Setembro 11, 2019

Marketing digital ganha espaço na indústria do cinema e amplia mútua inspiração entre setores do entretenimento

Marketing digital ganha espaço na indústria do cinema e amplia mútua inspiração entre setores do entretenimento

Os filmes e as grandes produções do cinema conseguem bons números de bilheteria em todo o mundo. Porém, o tema do filme ou a escolha dos atores principais nem sempre é suficiente para garantir a atenção do público. A solução que as produtoras estão encontrando para isso tem sido o uso de estratégias de marketing mais criativas, envolvendo novas tecnologias e realizando ações inusitadas. O resultado é uma indústria em alta e cada vez mais forte no mercado.

Em 2018, o faturamento com os filmes teve um crescimento de quase 10% em comparação ao ano anterior. As maiores produtoras de Hollywood, casa do cinema mundial, movimentaram cerca de US$ 95 bilhões apenas no ano passado. A reportagem do site Olhar Digital mostra que, em bilheteria, foram mais de US$ 40 bilhões. As pesquisas foram realizadas pela empresa norte-americana Motion Picture.

Estes números, entretanto, não foram conquistados de maneira simples, já que a concorrência neste mercado é alta. A indústria do cinema conseguiu se expandir para além de Hollywood, que sempre foi conhecida como a casa das grandes produções. Conforme indicado em reportagem da revista Exame, China, Índia e Nigéria produzem, juntas, mais de 2 mil filmes por ano e movimentam cifras milionárias. Além disso, o crescimento dos serviços de streaming também colaborou para o aumento do número de produções.

Toda essa concorrência fez com que os filmes ficassem mais dependentes de estratégias de marketing criativas. O uso de ferramentas digitais, como as redes sociais, os vlogs ou outros tipos de interações diretas, é fundamental para cativar os fãs. Alguns filmes não teriam números positivos em bilheteria se não fossem algumas dessas ações. Empresas como a Netflix, por exemplo, viram crescer o número de assinantes com a ajuda dessas ferramentas.



Fonte: Stock Photo Bucket

Sucesso no marketing

O caso mais recente de uma campanha criativa ocorreu com a franquia dos Vingadores. Para que a temática dos heróis ganhasse espaço na vida real, a Marvel realizou parceria com grandes empresas. A Coca-Cola, por exemplo, criou embalagens de edição limitada com estampas de personagens do filme. O resultado foi uma bilheteria de quase US$ 2 bilhões que entrou para a história como uma das mais bem-sucedidas do mundo.

Ainda no universo dos heróis, uma situação curiosa aconteceu com o filme Deadpool, lançado em 2016. A produção não teve muito apoio financeiro e precisou recorrer a um marketing mais divertido. A 20th Century Fox montou alguns outdoors e propagandas virtuais retratando o filme como uma comédia romântica, e não como ação com aventura. Algo inusitado, mas que rendeu um sucesso de bilheteria na casa dos US$ 700 milhões. O filme ganhou uma sequência em 2018, cujo faturamento de bilheteria mundial também foi alto, utrapassando os US$ 705 milhões, conforme aponta o site Observatório do Cinema.

Entretanto, quando o assunto for o impacto do marketing em produções, é impossível não falar novamente em Netflix, que além de oferecer o serviço de streaming também produz séries. A plataforma mudou não apenas o mercado dos filmes, mas também a forma de utilização do marketing digital para promover novos lançamentos. As interações nas redes sociais, os vídeos lançados no YouTube e todas as campanhas realizadas na internet mudaram a maneira como se faz marketing para o cinema e para a TV.

No universo da propaganda, o marketing pode ser divido em duas categorias: inbound e outbound. O primeiro termo se refere a campanhas que atraem o público-alvo de forma indireta, ou seja, é um conteúdo que faz o público chegar até o produto, seja por meio de um artigo ou de um post em uma rede social. A Netflix é uma das empresas que faz isso de forma mais efetiva e que serve de inspiração para outras empresas do ramo. Até mesmo a Disney, que está entrando no mercado de streaming, acabou apostando em ações deste estilo.

Já o outbound é uma forma mais direta de chegar ao público. É a maneira mais tradicional de se fazer marketing, divulgando o próprio produto diretamente para todos, sem qualquer pensamento indireto. Atualmente, as duas formas de propaganda estão saindo do espaço físico para focar quase integralmente em plataformas como Facebook, Instagram e Twitter.

Influenciando outros setores

Ao acompanhar os lançamentos relacionados à area de entretenimento, é possível verificar que existe grande intercâmbio criativo entre a indústria do cinema e os demais ramos ligados à criatividade. Os âmbitos dos jogos online e da literatura, por exemplo, são bons exemplos dessa mútua inspiração. Há diversos casos que podem ilustrar essa troca criativa, visto que muitos livros já foram fonte inspiradora de filmes – caso do clássico Orgulho e preconceito, baseado na obra literária de Jane Austen, escritora inglesa – e que filmes, por sua vez, já estimularam o lançamento de jogos – caso de Jurassic Park, enredo que inspirou um jogo que pode ser encontrado no portal da Betway, uma casa de apostas online. Outros títulos, como Game of Thrones e Missão madrinha de casamento, também aparecem na lista de filmes que viraram jogos online e que demonstram que a transição para o meio digital também acontece de outras formas, e não apenas no universo do marketing.

Essa mútua inspiração também pode ocorrer de modo inverso, e jogos podem inspirar filmes. A franquia de PC, PlayStation e Xbox de Assassin's Creed, por exemplo, ganhou um filme em 2017. A campanha online, que foi impactada tanto pelos jogadores como pelos fãs de cinema, resultou em uma bilheteria de US$ 240 milhões, mesmo com o filme sofrendo algumas críticas. Outros títulos famosos, como Need for Speed e Prince of Persia, também já ganharam versões no cinema.

Como é possível perceber, a troca cultural entre setores do entretenimento e as criativas estratégias de marketing trabalham em conjunto para gerar cada vez mais novidades. Atualmente, as pessoas que são fãs de Senhor dos Anéis, por exemplo, podem ler o livro, jogar um jogo ou assistir a um filme baseado na obra, demonstrando uma interação que soa benéfica, visto que todos, consumidores e produtores, saem ganhando.

 

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Redação Making Of

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