Abril 21, 2017

Lava Jato deixa alianças em compasso de espera

O vice-governador Eduardo Pinho Moreira, do PMDB, e o deputado federal Jorginho Mello, presidente estadual do PR, voltaram a manter contatos para debater, entre outros temas, as composições para a eleição do ano que vem, no escritório do parlamentar, em Florianópolis, na última quinta. Não é a primeira vez que os dois líderes políticos conversam sobre o tema, mas, agora, um componente decisivo para costurar qualquer aliança entrou na pauta: o delicado quadro político nacional, agravado pelas revelações constantes de delações de executivos e de ex-executivos da empreiteira Odebrecht, dentro da Operação Lava Jato.

O avanço de um movimento para acertar uma coligação passa, necessariamente, pela situação dos pré-candidatos e projetos que escapem do envolvimento com o caixa dois, sem contar que outras denúncias, neste sentido, ainda são aguardadas, por parte da OAS, e de outros doadores contumazes de campanha, inclusive por via legais, antes da proibição do financiamento empresarial, em 2016. Se peemedebistas e republicanos estão visivelmente mais próximos, e, embora não tenham sido atingidos pelas delações – com exceção do deputado federal Edinho Bez (PMDB), na eleição de 2010 -, as dúvidas persistem quanto qual será o grau de contaminação que o a delações sobre caciques nacionais, que assombram figuras proeminentes de PT, PMDB, PP, PSDB, PSD, PSB, PR e PCdoB  terão junto ao eleitorado.

 

Dificuldades

A situação mais delicada no quadro estadual está em torno do projeto do PSD, ao governo e ao Senado. O governador Raimundo Colombo, que pleiteia o Senado, ainda tem muita musculatura política para queimar antes de ser dado como fora do páreo, enquanto o deputado estadual Gelson Merisio, que já é pré-candidato ao governo, terá que contar com mais do que certidões negativas do STF, STJ, TRF e da PF para convencer os eleitores e aliados encaminhados, como PP e PSB, citados igualmente nas delações da Odebrecht com figuras estaduais, de que o pior já passou e as acusações são descabidas.

 

Tucanos

Atingidos em pleno voo com revelações que expuseram o prefeito Napoleão Bernardes e o senador Dalírio Beber, os tucanos estaduais torcem para que as nuvens carregadas das delações fiquem restritas a Blumenau, na campanha de 2012. Em termos regionais, Napoleão e Dalírio devem contar com o benefício da dúvida e da generalização, pois os adversários Ana Paula Lima (PT) e Jean Kuhlmann (PSD), além do deputado federal Décio Lima (PT) – hoje com o domicílio eleitoral em Itajaí - entraram de cabeça em uma lista da qual ninguém quer constar. Quem saiu ileso foi o senador Paulo Bauer.

 

Do PT

A eleição no mês que vem para o diretório estadual do PT determinará mais do que o novo presidente da sigla no Estado. Será um marco para estabelecer o futuro do partido, o mais afetado com as denúncias de corrupção na última eleição, com a perda de mais de 50% das prefeituras que administrava em Santa Catarina, além de significativo decréscimo nas câmaras municipais. Não tem outra alternativa: precisará de uma candidatura ao governo e acreditar que Lula sairá sem condenações para concorrer à Presidência.  

 

Gravidade

Quando alguém como o ex-ministro de Lula e Dilma, Antonio Palocci, coloca-se à disposição para revelar nomes e fatos para esclarecer a onda de propina que circulava pelo PT, a sigla tem com o que se preocupar. Palocci, que coordenou a campanha de Dilma, em 2010, parece não querer assumir a postura de mártir e está mais interessado em salvar a própria pele, diminuir a pena no popular.  

 

Axioma

Se há algo bom neste tiroteio diário de versões e mentiras nas redes sociais, que pretendem valer mais do que a singela e necessária verdade, é a revelação de quem é quem. Hoje está mais fácil identificar os radicais insanos, de esquerda e de direita, e pelos perfis dizer o que é notícia falsa ou não.

 

A mesma lógica

Delações são elementos de prova que necessitam de complementação com a materialidade do que for denunciado. Assim, valem para quem você prefere ou apoia ou para quem você odeia.  

 

Ah, Tiradentes!

Herói da Independência do Brasil, morto 32 anos antes dela se tornar realidade, Joaquim José da Silva Xavier, o Alferes Tiradentes, nunca teve sua trajetória tão assemelhada à democracia de nosso país como nestes tempos de corrupção, delações e caixa dois. Tal qual o nosso desejo de ter governantes inspirados e defensores das causas para melhorar a vida de quem os escolhe, Tiradentes foi traído. O povo ainda tem tempo para evitar, novo voto, de ser julgado, densorado e acabar na forca.    

 

OAB se manifesta

Em tempo em que notas oficiais tornaram-se uma constante na vida dos brasileiros, o presidente da OAB de Santa Catarina, Paulo Brincas, esclareceu pontos sobre a lista sêxtupla com os candidatos à vaga de desembargador no Tribunal de Justiça pelo quinto constitucional. Em seis tópicos, Brincas reforça a forma soberana como o Conselho Pleno da entidade faz a escolha e garante que “não tem qualquer compromisso com interesses de quem quer que seja, exceto com os advogados e a sociedade catarinense”, ao rebater as críticas de muitos profissionais, entre eles do advogado Luiz Carlos Nemetz, de Blumenau, e do conselheiro estadual João Martins, de Itajaí, que denunciaram um suposto esquema com interferência política, vindo da Assembleia. Leia na íntegra:

 

Nota Oficial

Em respeito aos advogados catarinenses e a propósito de informações que dão conta de supostos interesses de terceiros que estariam influenciando a escolha do desembargador pela vaga de quinto constitucional do TJSC, a OAB/SC esclarece:


1) O processo de escolha pelo quinto constitucional é feito de forma soberana pelo Conselho Pleno da OAB/SC, após apresentação dos candidatos aos conselheiros e por meio de votação nominal;

2) O processo tem três momentos distintos, sendo a lista sêxtupla apenas a primeira fase. É, portanto, descabida a suposição de ingerência externa, seja ela por parte do Legislativo, seja por parte do Executivo, ou mesmo motivada por interesses pessoais ou partidários;

3) Desde o início do processo é constituída uma comissão eleitoral, à qual cabe avaliar os pedidos de inscrição e garantir aos candidatos tratamento isonômico e oportunidades iguais;

4) O processo de escolha do quinto constitucional tem ampla divulgação em todos os canais institucionais da OAB/SC;

5) A OAB/SC lembra que desde 2013 a votação é feita de forma nominal e aberta, inclusive com transmissão ao vivo pela internet.

6) A OAB/SC é uma instituição que preza pela liberdade e pela democracia e não tem qualquer compromisso com interesses de quem quer que seja, exceto com os advogados e com a sociedade catarinense.

Paulo Brincas

Presidente da OAB/SC

Florianópolis, 20 de abril de 2017.

 

Grande decisão

A ação do governo do Estado em reagir contra o crime organizado e o anúncio do governador Raimundo Colombo de que chamará mais delegados de Polícia, investigadores e técnicos do IGP, mais a abertura de concurso para o Bombeiro Militar, converge para uma questão: não há como combater bandidos sem polícia na rua, como o aumento do contingente da Polícia Militar já efetivado, e mais gente da Polícia Civil para investigar e levar criminosos aos tribunais.  

 

DIVULGAÇÃO

APOIO PELO TURISMO

A declaração do ministro do Turismo Marx Beltrão de que os estados do Sul do país terão mais apoio na promoção conjunta de seus principais produtos turísticos, o secretário Leonel Pavan (Turismo, Esporte e Cultura), o coordenador do Fórum Parlamentar Catarinense, deputado fedreal João Paulo Kleinübing (PSD) e o senador Dalírio Beber (PSDB) tiveram o que comemorar. É que eles, juntamente com os deputados que representavam Paraná e Rio Grande do Sul, defenderam junto ao Ministério e à Embratur, agora uma Agência de Turismo, mais investimentos e fortalecimento da atividade na região, que representa o destino de um terço dos 6,5 milhões de visitantes que vieram ao Brasil no ano passado. Daí o documento apresentado por Pavan, o Sul é Meu Destino.

 

Feriadãozão

Chamar uma greve geral para o dia 28 de abril, pedido das centrais sindicais, também tem seus confortos. Aumentará em um dia o feriadão do 1° de maio, Dia do Trabalhador. Mas na segunda, em plena folga, nenhuma liderança sindical está disposta a fazer movimento algum e olha que a data seria mais do que simbólica.

Tags:
roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
Compartilhe: Compartilhe no FacebookCompartilhe no TwitterCompartilhe no Linkedin

Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento) e na 105 FM (Jaraguá do Sul); e assina uma coluna no Diarinho, de Itajaí.
  • Youtube

Comentários

Media Social

Fique por dentro

Receba novidades no seu e-mail!