Dezembro 07, 2019

Indiciado pela PF, Gean reage indignado

Indiciado pela PF, Gean reage indignado
BRUNO OLIVEIRA/PMF

O prefeito Gean Loureiro (DEM), de Florianópolis, manifestou-se sobre o indiciamento dele pela Polícia Federal na Operação Chabu com enorme indignação, na manhã deste sábado (7), enquanto acentua que isso acelera o fim do que poderia ser uma agonia permanente, uma espada sobre a cabeça durante meses, em um ano eleitoral. Outras 16 pessoas também foram indiciadas na operação, que investiga uma suposta organização para atrapalhar os trabalhos com o vazamento de outras operações da PF.

Antes mesmo de conceder uma coletiva, no gabinete, Gean já havia disparado ligações telefônicas e atendido jornalistas para reforçar que é inocente dos crimes que a PF lhe imputa: três por corrupção passiva, um por organização criminosa e um por embaraçar a investigação.

O prefeito considera muito frágil a peça policial, onde não há como comprovar sequer onde fica uma “Sala Secreta”, montada.na versão da PF, para evitar que alguém tivesse acesso às suas ligações telefônicas ou a mensagens, bem como qualifica de absurdo uma das ilações contidas no relatório: a de que o nome da Operação Asfaltaço e o material de divulgação da ação da prefeitura, inclusive placas e as mensagens enviadas a grupos de WhatsApp, seriam uma forma de antecipar a ação de investigação da polícia judiciária federal.

Gean não esquece o fato de ter sido conduzido com um pedido de prisão provisória (ato que substituiria a Condução Coercitiva, barrada pelo STF) à sede da Superintendência da PF, no dia 18 de junho, sem ter ficado detido após prestar depoimento, o que não evitou o trauma, considerado à toda família, como narra o prefeito na nota em tom de desabafo, que pode ser lida na sequência.

 

O desabafo!

Gean divulgou esta nota à sociedade antes da coletiva concedida na prefeitura, onde reafirma que agora poderá se defender e espera que a denúncia, a ser oferecida pelo Ministério Público Federal, não seja aceita pela Justiça Federal:

“OPERAÇÃO CHABU DA POLÍCIA. ENFIM, O RELATÓRIO CHEGOU. MAIS UMA OPORTUNIDADE DE PROVAR A INJUSTIÇA

Desde a operação da polícia no dia 18 de junho não consigo dormir direito. Aquela cena de estarem na porta da minha casa às 6h da manhã, mexerem nas coisas da minha família, levarem os “perigosos” computadores com adesivos de florzinha e celulares de minhas filhas adolescentes, nunca mais sairá da minha cabeça. E desde aquele dia, não consigo dormir uma noite sequer esperando pelo relatório final da Polícia. Enfim ele chegou hoje. Na peça, as mesmas conclusões distorcidas e confusas que já esclareci no dia da operação, apenas uma repetição de fatos com os mesmos indícios para tentar justificar a minha prisão ou afastamento do prefeito de uma capital! Primeiro, ainda insistem na tal SALA SECRETA. Onde ela está e o que eu ganharia com isso? Aliás, se alguém quiser visitar o meu gabinete, dito sala secreta, fiquem a vontade! Depois, chegaram ao ABSURDO de dizer que a Operação Asfaltaço é um nome para eu avisar as pessoas sobre operações da polícia federal. É claro que quem escreveu esse relatório não é daqui e não conhece a realidade local. Mas pedir minha prisão por causa disso? Parar uma cidade de 500 mil habitantes por conta dessas imaginações?

Fato é que a operação encerrou e como esperado estou indiciado por crimes que até agora não sei quais são ou o que eu ganharia com eles. De uma certa forma, traz alívio para mim e para minha família, pois agora sei que, de fato, foi um grande absurdo tudo que fizeram naquele dia. Felizmente o processo pode avançar agora e me adiantarei sempre para responder qualquer questionamento e finalizar de uma vez essa tortura. Estou de peito aberto, chamei uma coletiva de imprensa agora de manhã, para falar tudo sobre o que recebi do relatório, afinal o relatório que era pra estar em segredo de justiça já está vazando. Não vou esperar chegar a informação para vocês, eu mesmo venho contá-la. Não vou me esconder. Ficarei 24h por dia de hoje em diante a disposição de qualquer jornalista ou pessoa que tenha dúvidas sobre o que aconteceu.

Para finalizar, quero pedir desculpas. Para minha família, pela humilhação. Para meus amigos, pela preocupação. Para a cidade que confiou e confia em mim, por assistir nos jornais nacionais o prefeito afastado por conta de uma sala secreta que, de tão secreta, até hoje ninguém achou.

Após a coletiva, sigo no super-dezembro entregando obras. Essas injustiças me dão mais energia para trabalhar!

GEAN LOUREIRO

Prefeito de Florianópolis”

 

Rezem para “São Chabu”!

Os adversários de Gean Loureiro, maiores interessados nos desdobramentos da Operação Chabu, devem rezar e muito para “São Chabu”.

Se o MPF oferecer denúncia e a Justiça Federal transformar Gean em réu, os demais candidatos ganham um importante aliado na campanha eleitoral do ano que vem; confirmada a fragilidade das acusações e sem o acatamento pelo Judiciário, o prefeito aparecerá na condição de vitimizado, elemento que sempre ajuda a aumentar os votos, desta vez à reeleição.

 

No ataque

Deputado João Amin (PP) reagiu às argumentações do prefeito.
Pediu que a imprensa se atenha aos fatos e não a versão do indiciado, o que só comprova a força que a Operação Chabu terá na eleição do ano que vem. algo bem difícil quando não se pode divulgar uma peça que corre sob segredo de Justiça.

 

Serve para quê?

O que diz a lei sobre segredo de justiça: uma situação em que se mantém sob sigilo processos judiciais ou investigações policiais que geralmente são públicos, quando há risco de expor informações privadas do réu do investigado e quando o processo contém documentos sigilosos, como escutas telefônicas e extratos bancários.

No Brasil, e principalmente nas operações da Polícia Federal, este expediente, que depende de decisão judicial, não serve para nada, já que, antes mesmo de divulgado o relatório à Justiça Federal, já circulava a peça nas mãos de muita gente, o que só reforça a tese de que vazar alimenta a antecipação da culpa de alguém que sequer foi julgado ou teve a oportunidade de se defender em juízo.

 

Quanto mais candidatos, melhor!

Em um cenário único, sem coligações na disputa proporcional, no popular para vereador, onde cada partido terá sua chapa própria (o número de vereadores mais 50% de vagas de acordo com o número de cadeiras), algo fundamental em outros pleitos deverá beneficiar os prefeitos que buscam a reeleição: o número maior de adversários dilui votos e dá vantagem aos atuais detentores de mandatos.

A regra de quanto mais concorrentes, melhor, serve tanto para Gean Loureiro (agora no DEM), em Florianópolis, quanto para Mário Hildebrandt (sem partido), em Blumenau; Volnei Morastoni (MDB), em Itajaí; Antídio Lunelli (MDB), em Jaraguá do Sul; Fabrício Oliveira (PSB), em Balneário Camboriú; Joares Ponticelli (PP), em Tubarão; Clésio Salvaro (PSDB), em Criciúma; Antonio Ceron (PSD), em Lages; e Saulo Sperotto (PSDB), em Caçador, só para citar alguns das principais cidades catarinenses.

Observem que, entre os que postulam a reeleição, estão candidatos em dois dos quatro maiores colégios eleitorais catarinenses, Florianópolis e Blumenau, decisivos, via de regra, para fortalecer projetos ao governo do Estado em 2022.

 

A força será medida

Dizer que os atuais prefeitos e que concorrerão à reeleição são os favoritos até é possível, mas não definitivo ou axiomático, pois há uma série de outros fatores, como desgaste das administrações e a necessidade vista por parte da população de renovação dos quadros políticos, oxigenação pura.

Ou ainda os nomes vindos do PSL ou da Aliança Pelo Brasil (que ainda busca o registro oficial junto ao TSE), partido de Jair Bolsonaro, e que podem se valer de um recall da onda que elegeu o presidente da República no ano passado.

 

A dúvida

Há ainda a incógnita sobre quanto representará o apoio de Carlos Moisés da Silva, que permanecerá no PSL, de Luciano Bivar, e de como seus adversários jogarão para enfraquecer quem tiver com o governador.

Moisés, um estreante em política partidária, que se filiou em abril do ano passado no PSL para seguir Bolsonaro, hoje bem mais independente, depende de como costurará as alianças nas principais cidades para ganhar musculatura à reeleição, daqui a pouco mais de três anos.

 

Ainda nebuloso

O momento é de tanta indefinição que arriscar palpites parece com uma regra muito antiga que começa a um ano das eleições, jogar o nome na sociedade, trocar de partido ou engrenar um projeto como outsider para se mostrar como a novidade, só para ver se cola.

Até abril, com o fim da janela para filiações, ou até as convenções, em junho e julho, a maioria debanda, com muitos dos atuais pré-pré-candidatos, os que se cacifarem, indo disputar mesmo uma vaga à Câmara de Vereadores ou permanecem à espera de um convite para compor de vice.

 

Pesquisa é pesquisa

Das repercussões do apontamento do Instituto Paraná Pesquisas, divulgado pela coluna com as avaliações das administrações de Jair Bolsonaro e Carlos Moisés da Silva em Florianópolis, São José, Palhoça e Biguaçu, a reclamação persiste.

Com os resultados positivos obtidos, o pessoal que não concorda ou critica a credibilidade do Instituto ou nega os números, que, como sempre, só valem para quem está do lado que se beneficia.

Ah, em tempo, os mesmos resultados favoráveis a Bolsonaro e Moisés apareceram em pesquisas no Sul do Estado e no Vale do Itajaí.

 

O Fundo de novo!

É bom o Congresso Nacional criar uma boa narrativa, acompanhada de longa explicação, se aprovar o aumento de R$ 2 bilhões para R$ 3,8 bilhões do Fundo Eleitoral, aquele mesmo que não chega na ponta para candidatos a prefeitos e vereadores na maioria das cidades, tal qual foi para deputados estaduais na última eleição.

A previsão orçamentária do governo Bolsonaro foi para o espaço e a Comissão Mista do Orçamento aprovou tão somente o relatório preliminar, que dá os contornos desse reajuste incompatível para a realidade do país, e necessitará passar pela análise do relatório final antes de ir a plenário.

 

Quem acredita

O relator deputado Domingos Neto (PSD-CE) garante que para compor os tais R$ 3,8 bilhões não saiu dinheiro algum de áreas como a saúde e a infraestrutura, e que será receita nova, de cerca de R$ 7 bilhões, que o governo Bolsonaro não tinha relacionado quando elaborou o Orçamento da União para o ano que vem.

Sabe-se que a coisa não é bem assim e que o que parece esta fortuna não atende quase nada em um universo de 5.570 municípios e todos que concorrerão em 2020.

 

Fraude

O senador Jorginho Mello (PL) nega que tenha assinado a lista de apoio à ampliação dos valores do Fundo Eleitoral, um escândalo que incomoda qualquer um com mandato.

O deputado Wellington Roberto, da Paraíba e líder do PL na Câmara, admitiu que foi ele quem pôs três assinaturas, incluindo a de Jorginho e do presidente do partido, Valdemar Costa Neto, e disse que faria de novo. Jorginho sempre votou contra o Fundo Eleitoral e não utilizou em 2018.

 

MARCELO TOLENTINO/DIVULGAÇÃO

DE OLHO NA CALHA DO ITAJAÍ-MIRIM!

Integrante da Comissão de Proteção Civil da Assembleia, o deputado Coronel (Onir) Mocellin (PSL) tem defendido a dragagem da calha do Rio Itajaí-Mirim para evitar as enchentes. Nos dias de chuva, o lado bombeiro militar de Mocellin fica em alerta, afinal o rio corta Itajaí e Brusque. O leito assoreado e a necessidade da intervenção técnica serão tema de uma audiência pública na Câmara de Vereadores de Itajaí, nesta segunda (9), às 19h.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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