Novembro 10, 2019

MEU NOME É CONNERY, SEAN CONNERY!

MEU NOME É CONNERY, SEAN CONNERY!

Ele foi o primeiro e o mais popular agente 007 da história, por isso não resisti ao clichê do título. Afinal, Sean Connery repetiu a frase "meu nome é Bond, James Bond" em seis filmes : O Satânico Dr. No (1962); Moscou Contra 007 (1963); 007 Contra Goldfinger (1964); 007 Contra a Chantagem Atômica (1965); Com 007 Só Se Vive Duas Vezes (1967); 007 - Os Diamantes São Eternos (1971). Há um 7° que não consta oficialmente da série: Nunca mais outra vez.

Apesar da forte marca deixada pelo espião criado pelo escritor Ian Fleming, o ator provou ser eclético e interpretou outros papeis bem diferentes em 40 anos de carreira. Matéria prima é que não falta, pois a infância paupérrima em Edimburgo, Escócia, onde nasceu, não indicava que um dia ele viraria Sir Sean Connery, pelas mãos da rainha Elizabeth II. Ferrenho ativista pela autonomia da Escócia, Sean fez questão de que a cerimônia fosse realizada no seu país natal, na qual compareceu vestindo um kilt, traje típico escocês( imagem que jamais esquecerei...hahahaha)!

Seu talento, beleza, elegância e postura fez dele uma espécie de modelo para outros atores que sempre dizem querer envelhecer como Sean Connery. Aliás, em 1999, foi escolhido pela famosa revista People o homem mais sexy do século, título que ele deve ter recebido com a maior indiferença.

O último filme de Sean Connery foi A Liga Extraordinária de 2003. Em 2008, recusou o retorno à série Indiana Jones em Indiana Jones E O Reino Da Caveira De Cristal, como pai do personagem principal. O grande ator resolveu se aposentar, reclamando da falta de bons roteiros e também pelos problemas físicos comuns a quem está com 89 anos de idade. Hoje vive nas Bahamas com a artista plástica Michelline Roquebrune Connery, com quem é casado desde 1975. Vida longa e saúde ao homem que não queria ser rei, mas quase chegou lá!

Fica aqui minha singela homenagem a este ator, de quem sou tiete declarada!

Boa leitura, bons filmes. Até a próxima sessão.

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MARNIE – CONFISSÕES DE UMA LADRA –  Alfred Hitchcock – 1964

Este é um dos meus filmes favoritos do mestre do suspense. Baseado no livro do inglês Winston Graham, ele conta a história de Marnie, uma cleptomaníaca que se emprega como secretária para dar um golpe na empresa. E quem aparece para salvá-la, não montado num cavalo branco, mas dirigindo um carro de luxo? O filho do empresário. Ele é Sean Connery, ela é Tippi Hedren, que depois filmaria Os Pássaros com Hitchcock. Mark Ruthland, o personagem de Sean, obriga Marnie a casar com ele, enquanto pesquisa sobre seus problemas emocionais. No final, bem... (disponível no YouTube)

 

ZARDOZ – John Boorman – 1974

Este filme de ficção científica recebeu críticas como "esquisito", "pretensioso", "incompreensível", mas ele é um pouco estranho mesmo. A trama: num ambiente pós-apocalíptico o mundo está dividido em três grupos, os miseráveis e famintos Brutais, os Exterminadores e a elite, os Imortais. Nessa sociedade Deus é um artifício criado pelos Imortais, uma bizarra cabeça de pedra de onde saem as ordens para execução. Connery é Zed, o líder os Exterminadores. Não revejo Zardoz há décadas, então já não lembro o que pensei sobre o filme na época. Só Sean Connery é inesquecível com um figurino um tanto bizarro: tanga vermelha, botas acima dos joelhos e uma longa trança no cabelo.

 

O HOMEM QUE QUERIA SER REI – John Houston – 1975

Às vezes esqueço como gosto dos filmes de John Houston ( Uma aventura na África, À sombra do vulcão, O Pecado de todos nós, A noite do Iguana, Chinatown...)! Qualquer hora vamos falar mais deste diretor...por enquanto, fiquemos com o filme baseado no conto de Rudyard Kipling, The man who would be king. Nele, Sean Connery contracena com outro grande ator, Michael Caine. Eles interpretam dois ex-soldados ingleses, na Índia Britânica, que decidem abandonar o exército e realizar uma viagem aos países vizinhos, chegando ao Kafiristão, onde pretendem viver como reis.

O diretor queria Clark Gable e Humphrey Bogart nos papéis, depois pensou em Burt Lancaster e Kirk Douglas e também Robert Redford e Paul Newman. O próprio Newman achou que Connery e Caine eram mais adequados. Ele tinha razão.

Sean Connery considera seu papel em O Homem Que Queria Ser Rei como o preferido de sua carreira (veja uma cena abaixo)

 

ROBIN E MARIAN – Richard Lester – 1976

Que ideia maravilhosa imaginar o herói Robin Wood , já envelhecido, voltando a Sherwood e reencontrando os antigos companheiros de luta. Ele fica sabendo também que Maid Marian, seu grande amor, agora vive em um convento. O reencontro é cheio de emoção e, depois de salvá-la de um inimigo, eles voltam aos velhos tempos amorosos. Sean, na pele do herói, contracena com Audrey Hepburn. Ela não atuava há nove anos e aceitou o papel por insistência dos filhos que queriam ver a mãe contracenando com James Bond! O resultado é uma beleza.

 

O NOME DA ROSA – Jean Jacques-Anaud -1986

Fazer uma adaptação do livro de Umberto Eco para o cinema foi uma grande ousadia do diretor francês. Não por acaso o filme levou cinco anos para sair do papel. O resultado foi muito bom! A trama se passa em um remoto mosteiro no norte da Itália em plena Idade Média. Sean é William de Baskerville, um monge franciscano, que junto com seu ajudante, o noviço Adso de Melk ( Christian Slater então com 15 anos), começa a investigar a misteriosa morte de monges no local. Ao contrário dos demais clérigos, que acreditavam que as mortes eram obras da ação demoníaca e sinais do apocalipse, William e Adso são movidos pelo conhecimento racional, pela experiência, pela investigação e a dedução.

Sean Connery ganhou o importante prêmio Bafta de melhor ator pelo papel e o filme o francês César de melhor filme estrangeiro.

 

OS INTOCÁVEIS – Brian de Palma – 1987

Sean Connery ganhou o Oscar e o Globo de Ouro de Melhor Ator Coadjuvante pelo papel de um policial que caça o mais famoso gangster da história: Al Capone, interpretado por outro monstro sagrado, Robert De Niro. O filme também ganhou o Cesar, mais importante prêmio de cinema na França, de melhor produção estrangeira.

Na Chicago dos anos 30, o jovem agente federal Eliot Ness (Kevin Costner) tenta acabar com o reinado de terror e corrupção instaurado pelo gângster Al Capone. Para isso, ele recruta um pequeno time de corajosos e incorruptíveis homens e conta com a ajuda do experiente policial Jim Malone (Sean Connery). ( Sinopse: Adoro Cinema)

 

ENCONTRANDO FORRESTER – Gus van Sant- 2000

Costumo me referir a Encontrando Forrester como o melhor dos últimos filmes de Sean Connery. Ele também deve achar, porque depois de participar de produções como A Liga Extraordinária, decidiu se aposentar do cinema, para minha imensa tristeza!

Sean interpreta William Forrester, escritor com um único livro publicado, que vive recluso no seu apartamento, no Brooklin, desde que os críticos começaram a especular o que ele quis dizer quando no romance premiado com o Pulitzer. Um dia, Jamal, um jovem de 16 anos invade o apartamento do "esquisitão" e acaba esquecendo seus escritos que são lidos e corrigidos por William. Começa então uma relação professor-aluno e o jovem do gueto vê se abrir novas possibilidades na sua vida de garoto pobre. O filme lembra outro do mesmo diretor: O gênio indomável, anterior e de maior sucesso. Mas Encontrando Forrester é um filme simpático e Sean Connery está muito lindo!

 

Outros:

O vento e o leão, Ver-te-ei no inferno, A Casa da Rússia, Caçada ao Outubro Vermelho, Indiana Jones e a última cruzada, Armadilha, A Rocha...

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SOBRE PORNOGRAFIA

Na última edição nosso tema foi a indústria pornográfica.  Apresentei uma seleção que retratava algum aspecto desta indústria. O assunto gerou alguns comentários e dicas sobre filmes pornôs propriamente ditos e um questionamento: qual a diferença entre o cinema pornô e o erótico? Não sou expert no gênero, mas creio que o pornô não se preocupa com roteiro, apenas com cenas de sexo explícito. O erótico tende a ser um pouco mais sutil e conta uma história mais fechada. Aliás, já escrevi sobre o erotismo no cinema aqui.

Bem, vamos aos comentários.

Pornô feminista– o escritor e jornalista Roberto Cattani chama a atenção para a falta de menção à Erika Lust, a cientista política e cineasta sueca que vem revolucionando a indústria pornográfica. Com uma "pegada" feminista, ela é considerada uma pioneira do chamado novo cinema adulto, feito por mulheres e para mulheres, mas que agradam também aos homens já cansados da pornografia tradicional. Segundo matéria do El País, Erika também "criou o projeto The Porn Conversation, uma série de recursos para ajudar os pais a dar mais um passo nas conversas sobre sexo com seus filhos e a falar abertamente sobre pornografia com eles". Falaremos mais de Erika Lust oportunamente.



Love - o jornalista Celso Vicenzi recomenda Love, filme erótico em 3D! A produção é francesa, mas o diretor é o argentino Noé Gaspar. Ele disse que sua intenção com Love era fazer um filme extremamente sexual, que caracterizasse o "sexo real e emocional", o que acabou causando um certo furor em sua estreia no Festival de Cinema de Cannes.

Sinopse:Murphy (Karl Glusman) está frustrado com a vida que leva, ao lado da mulher (Klara Kristin) e do filho. Um dia, ele recebe um telefonema da mãe de sua ex-namorada, Electra (Aomi Muyock), perguntando se ele sabe onde ela está, já que está desaparecida há meses. Mesmo sem a encontrar há anos, a ligação desencadeia uma forte onda saudosista em Murphy, que começa a relembrar fatos marcantes do relacionamento que tiveram.

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E PARA ENCERRAR QUEM MELHOR QUE ELE...?

THE END

(*)Fotosdivulgação/reprodução

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Brígida Poli

Brígida Poli

é jornalista. Cinéfila desde criancinha, converteu-se à mania das séries depois de assistir a "Os Sopranos". Não se considera crítica de cinema, apenas alguém que gosta de trocar ideias sobre a sétima arte.

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