Fevereiro 10, 2017

Maia segue a perigosa trilha de Cunha

Depois de vencer um processo de escolha para a presidência da Câmara dos Deputados com o apoio do Palácio do Planalto, Rodrigo Maia (DEM-RJ) começa a conhecer de perto a pressão sobre o cargo que ocupa, hoje o primeiro na linha sucessória. Segue perigosamente os caminhos do antecessor Eduardo Cunha (PMDB-RJ), seu adversário político paroquial, como se fosse um roteiro pré-definido: primeiro é envolvido em escândalos de corrupção, depois defende-se com a abertura do impeachment do inquilino do Planalto e, por fim, capitula.

Maia não quer participar do enredo, mas tem explicações a dar sobre uma investigação da Polícia Federal onde aparece como um defensor dos interesses da empreiteira OAS em projetos na casa após receber vantagens indevidas. O presidente da Câmara bradou forte, reclamou do que qualifica de vazamento e chamou o caldo de “absurdo”. Mas para completar as desventuras em série do comando cameral, Maia tem pela frente o desafio de agilizar análises importantes para o país, nada mais nada menos do que a Reforma da Previdência, que afetará gente que o investiga, que pode acusá-lo ou julgá-lo. Nada é ao acaso nesta República.

 

Movimento 1
Cresce o desejo de muitos legisladores, do Congresso Nacional às assembleias, em barrar a prática, já aprovada em algumas câmaras de Vereadores, de impedir que eleitos para fazer leis e fiscalizar o Executivo tornem-se secretários ou presidentes de empresas públicas. Um dos caminhos seria levar a proposta via projetos de origem popular. Acreditem, tem gente em Santa Catarina, que já foi deputado-secretário, que assina embaixo.

 

Movimento 2

Há uma base bem sólida em termos de argumentos. Basta avaliar o desgaste provocado em Brasília com gente oriunda do Congresso e que teme que o possível envolvimento na Operação Lava Jato, que investiga casos de corrupção, traga repercussões no Planalto. O que foi trazer o brilho dos votos dos parlamentares para o executivo um dia, virou moeda de troca para abrigar suplentes e atender os partidos, uma forma em que apenas o indicado ao cargo ganha e nada acrescenta ao governante, a não ser um pífio apoio que encontra em outros caminhos a costura ideal.

 

JEFERSON BALDO/SECOM

FOCO EM UDO E NA EMPADA

Em menos de um mês, o vice-governador Eduardo Pinho Moreira levou secretários de peso, como Luiz Fernando Vampiro (Infraestrutura), para uma agenda em Joinville, juntamente com a secretária da Agência de Desenvolvimento Regional, Simone Schramm. Visitaram mais dos que as importantes obras que têm participação do Estado, a Rua Tuiuti e a duplicação da Santos Dumont, que faz a ligação ao Aeroporto Lauro Carneiro de Loyola. É uma maneira de dar ênfase a relevância que Udo Döhler (PMDB), prefeito reeleito da maior cidade catarinense, terá na eleição de 2018. E a passagem por Joinville foi comemorada com uma empada Jerke, uma espécie de ritual popular.

 

Romaria

Esta importância será amplificada hoje, quando o deputado federal Mauro Mariani, presidente estadual do PMDB, visitará Joinville, acompanhado do secretário nacional de Defesa Civil, coronel PM da reserva Renato Newton Ramlow, que é catarinense. O secretário estadual Rodrigo Moratelli também participa de uma avaliação dos prejuízos causados pelas chuvas.

 

Em Brasília

Briga pela substituição no Ministério da Justiça, que também envolve a vontade dos governistas e a manutenção da existência do centrão, grupo que outrora dava as cartas no Congresso, domina os bastidores no Palácio do Planalto. O caso, sem aparente solução, tem ganho mais espaço na agenda palaciana do que o vai e vem da indicação de Wellington Moreira Franco à Secretaria-geral da Presidência e do que os protestos e ações na Justiça que tentam barrar o nome de Alexandre de Moraes para o Supremo Tribunal Federal.  

 

DIVULGAÇÃO

DIÁLOGO COM OS PAIS

Antes da negociação iniciar com os representantes dos professores e demais categorias em greve, que deveria ser nesta sexta-feira pela manhã, os secretários Maurício Fernandes Pereira (Educação) e Everson Mendes (Administração) receberam uma comissão de pais da rede de ensino de Florianópolis em meio à greve da categoria. A proposta à mesa é interessante: participar das reuniões com os servidores, além de receber um dos pais na comissão que elaborará o plano de carreira e, uma vez por mês, fazer com quem os pais participem de um conselho com o secretário da Educação. Prejudicados com a paralisação, os pais ouviram dos assessores de Gean Loureiro (PMDB) um quadro com a situação financeira da prefeitura.

 

E aí, não foram!

Os representantes do Sintrasem erraram ao não comparecer a uma reunião de conciliação com o prefeito Gean Loureiro chamada na sede da OAB, na Capital, na manhã desta sexta-feira. Alegaram que tinham outro compromisso com vereadores, no gabinete do prefeito, para tratar do mesmo assunto, porém quem decide é Gean, o ausente que desconhecia a "visita". Os sindicalistas perderam tempo e se desgastaram junto à população que paga os impostos e os salários do funcionalismo. Muitos servidores não gostaram da manobra, quase humorística, estilo "Pegadinha do Mallandro".

 

RÁPIDAS

 

* Mal retornou à Assembleia e o deputado Dóia Guglielmi já recebeu a missão de liderar a bancada tucana na casa, função estratégica que já ocupou entre 2013 e 2014.

 

* Servidores da prefeitura da Capital em greve fazem nova assembleia hoje, porém enquanto não flexibilizarem a pauta, que pede a revogação pelo prefeito Gean Loureiro das medidas de contenção de despesas aprovadas na Câmara, não encontrarão espaço para o diálogo.

 

* Em nota oficial, o PDT de Florianópolis reafirma que não participa mais da administração de Gean Loureiro, no mínimo uma forma de mostrar para o funcionalismo paralisado que está ao lado do movimento.

 

* Chegamos em meados de fevereiro e ainda tem quem trabalhou em campanhas eleitorais em Florianópolis a cobrar a fatura do que fez para os candidatos a prefeito, e o problema é maior porque trata-se de valores não declarados na prestação de contas feita ao TRE. 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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