Março 19, 2020

Mais de 3 mil eventos musicais cancelados em SC

Mais de 3 mil eventos musicais cancelados em SC
Foto Felipe Aguilar

A coluna de hoje publica dados divulgados pelo projeto coletivo e independente, recém criado, que busca soluções para classe musical e artística, que, em Santa Catarina, já arca com o prejuizo de 3,5 mil eventos cancelados. Na foto, o úlimo Rock n`Camerata, que aconteceu na Beira Mar Norte levando milhares de pessoas para assistir ao espetáculo gratuito.

 

Os cancelamentos e adiamentos provocados pela pandemia da coronavírus estão causando prejuízos imensos à indústria cultural em todo o mundo. E Santa Catarina não fica fora dessa. Criado durante o final de semana, o projeto coletivo e independente, promovido pelos músicos e profissionais do meio artístico de Florianópolis e região, foi atrás desses números.

Fez convite à classe artística para que respondesse um questionário, e os números iniciais são estarrecedores. Em 24 horas, 595 respostas, vindas de todas as regiões do Estado, apontaram para a ponta do iceberg: cerca de 3,5 mil eventos cancelados, adiados ou suspensos.

"Isso é só a ponta do que já pudemos contabilizar na nossa área e envolve em sua grande maioria até o momento um segmento cultural, que são os músicos, que estão respondendo com mais agilidade", esclarece um dos criadores do projeto, o consultor de Marketing Estratégico e ex-empresário do setor de Marketing Cultural em SP Stivy Malty, que reforça que só a música tem uma cadeia enorme que não está contabilizada ainda, que são os garçons, pessoal da limpeza e da segurança, os motoristas etc.

O levantamento não é definitivo, é das primeiras 24 horas, está sendo atualizado permanentemente, mas ainda é muito representativo do meio musical. Por isso, estima-se que deva atingir cerca de 20 a 30% do total que se conseguirá levantar.

O documento "Cultura Catarinense em tempos de COVID-19" foi criado através de uma plataforma do Google e rapidamente começou a ser preenchida. Embora tenha um percentual representativo de respostas vindas da Grande Florianópolis, há informações de outras cidades importantes: Joinville, Blumenau, Criciúma, Brusque, Balneário Camboriú, Chapecó, entre outras. São respostas, em sua maioria, do setor musical, artistas do teatro, do circo, das artes visuais e da dança, técnicos de som, iluminadores, professores, entre outros profissionais.

Nesse levantamento ainda faltam dados de fornecedores de produtos ou serviços da cadeia que ainda não responderam o questionário, como agências de comunicação, distribuidores de bebidas, transportadoras, empresas de segurança, limpeza, entre os vários que participam da cadeia.

A pesquisa buscou avaliar os efeitos já sentidos no mercado: de shows e apresentações cancelados a profissionais que estão direta e indiretamente sendo afetados e quanto dinheiro está deixando de movimentar. O objetivo é levar os dados ao público e entidades governamentais para propor sugestões e alternativas para o setor.

80% das respostas tiveram de 1 a 8 espetáculos ou shows cancelados. Teve quem teve até 20 cancelamentos. E mais de 50% dos participantes informaram que a maioria de seus recursos vêm das bilheterias das apresentações. Ou seja, sem apresentações, eles não têm como sobreviver.

 

CAMERATA E DAZA JÁ CANCELARAM 19 SHOWS

Sete espetáculos programados pela Camerata Florianópolis para os meses de março e abril foram suspensos. Estavam previstas apresentações em Bombinhas, na Capital (no Shopping Iguatemi, no Ribeirão da Ilha e duas apresentações no Teatro do CIC) e em Palhoça.

Outro concerto que estava na agenda de maio, na Avenida Beira-mar Norte, também teve o mesmo destino. "Um prejuízo superior a R$ 500 mil e cerca de 40 mil pessoas que não poderão ver os nossos espetáculos", estima a produtora Maria Elita Pereira. "É uma situação sem precedente em meus 35 anos de música", completa o maestro Jeferson Della Rocca.

Heitor Lins, diretor da Harmônica Arte e Entretenimento, empresa especializada na produção de eventos culturais e artísticos tendo entre seus artistas a banda Dazaranha, conta que até 9 de abril teve que adiar 24 apresentações de um grupo de teatro numa turnê pelo Sul do Estado. "E só o Dazaranha teve 12 shows cancelados nesse período. Iríamos tocar em Curitiba, Rio Negrinho, Itajaí, Timbé do Sul, além de Florianópolis. Mas esse número pode ser maior, porque decidimos aguardar um pouco para decidir sobre os espetáculos que virão depois de 9 de abril".

No documento que reúne informações de toda a classe artística que respondeu ao questionário também tem outros tipos de espetáculos, como apresentações em cerimônias de casamento que foram canceladas.

 

DE MILTON NASCIMENTO A BONNIE TYLER

Uma das mais respeitadas produtoras de eventos musicais de Santa Catarina, Eveline Orth, está com sua equipe trabalhando 24 horas por dia para tentar evitar o prejuízo maior. Em vez de cancelar, o objetivo é adiar. Já são 14 até o momento, entre eles Milton Nascimento, Paralamas do Sucesso, a tour Internacional da Bonnie Tyler.

"Além de ter que trabalhar com a possibilidade de devolução de ingressos que já foram vendidos, estes adiamentos nos colocam numa situação muito difícil, pois não teremos faturamento em pelo menos três meses e já investimos com pagamentos de parte de cachês, passagens aéreas, mídia. O quadro atual compromete de uma maneira muito séria o capital de giro das produtoras culturais, ainda mais aquelas empresas como a minha, que 95 % do seu faturamento é proveniente de venda de ingressos e bilheteria", explica Eveline, que calcula que cerca de 20 mil pessoas estariam na plateia dos 14 shows.

Ela reforça a questão da cadeia. "A cadeia da atividade de produção é muito grande, e a não realização de eventos nos próximos meses coloca em risco muitos prestadores de serviço: portaria, segurança, limpeza, traslados (vans, carros executivos, companhias aéreas), mídias, assessorias, produtores, produtores técnicos, empresas de som e luz, empresa de locação de vídeo, leds, carregadores, hotéis e restaurantes deixam de faturar. São muitas famílias envolvidas."

 

GRAVAÇÃO DE MÚSICA

A terça-feira foi muito corrida para o grupo que está pensando em formas de alternativas para os cancelamentos de eventos e de receita para a cadeia musical. O envolvimento é tão grande que foi necessário criar comissões, com todos trabalhando voluntariamente.

O desafio lançado na reunião de segunda-feira de se criar uma música em que os artistas pudessem mostrar que estão juntos na luta contra o coronavírus foi conquistado. Na tarde desta terça surgiram duas composições que serão gravadas a partir dessa quarta-feira. Cada artista, direto de sua casa ou estúdio, vai gravar um vídeo que será montado posteriormente numa produtora. A meta é lançá-lo antes do final de semana para que viralize e seja exibido em emissoras de TV no estado.

 

 

COMISSÕES

Seguem as comissões criadas pelo projeto:

•             Administração e Comunicação Interna: Juliana Simon

•             Audiovisual: Antonio Rossa, Fernando Pereira Oliveira, Jorge Daux Neto

•             Design: Maurício Peixoto, Júlio Parafuso, Mayer Soares

•             Direitos Autorais: Guilherme Coutinho

•             Financeiro: Maria Elita Pereira, Maurício Gonçalves

•             Gravação: Hique D'Ávila, Pimentel, Duda Medeiros, Diego Nunes

•             Imprensa/divulgação: Paulo Scarduelli, Daniel Silva, Roza Damiani, Silvio Sato

•             Marketing: Eduardo Trauer, Maurício Gonçalves, Stivy Malty, Tóia Oliveira (fotos)

•             Políticas Públicas: Jefferson Della Rocca, Vanderlei Farias (Lela), Maurício Gonçalves, Gabriel Pereira, Hudson Cabala, Marcio Fontoura

 

Tags:
social entretenimento Floripa Florianópolis gente festas eventos agenda
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Yula Jorge

Yula Jorge
Jornalista graduada pela UFSC. Antes disso estudou e viveu quatro anos entre o Canadá e os Estados Unidos e quando retornou a sua terra natal, Goiânia, graduou-se pela PUC em Secretariado Bilíngue. 
Logo mudou-se para Florianópolis, ingressou na Universidade Federal, e da ilha não saiu mais. Atua como colunista desde 2012, assinou uma coluna diária no jornal Notícias do Dia por alguns anos, e, paralelamente, foi repórter da RICTV Record e Record News. Traz todos os dias o que rola de especial em Floripa: sobre quem acontece, empreende, se engaja em causas legais. O que inaugura, as festas bombásticas, as melhores casas, restaurantes, os shows, as ações bacanas e o voluntariado.

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