que se trate de um julgamento político, os parlamentares seguem um pensamento expresso pelo presidente da Assembleia, o deputado Julio Garcia, que confirma que receberá a defesa de Moisés e dos demais denunciados na próxima segunda (27),  às 17h30min, em audiência solicitada pelo secretário da Casa Civil Douglas Borba, que chegou a informar que o ato, protocolar, seria na sexta (24).

Julio tem definido o pedido de impeachment como “um exagero”, uma situação de extrema crise, definida na Constituição de 1988, que não deve cair na banalidade.

“Imagine se cada ato do governador originar um pedido desses”, acentua o presidente do parlamento estadual, ao completar que “se houve o erro, é só corrigir ou acionar o Tribunal de Contas ou o Ministério Público para que procedam a devida fiscalização e eventual penalidade”.

 

Era para “fazer onda”

Julio define como uma tentativa de “fazer onda” o pedido de Ralf Zimmer Júnior, que vê crime de responsabilidade do governador, por, no mesmo ano, ter vetado a emenda na Reforma Administrativa, que concedia a equiparação entre os procuradores do Estado com os da Assembleia.

Zimmer ficou sozinho, sem o apoio de entidades como a OAB ou mesmo no âmbito da Associação dos Defensores Públicos e da própria Defensoria Pública do Estado, o que levantou ilações sobre o interesse político partidário e até eleitoral de sua proposta, que causa desgaste ao governador e tenta desviar a pauta do parlamento.

 

Zona de guerra

Em um ambiente de ano eleitoral, análise da Minirreforma da Previdência no Serviço Público (ainda em fevereiro, para adequar a lei catarinense à federal, que gera repercussão negativa na Polícia Civil, IGP e Agentes do Sistema Prisional) e vários pedidos reivindicatórios de salário de servidores (principalmente PM e Bombeiro Militar), o pedido foi mais para aumentar a pressão sobre Moisés, que argumenta ter feito a equiparação para atender decisões do Tribunal de Justiça.

É verdade que o governador, no primeiro ano de gestão, apertou o cinto e dedicou-se à transparência da gestão com sucesso, porém igualmente bateu de frente com privilégios disfarçados em benefícios e também exigiu que os deputados estaduais atuassem com força para corrigir equívocos notórios em algumas áreas.

 

Na ponta do lápis

O governador Carlos Moisés da Silva precisa de 14 votos para escapar do impeachment caso a denúncia por crime de responsabilidade chegue ao plenário, ou seja, são necessários 27 votos para cassar o mandato.

Mas como bem disse o deputado Rodrigo Minotto (PDT), ao vivo no estúdio da Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, no programa Em Dia com a Cidade, apresentado pelos jornalistas Débora Corrêa e Rafael Matos, na sexta (24), a maioria dos deputados não acredita que a denúncia feita por Ralf Zimmer Júnior passe da análise da Comissão Especial, composta por nove deputados, que dará ou não prosseguimento ao processo.

 

Aliás

O deputado Minotto é pré-candidato à prefeitura de Criciúma, o que aumenta para sete o número de postulante ao cargo.

Embora a leitura seja a de que Minotto perdeu musculatura nos últimos dias, ele espera pelo apoio declarado do governador Carlos Moisés para seguir no projeto.

 

Direto do Oeste

O potencial exagerado do pedido de impeachment ganhou uma versão em cima de um adágio no Oeste: “Queriam matar o carrapato e deram um tiro na vaca”.

 

Mais do que uma força

De uns dias para cá, houve uma impulsionada do nome da vice-governadora Daniela Reinehr (Aliança Pelo Brasil), ora por ela estar cada vez mais próxima do presidente Jair Bolsonaro, de quem nunca se afastou, e, por isso, virar um nome para a sucessão de 2022, ora por ter cumprido uma interinidade à frente do Estado sem a contaminação do discurso dos conservadores mais radicais.

Daniela, de fato, apareceu em quatro momentos no atual governo: quando tomou posse, pelos gastos na residência oficial em Florianópolis, no episódio do rompimento com Moisés por conta de Bolsonaro e pela política de incentivos fiscais sobre o agronegócio, e, por último, pelos 15 dias de exercício do cargo. O saldo não é tão exponencial, mas há a relevância de se criar uma sombra feminina no cenário político.

 

ALAN SCHOENINGER/DIVULGAÇÃO

APOIO EM JOINVILLE

O pré-candidato à prefeitura de Joinville, o empreendedor Ivandro de Souza (em pé, ao microfone), do PODEMOS, recebeu o apoio formal do Democratas, que indicará o vice na chapa. O presidente estadual do DEM, o ex-deputado e prefeito de Blumenau João Paulo Kleinübing esteve presente para abençoar a aliança, na sexta (24). O DEM ainda não definiu o nome, que será disvutido internamente. Na mesa também estava o presidente municipal do Podemos, Cleonir Branco, ex-escudeiro de Luiz Henrique, que deixou o MDB, no ano passado, por divergências com o partido e o prefeito Udo Döhler. No encontro, foram apresentados 34 candidatos a vereador para as 19 cadeiras na Câmara.

 

Declarações 1

Pré-candidato à reeleição em Itajaí, o prefeito Volnei Morastoni (MDB) mantém a sua característica de extrema franqueza no Entrevistão, do Diarinho, deste fim de semana, tanto que segue por um caminho mais importante para os municípios, o associativismo dos consórcios entre prefeituras, visto com restrições somente por quem, equivocadamente, pensa a gestão pública pela míope ótica política partidária ou eleitoral.

Morastoni lembra que esta é mais uma distinção de Santa Catarina em relação ao cenário brasileiro, e que questões como lixo, ambiente e fornecimento de água, entre outras tantas, necessitam ser solucionadas com a perspectiva regional, dos 11 municípios da Amfri (Foz do Rio Itajaí), de uma forma conjunta, uma boa receita para todo o Estado.

 

Declarações 2

E solta o verbo contra o fechamento “em copas” do governador Carlos Moisés da Silva e de sua equipe, que, para Morastoni, deveria estar mais aberto ao diálogo com os municípios, uma reclamação em coro de muitos prefeitos no primeiro ano do novo governo.

O prefeito de Itajaí, município que é um dos maiores arrecadadores de tributos do país, reclama da falta de recursos para a região e reputa isso à falta de experiência política de  um governo estreante e técnico, enquanto pondera que isso substituiria a falta de recursos do governo do Estado, em determinadas situações, e do governo federal, cuja relação, apesar dos pesares, é qualificada por ele como normal.

 

Pontual

O que é visto por Morastoni como até uma discriminação distanciou o governo do Estado da pauta regional, problemas que podem ser observados na Rodovia Antonio Heil (entre Bursque e Itajaí), cuja duplicação não foi concluída porque a empresa foi embora e, com o fim do convênio com o BID em dezembro, o recurso do financiamento também acabou.

Há a expectativa de Morastoni que, a partir do segundo ano de governo Moisés, a coisa melhore no quesito administrativo e de recursos, sem esquecer de lembrar que a entrada em vigor da legislação que tributa o ICMS dos produtos exportados pelo Porto de Itajaí a maior parte na origem, também não ajudou. Assista à entrevista completa na TV Diarinho em https://diarinho.com.br/tv-diarinho/video/386967223/.

 

ALAN SANTOS/PRESIDÊNCIA DA REPÚBLICA

EM “MORO” QUE ESTÁ GANHANDO NÃO SE MEXE

Foi tanta repercussão negativa que, quando aterrissou em Nova Dheli, na Índia, o presidente Jair Bolsonaro tratou de desfazer o mal-entendido e afirmou que está descartada a separação da Segurança Pública do Ministério da Justiça, comandando pelo ex-juiz federal Sérgio Moro. Foi quase ao mesmo tempo em que Moro recebia total apoio para manutenção das duas áreas na pasta do presidente em exercício, general Hamilton Mourão (PRTB), durante audiência no Palácio do Planalto. Uma das estrelas da administração Bolsonaro, Moro tem simpatizantes que não gostaram nada da tentativa de fritura, iniciada pelo pedido de 17 dos 27 secretários de Segurança Pública dos estados, com o aval do presidente das Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ). Se era para testar a força do ministro, que tem prioridades no combate ao crime organizado, à corrupção e aos crimes violentos, a estratégia morreu na casca.

 

Mais duas

Acompanhado do filho número 3, o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), o presidente da República levou, desta vez, a enteada Letícia Firmo, de 16 anos, e a filha Laura Bolsonaro, de 9 anos, na comitiva.

Bolsonaro, que está de olho em investimentos indianos no Brasil, é o convidado de honra do governo de Dheli para Dia da República na Índia, e também terá encontros com o presidente indiano, Ram Nath Kovind, e o primeiro-ministro e chefe de governo do país, Narendra Modi, para assinatura de acordos entre os dois países em áreas como segurança cibernética, bioenergia e saúde.

 

Outro desmentido

O ministro Paulo Guedes (Economia) foi desmentido pelo presidente Jair Bolsonaro depois de ter declarado em Davos, na Suíça, que o governo estuda a criação do “Imposto de Pecado”, que incidiria sobre cigarros, bebidas alcoólicas e produtos com adição de açúcar, tais como refrigerantes, chocolates e sorvetes.

Na verdade, ministro Guedes, pecado, na acepção da palavra, é criar um novo tributo, coisa que o brasileiro não suporta mais. Ainda bem que Bolsonaro negou.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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