Novembro 04, 2019

Jornalismo em tempos difíceis

Jornalismo em tempos difíceis

Nossa vida cidadã não está nada fácil. Embora a melhora dos índices econômicos, vivemos vários momentos de desconforto. São causados, principalmente, por declarações e atitudes de autoridades e políticos, em uma guerra governo x imprensa e a expectativa do julgamento do STJ que decide nesta semana se vale a prisão em segunda instância. Dependendo, bandidos e corruptos serão colocados novamente no mercado.

No meio disso tudo, o deputado federal Eduardo Bolsonaro veio lembrar os anos de chumbo da ditatura, que, se ele não viveu, pelo menos deveria respeitar as vítimas das violências cometidas no país entre 1964 e 1985.

Não há um dia de paz.

Segundo a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo, estão chegando a 100 o número de ameaças à imprensa feitas pelo presidente Bolsonaro desde que assumiu. Vão desde suspender a assinatura da Folha em órgãos públicos de Brasília até não renovar a concessão da TV Globo em 2022.

A emissora, por sua vez, forçou a barra ao jogar no ar semana passada uma matéria sobre depoimento do porteiro do condomínio do presidente. Segundo ele, um dos assassinos de Marielle Franco e o motorista teria ido à casa de Bolsonaro no dia do crime. A própria emissora registrou que o presidente estava em Brasília no dia.  Ou seja, uma denúncia sem sentido, sem contraponto imediato, desmentida pela gravação do porteiro eletrônico. O que se vê, desde então, é a Globo tentando provar que tem alguma coisa errada no inquérito do MP, sem reconhecer que o erro pode ter sido dela também.

Nada indica que esse ar poluído, semelhante ao que vivem os habitantes de Nova Delhi, vai melhorar. Não temos os problemas de Hong Kong ou do Chile - ainda bem - mas o sentimento é de incredulidade, diante da maneira irresponsável como tratam a população, como se houve um pêndulo prestes a cair em nossas cabeças, ameaçando cair a um estalar de dedos.


Zorra

A "briga" Bolsonaro x Globo atinge momentos cômicos. O programa Zorra Total de sábado, 2, fez uma paródia do vídeo em que o presidente reclama sobre a matéria do porteiro. A perfomance do humorista Fernando Caruso termina dizendo que o personagem vai dar um pulo no Jornal da Record.

Bolsonaro acabou mesmo dando mais uma entrevista exclusiva para a emissora, ontem à noite, 3, em que pede novamente 15 minutos para falar no Jornal Nacional em resposta a reportagem da semana passada.

Tudo indica que esse será o mantra do presidente nos próximos dias. O que a Globo vai responder é uma curiosidade. Por que não abrir espaço para ele?


Sem emoção

Desde o meio do ano, SporTV demitiu as equipes locais de esporte. Para o Grenal de ontem, 3, o canal mandou uma equipe do Rio de Janeiro, que veio sem o clima da jogo. Quente em todos os sentidos, narrador e comentarista não transmitiram a emoção da partida. Enquanto no estádio o pessoal estava de manga curta ou sem camisa, na cabine o comentarista Roger Flores e o narrador Gustavo Villani usavam camisa e blusa de manga comprida.

O trabalho da equipe esportiva tirou completamente a emoção do jogo.



Dinheiro fácil

A CNN Brasil deveria ter estreado em setembro. A nova data é depois do carnaval, como muitas coisas por aqui.

Só que a empresa, liderada por empresário mineiro do ramo da construção, já tem muita gente contratada, entre eles, profissionais que tirou da Globo, como Mari de Palma e Phelipe Siani.

E tem mais gente que estava no mercado mas com bons salários, como Evaristo Costa e William Waack. Todos recebendo sem gerar receita. Não é culpa deles, é óbvio, mas a franquia da rede americana de notícias começa mal, mesmo reconhecendo que não é fácil começar do zero e montar um time de 400 pessoas.

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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