Maio 10, 2019

Mamãezinha querida... SQN!

Mamãezinha querida... SQN!
Joan Crawford e Mara Hobel em Mamãezinha querida

Em busca de um tema para a coluna me dei conta que estamos em maio, o Dia das Mães chegando...hum, quem sabe? O que não falta na filmografia mundial são figuras maternas dedicadas, capazes de tudo para proteger os filhos com seu amor incondicional. Gosto de uma não tão conhecida das platéias jovens, mas que é arrebatadora: Anna Magnani em Belíssima (1951), de Luchino Visconti. Ela é Madalena Ceccone, uma mãe capaz de tudo para transformar sua pequena filha em estrela de cinema. Ela não é motivada por ambição, apenas quer que Maria tenha uma vida melhor do que poderia dar à menina. Maria não é nenhum modelo de beleza infantil e as desilusões serão muitas, mas a mãe tentará protegê-la de tudo. Gostaram de Madalena ? Pois é, mas nossa seleção não mira nas "mães coragem" da cinematografia.

Vamos inverter um pouco essa visão e mostrar as mamães queridas, SQN( Só Que Não, como se costuma escrever nas redes sociais, negando a premissa). Se é fácil encontrar genitoras abnegadas nos filmes, também não é difícil encontrar as mães megeras. Tem cada uma que é de arrepiar até o Freud redivivo! Então, a proposta é esta, filmes onde o comportamento materno passa longe do que se espera de mulheres que , na nossa cabeça, existem apenas para nos amar e proteger.

Sei que é um pouco de "espírito de porco" da coluna deixar de lado as boas mães do cinema, mas em maio do ano que vem a gente pode rever isso.

Boa leitura e não esqueça de abraçar sua mãe no próximo domingo(12). Principalmente depois de ver esses filmes, você vai se dar conta do quanto ela é maravilhosa!

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Mamãezinha querida (Mommie Dearest) – Frank Perry – 1982

Começamos pelo filme que deu título à coluna. Baseado no livro da filha Christina Crawford, a atriz Joan Crawford é retratada como uma mãe cruel. Christina conta que a grande estrela era tirânica com ela e seu irmão, ambos adotivos. No filme não aparecem outras duas meninas, gêmeas, que foram adotadas por Joan e desmentiram as maldades relatadas por Christina . Amigos e um ex-marido da atriz também não endossaram o livro que acabou se tornando um grande sucesso editorial. Faye Dunaway interpreta Joan Crawford de forma brutal e caricata, o que fez muito mal para sua carreira. O livro e o filme foram lançados depois da morte de Crawford.

Outras filhas também escreveram livros detratando as próprias mães famosas, a de Bette Davis, coincidentemente a arquirrival de Joan Crawford ( já falamos aqui sobre a  minissérie Feud, onde aparece bem a rixa entre as duas) e a da diva Marlene Dietrich. As duas reclamaram de haver sido negligenciadas pelas genitoras famosas. No caso de Bette, o livro saiu quando ela estava bem velha e doente e parecia estar no fim da vida, mas se recuperou e retirou a filha "ingrata" do testamento.

Disponível online gratuitamente.

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Preciosa (Precious) – Lee Daniels – 2010

Como eu sofri no cinema vendo a história de Claireece, a Precious, uma jovem de 16 anos, abusada pelo pai e maltratada pela mãe que vê nela uma rival! Uau! Grávida do pai pela segunda vez, a garota é expulsa da escola, o que acaba sendo uma benção. Precious, ainda analfabeta, vai para uma escola especial, onde conhece outra realidade.  É o início de sua virada, tendo como motivação a assistente social Weiss (interpretada pela diva da música, Mariah Carey) e a professora Rain. Aos poucos, a jovem vai compreendendo sua realidade familiar e que há esperança através da educação e da solidariedade. A mãe terrível, e ao mesmo tempo sofrida, deu a Mo`Nique o Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante. Precious levou também a estatueta de Melhor Roteiro Adaptado. 

Disponível no YouTube.

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Sob o domínio do mal (The manchurian candidate) – John Frankenheimer – 1962

Esse filme que mistura suspense, drama e pitadas de terror tinha tudo a ver com a época em que foi lançado. O período da Guerra Fria foi também a época de grande paranóia e teorias da conspiração nos EUA. Na trama, o sargento Raymond Shaw é um herói americano da Guerra da Coreia, capturado junto com seus comandados por um grupo de comunistas e programado para ser uma máquina de matar, um assassino sem culpa e sem lembranças de seus crimes. Ao retornarem aos Estados Unidos, cada um segue a sua vida. O sargento Shaw, agora um "agente" comunista infiltrado, é premiado com uma medalha de honra e recepcionado por sua controladora e possessiva mãe, Mrs. Eleanor Iselin. Olha ela aí !!!! A intenção é que ele chegue à presidência dos EUA.  Frank Sinatra interpreta o major Ben Marco, que também havia sido capturado e tem um recorrente e perturbador pesadelo. Ele começa a desconfiar que há algo errado e passa a investigar o sargento Shaw. A mãe – que faz parte da lista do American Film Institute dos maiores vilões do cinema -  é interpretada por Angela Lansbury, indicada ao Oscar de Melhor Atriz Coadjuvante pelo papel. ( Na foto, Angela e Laurence Harvey, o filho).

Há um remake de 2004, com Denzel Washington e que deu a Meryl Streep o Globo de Ouro de Melhor Atriz Codjuvante pelo papel da mãe vilã.

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Carrie, a estranha (Carrie)- Brian de Palma -1976

Lembro do impacto que Carrie me causou quando vi pela primeira vez no cinema. A história da jovem estudante que sofria bullying (ainda não usávamos essa palavra) na escola e era reprimida pela mãe fanática religiosa causava empatia na nossa cabeça adolescente. A garota sofre humilhações constantes por ser diferente e dá sinais de possuir uma força estranha. A famosa cena em que os coleguinhas jogam sangue de porco sobre Carrie no baile da escola é uma espécie de catarse, pois é quando a jovem usa todos os seus poderes paranormais para se vingar. A sequência é muito bem filmada por Brian de Palma e , no final de tudo, não sobra praticamente ninguém no salão da festa. Carrie foi vivida por Sissy Spacek – indicada ao Oscar - e um dos vilões era o então jovem ator, John Travolta. ( Na foto, Carrie e mãe)

Há um remake de 2002 ( não vi) onde a mãe é interpretada por Patricia Clarkson, atriz que vai aparecer aqui na nossa seleção outra vez. Mãe malvada é tudo com ela...

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Minha mãe (Ma mère) – Christophe Honoré – 2004

A mãe aqui é vivida por Isabelle Hupert, uma das mais importantes atrizes francesas, de carreira internacional. A história crua e contundente, que escandaliza um pouco, gira em torno de Pierre, um adolescente de 17 anos, que deixa a avó em Paris para ficar com os pais nas Ilhas Canárias. Após a morte do marido, a mãe de Pierre decide mostrar sua verdadeira natureza para acabar com as ilusões do filho. Ela lhe apresenta um mundo noturno e sem moralidade, repleto de exploração sexual, exibicionismo e doenças (dados:Adoro Cinema). Pierre é interpretado por Louis Garrel, o queridinho do cinema francês. (Na foto, Garrel e Isabelle Hubert)

Minha Mãe está disponível gratuitamente no YouTube.

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Cisne Negro (Black Swan) – Darren Aronovsky -2011

A obsessão é um caminho fácil para a loucura, imagine então quando ela tem a ajudinha da mamãe. É o caso da bailarina Nina, interpretada por Natalie Portman, quando está prestes a se tornar a primeira bailarina de uma importante companhia de ballet. Sob pressão da mãe dominadora e do coreógrafo super exigente, Nina começa a ver outras bailarinas como rivais a serem derrotadas a qualquer preço. Tudo se agrava quando ela se prepara para o maior desafio da carreira: interpretar a Rainha Cisne em "O Lago dos Cisnes". O papel principal deu o Oscar de Melhor Atriz à Natalie Portman que chegou a perder 10 quilos para parecer uma bailarina e deslocou uma costela durante as gravações. A mãe é vivida por Barbara Hershey, uma boa atriz que andava meio esquecida ( Na foto, com Natalie Portman). O elenco do filme foi premiado pelo Sindicato dos Artistas.

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Pecados Inocentes (Savage Grace) – Tom Kalin – 2008

Este filme me causou um profundo desconforto. Baseado em fatos, ele conta o escândalo que envolveu a família Baekland nos anos 70. Bárbara, uma mulher bonita e glamorosa, casou com o dono da empresa Bakelite, rico mas sem refinamento. Quando nasce o filho dos dois, Bárbara se dedica a ele de forma obsessiva. Adulto e homossexual, Tony, tem uma relação pouco ortodoxa com a mãe, o que não acaba nada bem. A competente Juliane Moore interpreta Bárbara e Eddie Redmayne, ator na moda e oscarizado pelo papel do cientista Stephen Hawking, vive o atormentado Tony. ( Na foto, à direita, com Hugh Dancy e Juliane Moore).

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Jogue a mamãe do trem (Throw Momma From the Train)-Danny DeVito – 1987

Para não acabar com um filme baixo astral, nada como essa comédia de humor negro, interpretada e dirigida pelo divertido Danny DeVito. Ele é Owen, um homem maduro com uma mãe dominadora , Billy Cristal é Larry, que tem uma ex-esposa insuportável. Depois de assistir ao filme Pacto Sinistro, de Albert Hichtcock, Owen propõe a Larry que cada um mate a mulher que os faz infeliz. Assim, a polícia não descobrirá porque não há motivo de um e outro. Antes que Larry concorde e mude de ideia, Owen já está a campo para cumprir a sua parte. A atriz Anne Ramsey que vive a mamãe a ser jogada do trem foi indicada ao Oscar de Melhor Coadjuvante pelo papel. (Na foto, com o "filho", Danny DeVito)

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FORA DE SÉRIE

Objetos Cortantes ( Sharp Objects) – 8 episódios – HBO

Lembram que no texto de Carrie eu disse que a Patrícia Clarkson ia aparecer de novo como uma mãe terrível ? Pois aqui está ela no papel de Adora Crellin. Nesta minissérie, Patrícia tem duas filhas de pais diferentes. Amy Adams vive a jornalista Camille, a filha rebelde que saiu de casa depois da morte de outra irmã. Anos depois ela retorna à casa materna para cobrir os assassinatos de duas adolescentes que aconteceram na cidadezinha natal. Percebe-se logo que ela e a mãe não se dão bem. A irmã caçula parece ter a saúde frágil e é bastante mimada pela mãe. Para não cometer spoiler: saberemos no final o que isso significa toda essa dedicação maternal. O atual marido de Adora e pai da garota vive alienado na sua coleção de música e finge não perceber que a mulher tem um caso extraconjugal com o xerife. À medida que investiga o caso das duas jovens mortas, Camille vai encarando seus próprios fantasmas e tentando descobrir um enigma de seu passado. ( Na foto, Amy Adams – no centro – cercada de Elisa Scallen e a "mamãe", Patricia Clarkson).

A minissérie está disponível na HBO.

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E A NOSSA DIVA É...

Depois de duas edições falando das grandes divas do passado, já temos o resultado da nossa enquete no twitter+cineseriéfilos sobre quem pode ser chamada de diva no cinema atual. Na escolha entre Angelina Jolie, Meryl Streep, Scarlett Johansson ou nenhuma delas, deu... Meryl Streep (66%), seguida de Scarlett ( 16%) e Angelina Jolie empatando com "nenhuma" (9%).

Embora Meryl Streep não faça o gênero diva fatal e inatingível, ela merece o título. Uma das melhores atrizes da história do cinema, admirada pelas companheiras de profissão, Meryl se engaja em lutas como a igualdade de gênero na indústria cinematográfica. Ela já ganhou todos os prêmios e é recordista de indicações ao Oscar: 19 vezes, batendo até os astros do sexo masculino. Provavelmente ela não gostaria de ser apontada como diva, pois detesta a ideia de ser colocada em um pedestal. Sobre qualquer "divismo", ela diz "tenho meus filhos, para me lembrar todas as manhãs quem eu sou". Grande, Meryl, nossa diva!

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DICA DA COLUNA

II Transforma - Festival de Cinema da Diversidade de Santa Catarina

De 15 a 17 de maio de 2019, às 19h (de quarta a sexta-feira)- Sala de Cinema do CIC - Av. Gov. Irineu Bornhausen, 5600 - Agronômica, Florianópolis - SC

Transforma é o primeiro festival de cinema de Santa Catarina com enfoque em sexualidade e gênero, construído por LGBTT+ da arte, da cultura e do ativismo político e social. Com mostras competitivas e paralelas de curtas e longas com temática de sexualidade e gênero, o Festival potencializa e viabiliza arte cinematográfica criada, produzida e protagonizada por artistas LGBTT+.

Entrada gratuita

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MENS@GEM PARA VOCÊ

O cineseriéfilo escreve sobre a edição das Divas – II parte.

De: Rutilândia Costa

Essa é a beleza do teu trabalho, buscas a fundo , ouves as pessoas e nos ofereces o teu melhor! Com toda certeza aqui estão a grandes divas do cinema!Bjs

C&S : Muito obrigada, Rutilândia!!!

 

De: Dedé Ribeiro

Claro que a predileção dos roteiristas acaba caindo nas que tiveram morte prematura ou violenta. No caso das vivas, acho que funciona um pouco como nome de rua, esperam morrer para que a pessoa não faça besteira depois do filme pronto. Ou não reclame dos fatos... Adorei a Sofia Brígida...

 C&S : Hahaha...isso mesmo!
            Sim, além da Lollobrígida, tem a Sophia Brígida Loren...Sou muito chic.

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Pra encerrar com uma boa mãe, esta é Madalena Ceccone/Anna Magnani e sua filhinha "belíssima"... Até a próxima terça-feira, com um novo tema!

THE END

(*)Fotosdivulgação/reprodução

Tags:
cinema séries beijos de cinema arte cultura séries de TV netflix
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Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

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