Março 20, 2019

MDB segue dividido sobre o comando

MDB segue dividido sobre o comando
ROBERTO AZEVEDO                  

O flagrante do inesperado encontro do deputado Fernando Krelling (MDB) com atuais e ex-deputados do PP à saída da Assembleia (foto), no início da noite desta terça (19), fato capaz de arrepiar muitos emedebistas pela rivalidade, foi a finalização de um dia agitado para o parlamentar estreante. Horas antes, Krelling havia sido indicado pré-candidato à presidência do partido pela maioria da bancada, algo que chegou a virar provocação bem-humorada entre os pepistas João Amin, José Milton Scheffer e Altair Silva, que recebiam os ex-colegas Silvio Dreveck, presidente do Progressistas catarinense e ex-presidente do Legislativo, e Valmir Comin. Dreveck elogiou o novo deputado. A caminhada até chegar ao comando da sigla emedebista é longa, pois os deputados estaduais constituem apenas uma das muitas instâncias que precisam ser consultadas e convencidas. Os cem prefeitos, vices e a bancada federal e os 295 diretórios fazem parte de um processo nem sempre pacificado dentro do maior partido do Estado.

 

À espreita

Quem vibra mais do que o normal com as derrapadas do MDB na construção do entendimento sobre a presidência, por ora, são os adversários, que anteveem vantagens em um eventual racha interno que desestabilize o maior rival. Depois de 16 anos, o MDB está na oposição, fez um papelão na disputa ao governo com Mauro Mariani e precisa manter o maior número de prefeituras, em 2020, entre elas as poderosas Joinville, Florianópolis, Itajaí e Jaraguá do Sul.  

 

De fora 1

O deputado Valdir Cobalchini, o emedebista mais votado à Assembleia nas últimas três eleições, garantiu à coluna que está fora da disputa à presidência do partido na próxima convenção. Dará prioridade ao mandato, uma cobrança dos eleitores, e ao projeto de 2022, uma vaga na Câmara Federal.

  

De fora 2

Na próxima terça (26), Cobalchini retorna ao tradicional almoço da bancada, do qual estava afastado desde o início da atual legislatura, quando a maioria dos seus pares votou pelo apoio de Mauro De Nadal à vice-presidência da casa. Cobalchini disse que só não foi ao último encontro, dia 19, por conta do aguardo de que o colega Moacir Sopelsa, também incomodado com a situação do apoio na composição da mesa, o siga no compromisso.

 

Pedidos

O deputado federal Rogério Peninha Mendonça ligou para Cobalchini e para o deputado Jerry Comper para pregar o consenso em torno de um nome para presidir a sigla e evitar fraturas expostas. O nome, é claro, seria o de Cobalchini, porém o deputado está convicto que nem apelos o farão mudar de ideia.

 

Considerações

A bancada do MDB na Assembleia pensa na questão imediatista ao indicar Fernando Krelling, virtual pré-candidato à prefeitura de Joinville na sucessão de Udo Döhler, pois há certo consenso de que se Valdir Cobalchini chegasse à presidência do partido viria com força, em 2021, para disputar a presidência do Legislativo. Os parlamentares esqueceram que, ano que vem, o grande projeto é manter as prefeituras estratégicas com um comando que coordene muito bem as candidaturas e as alianças, papel desempenhado com maestria por Cobalchini, em 2016. Quem perde prefeitos e vices, perde cabos eleitorais importantes e não elege governador nem deputados.

 

Dois esquecidos

Em nome de muitos interesses, o ex-governador Eduardo Pinho Moreira e o deputado Valdir Cobalchini foram ignorados para a presidência do partido no maior mérito emedebista, o inigualável padrão municipalista da sigla, que sempre carregou os demais projetos nas costas. Dário não tem o perfil de aglutinador, Krelling carece de experiência, são bons nomes mas entrariam em campo no momento mais difícil do partido e em um cenário de desconfiança dos eleitores sobre velhas práticas, como a de ser presidente de partido para disputar uma eleição importante. Nada mais.

 

Sempre presente

Depois de não ter garantido a reeleição, Silvio Dreveck tem sido presença constante na bancada, principalmente às terças-feiras, com a presença dos três parlamentares estaduais. Presidente do PP, Dreveck articula.   

 

REPRODUÇÃO

FICOU RUIM

Com palpite até de quem não tem nada a ver com a situação, o senador Esperidião Amin (PP), de que deveria ocorrer a convenção estadual do PSD, uma resolução assinada pelo presidente nacional do partido, Gilberto Kassab, pôs fim às pretensões dos pessedistas catarinenses. O documento, datado de 13 de março, exige a autorização do diretório nacional ou uma do próprio Kassab, ad referendum, para promover o encontro. Gelson Merisio, atual presidente estadual, está de malas prontas para ir ao PRB, depois que viu que não levará qualquer vantagem para reeditar a imposição de sua candidatura ao governo em 2022. Merisio paga um preço pela sua fama de “trator”, que parece não ter deixado qualquer saudade na sigla depois do desastre do desempenho em 2018. Resta saber quem o seguirá, entre prefeitos e deputados estaduais e federais na nova aventura.

 

Juntos

Acompanhado do ex-deputado federal João Rodrigues, que ainda aguarda uma decisão do STF para buscar o novo mandato, o presidente da Assembleia Julio Garcia fará história na passagem por Chapecó nesta sexta (22). Julio, que vai à maior cidade do Oeste em um encontro regional do PSD chamado por João,  participará de uma sessão da Câmara de Vereadores e ganhará a palavra.

 

Longe

Gelson Merisio não estará por perto e, sintomaticamente, o prefeito Luciano Buligon, que vai para o DEM depois de ter sido expulso do PSB por apoiar Jair Bolsonaro, estará em Florianópolis. Buligon é um dos que não acompanharão Merisio.

 

O exemplo

João Doria Júnior (PSDB) garantiu não só a permanência da GM em duas fábricas no interior do Estado como assegurou que a empresa irá gerar, no mínimo, 1.200 empregos diretos com o investimento de R$ 10 bilhões entre 2020 e 2024. A façanha é o bom exemplo do benefício do incentivo fiscal, já que o governo paulista diminuiu 25% do valor do ICMS para as montadoras que investirem no mínimo R$ 1 bilhão e gerarem 400 novos empregos. Detalhe: vale para todo o setor automotivo, não apenas para uma empresa ou outra, caso escandoloso que ocorre em Santa Catarina.

 

Arriba México!

O acordo que tira qualquer tarifa entre as vendas de veículos produzidos no Brasil e vendidos no México e vice-versa pode ser polêmico, mas deve ser vista como evolução. A troca só vale para os veículos produzidos no país da América do Norte que tiverem, no mínimo, 40% de peças produzidas no Brasil. O negócio evoluirá, a partir do ano que vem, também para caminhões e ônibus fabricados nos dois países.  

 

* Fecomércio divulga o relatório com o perfil dos turistas que circularam por Balneário Camboriú, Florianópolis, Imbituba, Laguna e São Francisco do Sul e os impactos econômicos da temporada, na próxima terça (26), na sede da entidade na Capital.

 

* Líder do governo, o deputado Onir Mocellin (PSL) deixou claro a integrantes do Ministério Público de que não há como o governo apoiar a derrubada do veto em cima do projeto que concede 1,56% de reposição ao quadro funcional do órgão de controle, justamente porque, ao contrário da entrada em vigor 45 dias a partir de publicada no Diário Oficial, o que foi aprovado previa retroação a junho de 2018, uma afronta em tempos de cinto apertado.

 

* O MP justifica que a data-base é de junho passado, que os valores estão limitados à variação do IPCA e que o projeto “mofou” na Assembleia por oito meses.  

 

* O deputado João Amin (PP) pediu vista e afirmou que o governo trata assuntos de Estado com duas medidas, ao defender o aumento de militares mas veta os dos servidores do MP, uma incoerência segundo o parlamentar.

 

* Não menos polêmico é o projeto, que tem vício de origem por gerar renúncia fiscal, prerrogativa do Executivo, é que isenta veículos híbridos, no caso elétricos, do pagamento do IPVA no Estado, para baratear e incentivar a procura pelos consumidores.

 

* A tendência mundial é a de que as plantas de montadoras passem a optar, cada vez mais, pela produção de veículos ecologicamente corretos como o elétrico para substituir os movidos à combustível fóssil (gasolina e diesel), o que, a médio prazo traria uma problema para Santa Catarina, que poderia não ter mais proprietários a pagar o IPVA.

 

* Deputado Bruno Souza (PSB), relator da CPI da Ponte Hercílio Luz até reclamou da demora de indicação de um técnico do TCE para acompanhar a comissão, mas, na reunião deste quarta (20), está otimista com achegada dos primeiros documentos.

 

* A intenção de Souza é cumprir o prazo de quatro meses, final de junho, para entregar o relatório e vê-lo votado na comissão, já que a sociedade quer saber os detalhes sobre a utilização de mais R$ 700 milhões de dinheiro público na recuperação e reforma da ponte, que é símbolo de Santa Catarina.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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