Abril 15, 2019

Milícia: empreendimento, criminoso. Muzema

Milícia: empreendimento, criminoso. Muzema
Reprodução G1

Os prédios que desabaram em Muzema, no Rio, mostram claramente o que é uma milícia. É um empreendimento, que visa dinheiro para a comunidade. Da mesma forma que os empreendimentos não-criminosos, migalhas para os operários e montes de dinheiro para os líderes do empreendimento. Mas as duas coisas, o empreendimento não-criminoso e o empreendimento criminoso têm o mesmo objetivo: Dinheiro. E a razão disso é simples: Sem dinheiro, as comunidades morrem de fome.

É inútil tentar deter os empreendimentos criminosos das milícias via policial e militar apenas. Pois sem dinheiro, as comunidades pobres morrem de fome. A intervenção militar é apenas um passo emergencial. A única solução definitiva é substituir os empreendimentos criminosos por empreendimentos honestos. Não existe outra solução definitiva.

A ferramenta para gerar empreendimentos honestos nas comunidades é educação. Mas não, naturalmente, essa educação obsoleta que está aí no Brasil. É necessária uma revolução radical da educação brasileira, seguindo a linha das educações que estão explodindo em resultados positivos nos países em desenvolvimento acelerado no mundo. Enquanto o Brasil está paralisado no assunto, em uma educação obsoleta, a da pura decoreba de textos e fórmulas das tais disciplinas básicas.

A educação do futuro assumirá responsabilidade total pelo sucesso das carreiras concretas de vida e trabalho dos indivíduos, de todos os cidadãos, do nascimento à morte. Visando gerar empreendimentos, empregos e rendas. Fará isso durante metade do seu tempo diario, e na outra metade injetará as tais matérias básicas – matemática, português, ciências, etc. – nas carreiras de vida e trabalho dos indivíduos, de modo a servir adequadamente aos objetivos concretos de tais carreiras.

Sem essa educação do futuro, as milícias continuarão a inserir nas comunidades pobres os seus empreendimentos criminosos, para produzir empregos e rendas, criminosos, para essas populações das comunidades pobres não morrerem de fome.

O novo Ministro da Educação deveria fazer o Ministério da Educação assumir essa responsabilidade, de forma adequadamente articulada com o Ministério da Segurança. Não é só o problema das milícias que exige essa solução. Essa revolução radical do sistema educacional brasileiro é a coisa mais fundamental que se impõe para resolver todos os problemas brasileiros. Todos. Os políticos e gerentes públicos que não enxergam isso têm que ser afastados, o mais cedo possível, via eleições democráticas, do poder que não têm inteligência e competência para exercer.      

*Ricardo Luiz Hoffmann é Formado em direito, técnico em assuntos educacionais da Universidade Federal de SC, aposentado.

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Redação Making Of

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