Setembro 11, 2019

Jornal turco divulga áudio que seria da morte de Jamal Khashoggi

Jornal turco divulga áudio que seria da morte de Jamal Khashoggi

O jornal turco "Daily Sabah" publicou ontem, 10, a transcrição de um suposto áudio do assassinato jornalista saudita Jamal Khashoggi, que aconteceu em outubro do ano passado, dentro do consulado da Arábia Saudita em Istambul. A gravação foi obtida, de acordo com o veículo, pelos serviços de inteligência do país e começa entre duas pessoas, minutos antes da entrada do colaborador do jornal americano "The Washington Post" no prédio.

O oficial da inteligência saudita Maher Abdulaziz Mutreb pergunta se "havia chegado o animal que seria sacrificado". Além disso, o integrante do alto escalação do serviço secreto questiona se a melhor opção seria colocar o corpo de Khashoggi em uma bolsa. O médico forense Mohammed Abdah Tubaigy responde que o jornalista é alto demais e pesado e, em seguida, recomenda que o corpo seja esquartejado, para retirá-lo do local em várias bolsas.

"Sempre trabalhei com cadáveres, sei cortar muito bem. Apesar de nunca ter trabalhado com um corpo ainda quente, também o farei facilmente. Normalmente, coloco fones de ouvido e escuto música, enquanto esquartejo corpos. Quando posso, bebo um café e fumo um cigarro", contou Tubaigy, segundo a transcrição publicada.

Os dois sauditas estão entre os cinco acusados por ordenar e cometer o assassinato, por isso, podem ser condenados à pena de morte. Outros 21 suspeitos estão sendo julgados na Arábia Saudita.

O áudio segue com a entrada de Khashoggi no consulado, onde Mutreb diz que há uma ordem da Interpol solicitada pelo governo saudita, que o obriga a voltar ao país de origem. O jornalista nega a informação, garantindo não existir ordem de extradição contra ele e diz que a noiva o espera na rua.

Os dois homens pedem para que ele deixe uma mensagem para o filho, dizendo que está bem, para caso seja procurado, algo que Khashoggi rejeita fazer. Em seguida, o jornalista vê uma toalha e pergunta se irá ser drogado, e ouve a resposta que será feito que ele durma.

"Não me deixem com a boca fechada. Tenho asma. Não faça isso, me asfixiará", foram as últimas palavras registradas de Khashoggi.

Em seguida, os dois funcionários do governo saudita falam sobre as reações do jornalista, supostamente, ao fato de ter sido sufocado por meio de uma sacola plástica. Depois de um tempo, é possível ouvir o som de uma serra de autópsia durante cerca de meia hora, tempo em que, supostamente, o médico forente corta o corpo do jornalista.

Khashoggi, conhecido por suas críticas das autoridades da Arábia Saudita, foi visto vivo pela última vez em 2 de outubro, quando ele entrou consulado de seu país em Istambul para pegar alguns papéis. A Turquia exige até hoje que a Arábia Saudita extradite os autores do crime e informe sobre o paradeiro do corpo de jornalista. A polícia turca suspeita que o corpo foi queimado em um forno. (EFE)

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Redação Making Of

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