Janeiro 24, 2020
SÃO JOSÉ EM AÇÃO

Moisés apresenta a defesa na Assembleia

Moisés apresenta a defesa na Assembleia
RICARDO WOLFFENBÜTTEL/SECOM

O secretário Douglas Borba, chefe da Casa Civil, entregará na segunda (27), às 17h30, na Assembleia, a defesa do governador Carlos Moisés da Silva, da vice Daniela Reinehr e do secretário Jorge Eduardo Tasca (Administração) no processo que apura crime de responsabilidade pela equiparação dos procuradores do Estado com os da Assembleia. A informação foi corrigida em função da viagem do presidente Julio Garcia ao Sul do Estado, que mudou a data e o horário da ida de Borba ao parlamento, inicialmente prevista para esta sexta (24).

A denúncia feita pelo defensor público Ralf Zimmer Júnior, que pede o impeachment do três, baseia-se no veto de Moisés, apresentado em fevereiro do ano passado à emenda que previa a equiparação, dentro da Reforma Administrativa, sob a alegação de falta de recursos, e , mais tarde, o ato ser revertido com pagamentos a partir de setembro do ano passado.

O argumento do governo do Estado é o de que não há contradição entre o cumprimento de decisão judicial, em acórdão do Tribunal de Justiça, que obriga o pagamento isonômico e o veto, que ocorreu, ainda de acordo com a defesa, pela ausência de estimativa de impacto financeiro, exigência da Lei de Responsabilidade Fiscal, no parágrafo primeiro do artigo 17.

 

Outros interesses

As peça de defesa do governador, ao contrário de comentários que circulavam nos bastidores do governo, não avança no pano de fundo da denúncia de Zimmer Júnior, uma ação política que atenderia aos interesses corporativistas da categoria, que por ora não chega a representar, as cobranças de reajuste salarial e o grande embate que virá com a discussão da Minirreforma da Previdência.

O conteúdo da argumentação é técnico e dá a noção de que o governo ficou embretado e não teria para onde correr, caso não cumprisse a decisão do TJ, mas não deve ser ignorado que o julgamento, se existir, será sempre político.

 

Moro está sob ataque de novo

Apoiadores catarinenses do ex-juiz federal e hoje ministro Sérgio Moro estão como o mesmo sentimento de muitos parlamentares que, há tempos, são fãs de carteirinha do integrante do governo de Jair Bolsonaro, que parece estar sob ataque com a possibilidade real de perder a Segurança Pública da pasta que ocupa.

Ficar somente com a Justiça, caso Bolsonaro desvincule a Segurança e crie um novo ministério, desidratada Moro e vai de encontro aos resultados positivos de diminuição da criminalidade, muito pela ação de Moro, que promove uma grande integração de inteligência entre os vários setores de combate à violência, ao crime organizado e à corrupção.

 

O porquê

Alçado à condição de estrela pelas duras sentenças que proferiu na Operação Lava Jato, Moro só aceitou ir para a Esplanada e dar um basta na carreira de magistrado porque Justiça e Segurança estariam juntas sob suas ordens.

No âmbito da especulação, como integrante do governo teria, no futuro, a possibilidade de virar ministro do Supremo Tribunal Federal ou candidato à Presidência da República, fato que provoca ciumeira em diversos segmentos do poder que gravitam em torno de Bolsonaro.

 

Fato

Moro, na maioria das vezes, é maior do que o governo, o que incomoda os conservadores mais ligados a Bolsonaro, embora o assunto durma longe de qualquer vazamento.

Na prática, o ministro da Justiça e ainda da Segurança Pública, que tem milhares de seguidores fiéis em Santa Catarina, é aquele indivíduo que você convida para fazer parte de sua equipe e não consegue dispensar depois, no popular mandar para casa, demitir, exonerar.

 

Quem está por trás

Separar a Segurança Pública da Justiça tira os superpoderes de Moro e interessa há muitos.

Um deles, sabidamente, é o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), presidente da Câmara e “dono” da pauta do Congresso, sob a alegação de que a segurança precisa de mais autonomia e recursos para aumentar o combate à criminalidade, notoriamente em estados como o Rio de Janeiro, base do parlamentar, sem esquecer o que o ministro pode representar em 2022 ou 2026.  

 

DIVULGAÇÃO

MAIS UM NO SUL

Vereador Júlio Kaminski antecipou o que só vai oficializar na janela partidária em março próximo e anunciou a filiação no DEM. Kaminski, um dos maiores críticos ao prefeito Clésio Salvaro (PSDB), quer disputar o cargo no Executivo e já se posiciona como pré-candidato. A foto mostra o vereador em meio à direção municipal do DEM em Criciúma, que é presidida por Lisiane Tuon, e os pré-candidatos a Câmara pela sigla. A vinda de Kaminski é comemorada pelo presidente estadual João Paulo Kleinübing. Interessante é que o Kaminski foi o coordenador da campanha a deputado federal do ex-vereador Daniel Freitas (PSL), ligado ao presidente Jair Bolsonaro e de malas prontas para seguir com a Aliança Pelo Brasil.

 

O time cresce

Na expectativa é grande para saber quantos adversários o tucano Clésio Salvaro terá que enfrentar.

Na pista já estão, além do neo-demista Kaminski, a advogada Julia Zanatta (PL) e o coronel PM Cosme Manique Barretto (Podemos) – que terão, juntos ou separados, o apoio incondicional dos bolsonaristas -, e uma eventual união da esquerda, que pode ter Chico Balthazar ou Doutor Juliano, pelo PT, e a já pré-anunciada intenção do vereador Douglas Mattos (PCdoB), em concorrer.

 

Não colou

A Grow (junção dos nomes Green e Yellow) decidiu retirar os patinetes elétricos de 14 cidades, entre elas Florianópolis e São José, em Santa Catarina, e as capitais Porto Alegre e Belo Horizonte.

A empresa alega reestruturação, mas foi impactada por duas questões: a decisão do tipo de condução passar por regramento – até crianças de 12 anos chegaram a pilotar os bólidos pelas ruas da Capital, em pleno trânsito no Centro e ruas movimentadas, em um primeiro momento – e pelo fim do modismo em muitas comunidades.

 

Vandalismo

A empresa alega que não podia arcar com o vandalismo do equipamento, uma vergonha para a cidade e responsabilidade de todos, autoridades e usuários.

Era visível o abandono das bicicletas e patinetes elétricos, mas este não é o motivo principal, pois a atividade desapareceu em centros maiores do que Florianópolis e São José.

 

* ÔNIBUS: Enquanto avança a proposta da integração do transporte coletivo na Grande Florianópolis é preocupante ver Palhoça fora da primeira etapa por questões burocráticas e políticas.

* PONTE VIVA: A partir do dia 27 deste mês, quando for aberto o tráfego na Ponte Hercílio Luz, apenas este tipo de Circular, o 1.119-Ponte Viva, vai poder passar pela estrutura reformada, assim como carros oficiais, viaturas da PM, da Polícia Civil, bombeiros e ambulâncias.

* MACROALGA: O deputado estadual Jair Miotto (PSC) comemorou a informação de que o Ibama permitiu o cultivo de Kappaphycus Alvarezii, a macroalga, no litoral catarinense, causa da qual se tornou um entusiasta.

* FINALIDADE: A macroalga, que faz parte de estudos da Epagri, produz matéria-prima para as indústrias química e de alimentos e pode representar uma importante fonte de renda para os maricultores.

* LUTO: O governador Carlos Moisés da Silva decretou luto oficial de três dias pela morte do desembargador aposentado João Martins (foto), falecido aos 86 anos, que foi presidente do Tribunal de Justiça, do Tribunal Regional Eleitoral e da Associação dos Magistrados Catarinenses (AMC).

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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