Maio 21, 2019
FIESC INSTITUCIONAL

O PSD busca o equilíbrio

O PSD busca o equilíbrio
LUIS DEBIASI/DIVULGAÇÃO/JUL 2018

O presidente estadual do Progressistas, o deputado Silvio Dreveck, aguarda tão somente a desfiliação de Gelson Merisio do PSD para confirmar o ingresso na sigla do ex-aliado nas últimas eleições ao governo. O assunto interessa muito mais aos pessedistas do que propriamente aos pepistas, já que Merisio será presidente, de fato, do partido que governou o Estado entre 2011 e 2018, só até o dia 16 de junho próximo, quando termina a prorrogação do mandato do diretório, determinada pela cúpula nacional, comandada por Gilberto Kassab. O PSD que, há dois anos, tinha o governador do Estado, três deputados federais e nove cadeiras na Assembleia, minguou depois da aventura de Merisio ao governo. Perdeu musculatura, a candidatura certa de Raimundo Colombo ao Senado, quatro deputados no parlamento catarinense e manteve tão somente duas posições na Câmara dos Deputados, número que detinha quando João Paulo Kleinübing retornou ao DEM. Por esta ótica, o maior problema dos pessedistas não será a saída de Merisio, desgastado e à procura de um novo endereço político, que, talvez, mantenha seu sonho de concorrer ao governo em 2022.

 

O futuro

O resumo da história é saber quem terá força e argumentos para manter o patrimônio de 61 prefeitos eleitos há quatros anos, número substancial garantido à base de verbas da administração estadual e de promessas de Merisio, o atual comandante em retirada. Cresce o nome de Colombo para a missão, mas o compromisso com a coordenação nacional da Fundação Espaço Democrático, do PSD, lhe dá visibilidade em todo o país e lhe tira o peso de administrar o que pode ser considerado, hoje, como massa falida, pois a legenda nunca conseguiu ter a capilaridade e força de tradicionais partidos, como MDB, PP e PSDB, por exemplo.

 

Alternativas

O deputado Milton Hobus figura na bolsa de apostas, porém sem a adesão que deveria ter às vésperas da decisão, até porque é considerado por muitos como alguém ligado demais a Merisio. Portanto, o diagnóstico lhe tira o natural apoio da maior estrela do partido, o presidente da Assembleia Julio Garcia, que nunca morreu de amores pela estratégia agressiva de Merisio e dos seguidores mais fiéis do atual presidente, a maioria sem mandato por conta do tropeço e dos equívocos, em 2018.

 

De jeito nenhum

Julio Garcia chegou a ligar para Colombo, nesta segunda à noite (20), para saber se procediam relatos de que um ofício do diretório nacional havia antecipado o fim da prorrogação do mandato da executiva estadual para o próximo dia 25, sexta-feira. Julio recebeu a sinalização negativa do ex-governador e perguntado sobre quem deveria assumir a presidência valeu-se de sua tradicional franqueza: “Esta situação do nome deverá ser resolvida em reunião com as bancadas estadual e federal, os prefeitos e alguns líderes, mas neste momento sei, com certeza absoluta, que não serei eu que assumirei!”

 

CLÁUDIO THOMAS/DIVULGAÇÃO

NA ESTRADA

Se fosse pré-candidato à presidência do PSD, Raimundo Colombo já teria mais do que meio caminho andado. Depois de passar por constrangimentos com alguns prefeitos, insatisfeitos com a não edição do Fundam 2, hoje chega a receber pedidos de desculpas de alguns deles, que admitem ter caído na cantilena de Merisio. Nos últimos dias, entre um compromisso e outro fora do Estado, Colombo circulou como coordenador nacional da Fundação Espaço Democrático por várias cidades e conversou com os prefeitos de Tijucas, Elói Mariano Rocha; de Itapema, Nilza Simas (foto); e com o vice-prefeito de Camboriú, Ramon Marcides Jacob. A eles repetiu o discurso de mudança da política nacional, que considera “uma coisa rasa e superficial”, além de pregar que os partidos devem trabalhar para ser a base intelectual da sociedade e abrir espaço para os jovens e para a tecnologia.

 

Mea culpa

A verdade é que Colombo cedeu demais a Merisio e o grupo que o apoiava ao governo e pagou o preço por ter terceirizado a administração estadual, algo que culminou com o naufrágio do projeto ao Senado e a ida para oposição, principalmente porque não bancou a reedição da aliança com o MDB, que teria o reforço de PSDB e quem sabe do PR. Na contabilidade eleitoral, mesmo com os projetos fracassados de Mauro Mariani e Merisio, a aliança que já foi chamada de tríplice, teria reais chances de ter vencido no primeiro turno, no ano passado, com onda Bolsonaro e tudo mais, embora tenha que ser avaliado o quanto a eventual ausência do PP na composição pesaria contra este cálculo.

 

No Meio-Oeste!

Engajado na votação pró-reforma administrativa, o deputado Valdir Cobalchini (MDB) comemora a ida a Caçador, nesta terça (21), do governador Carlos Moisés a Caçador, no Meio-Oeste, base eleitoral do emedebista. Cobalchini fez o convite a Moisés, quem além de assinar convênios e conhece r as empresas Guararapes e Adami, deverá ouvir líderes regionais sobre a condição precária das rodovias..

 

Pronto para votar

O pedido do deputado Altair Silva para se ausentar da Assembleia para cuidar de assuntos particulares apressou o retorno de Silvio Dreveck ao plenário a tempo de votar a reforma administrativa de Carlos Moisés. Nesta terça, Dreveck, que planejava o rodízio no segundo semestre deste ano, enquanto faz um curso de conselheiro empresarial, processo que ficou de fora por conta da política, estará na reunião conjunta das comissões nesta terça (21) para analisar o substitutivo global, no lugar do colega José Milton Scheffer, que viaja a Brasília.

 

Prato feito

Não haverá problemas na aprovação da reforma administrativa de Carlos Moisés. O projeto é visto como de Estado e não apenas de governo pela maioria e sem ousadia por uma parcela significativa. O silêncio do governador foi avaliado, em determinado momento, como uma virtude. “Quem fala demais dá bom dia até para a poste”, disparou um parlamentar.

 

Bem diferente

A postura de Moisés deveria servir de exemplo em Brasília, onde o presidente Jair Bolsonaro ora critica a classe política, em evento da Firjan, no Rio de Janeiro, ora elogia ao chegar horas depois, em Brasília, durante o lançamento da campanha pela aprovação da reforma da Previdência, tudo na mesma segunda (20). Bolsonaro foi deputado federal por 28 anos, militar por apenas 15, e tanto ele quanto os filhos Flávio (senador), Eduardo (deputado federal) e Carlos (vereador), todos integrantes do Legislativo, fazem a campanha contra o Congresso e contra a própria atividade, ao não admitirem que o Legislativo promova as modificações no projeto, prerrogativa do parlamento. O movimento ganha espaço entre os eleitores do presidente, que parecem ignorar a democracia.

 

Todo cuidado é pouco!

As manifestações pró-Bolsonaro, marcadas para domingo (26), que na versão de seus seguidores e filhos seria vítima de um enfraquecimento pelo Congresso, que teria planos malévolos de retirá-lo do cargo, entraram na comparação do “Não me deixem só”, de Fernando Collor. O que falta para o presidente da República, com expressiva votação de milhões, é sair do palanque eleitoral e das redes sociais, onde já conquistou seus mais ardorosos fãs, e governar, já que ninguém consegue prolongar o prestígio e a popularidade com base em crises sucessivas, ainda mais criadas dentro de casa.

 

Até ela

A advogada Janaína Paschoal, hoje deputada estadual pelo PSL em terras paulistanas, resolveu por à prova a estratégia dos Bolsonaro. Criticou fortemente a onda de pessimismo e perseguição espalhada por eles e também cobrou de Eduardo Bolsonaro e de Carla Zambelli, ambos deputados federais pelo PSL de São Paulo, que reclamam do “imobilismo” e chamam as manifestações de domingo (26), mas votaram com Rodrigo Maia (DEM-RJ) para a presidência da Câmara e favoráveis à PEC do Orçamento Impositivo, que obriga o pagamento de todas as emendas conjuntas das bancadas, embora fosse contra o interesse do Palácio do Planalto.

 

Não ganham uma

Agora foi a desembargadora Simone Lucindo, do Tribunal de Justiça do Distrito Federal, que negou o recurso da direção nacional do PSB para manter a intervenção no diretório estadual de Santa Catarina. Para a magistrada, não foram cumpridos os requisitos do estatuto do partido e não caberia a análise enquanto o mérito da decisão, em primeiro grau, não for julgado, o que mantém Ronaldo Freire à frente da sigla.

 

Repercutiu

O site O Antagonista deu destaque à carta aberta do deputado federal Rodrigo Coelho contra o diretório nacional do PSB. Coelho, ex-vice-prefeito de Joinville e vereador e atual presidente do diretório municipalmantém os argumentos: não foi chamado para debater a intervenção, o que qualifica de tirania do presidente João Carlos Siqueira.  

 

* Governador Carlos Moisés inaugura, nesta quinta, em São Bento do Sul, a Penitenciária Industrial, mais uma unidade que dará emprego aos detentos, modelo semelhante às unidades de Chapecó e São Cristóvão do Sul que chamaram a atenção do ministro Sérgio Moro.

 

* A cessão do espaço no prédio da Secretaria da Fazenda à prefeitura de Florianópolis deveria ir até 2021, mas o prefeito Gean Loureiro (MDB) resolveu antecipar a entrega das instalações e anunciou a instalação de seu gabinete e da Casa Civil, entre outras, na Passarela Nego Quirido, o que reduzirá os endereços da estrutura do município a apenas três.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento) e na 105 FM (Jaraguá do Sul); e assina uma coluna no Diarinho, de Itajaí.
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