Março 13, 2019

Intervenção policial-militar permanente

Intervenção policial-militar permanente

Intervenção policial-militar no Rio, no Ceará, e agora no Pará. Indispensável. Mas o Ministro Moro tem que entender o que pode tornar essa necessidade de intervenção militar uma coisa permanente. O que o tráfico de drogas, os assaltos a bancos e cargas, a organização criminosa das milícias oferecem à população pobre são empregos. Empregos criminosos, naturalmente. E só tem uma solução para isso. Substituir os empregos criminosos por empregos honestos. E só tem um mecanismo para se fazer isso: Educação.

Mas um sistema educacional inteiramente diferente do que está aí. Um sistema revolucionário, que dedique a metade de seu tempo diário à responsabilidade total pelo sucesso das carreiras concretas de vida e trabalho dos indivíduos, do nascimento à morte. E a outra metade de seu tempo diário a injetar nas carreiras de vida e trabalho dos indivíduos as tais matérias básicas – matemática, português, ciências, etc. – de maneira a servir concretamente aos interesses concretos de tais carreiras. Acabamos de dar a definição completa do tal ensino integral.

Já está ocorrendo no sistema educacional brasileiro um interesse crescente por introduzir as profissionalizações com mais eficiência no seu programa. Mas precisamos fazer com a educação profissionalizante o que foi feito com a base educacional única que foi criada para todo o país. Colocar a educação profissionalizante dentro de uma abordagem científica orgânica. Temos que desenvolver - inclusive para sermos pioneiros no mundo – a classificação universal das ações humanas e das informações, dos conhecimentos, que as acionam e otimizam. Classificar cientificamente as ações e os conhecimentos humanos, como a biologia classificou as plantas e os animais. E derivar disso uma teoria da evolução sócio-econômica, como a biologia derivou das suas classificações a teoria da evolução biológica. Com essa base científica na mão, podemos dar aos indivíduos a liberdade sapiens integral, a de escolher sua carreira de ações com base no exame da lista completa de todas as ações humanas possíveis. E podemos, em seguida, encaminhar às ações escolhidas pelo indivíduo todas as informações que sejam úteis à sua otimização. Podemos fazer isso pelo individuo do nascimento à morte, com ajuda da revolução comunicacional-informacional que está aí. Essa base informacional científica permite não só otimizar, durante toda a vida, as carreiras de vida e trabalho dos indivíduos, como permite também estudar-se e otimizar o conjunto de ocupações que formam uma comunidade, promovendo-se, cientificamente, o seu desenvolvimento. E, com isso, criando-se todos os empregos honestos necessários para substituir todos os empregos criminosos criados pelo tráfico de drogas, pelos assaltos a bancos e cargas, pelas organizações criminosas das milícias.

Sintetizando... Se não usarmos ciência, e com isso informação educacional orgânica para desenvolver nas comunidades empregos honestos, o crime organizado, e o desorganizado, continuarão a providenciar os empregos criminosos de que as comunidades pobres necessitam para não morrer de fome.

O Ministro Moro tem que buscar influir o sistema educacional do país, para ajudá-lo a alcançar um resultado definitivo para as intervenções policiais-militares. Se não fizer isso, essas intervenções se conservarão como uma necessidade permanente. Se atacarmos o problema cientificamente podemos até mesmo nos tornar líderes mundiais da educação do futuro. E líderes do combate à violência e ao crime latino-americanos, fundamentados na pobreza. Ou isso, ou o caminho da Venezuela.

*Ricardo Luiz Hoffmann é Formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.

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Redação Making Of

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