Fevereiro 05, 2019

Moisés busca o apoio para a governabilidade

Moisés busca o apoio para a governabilidade
MAURÍCIO VIEIRA/SECOM

Na posse do conselheiro Adircélio de Moraes Ferreira Júnior na presidência do Tribunal de Contas do Estado (TCE), na segunda (4), o governador Carlos Moisés da Silva ficou ao lado do presidente da Assembleia, deputado Julio Garcia, mas os dois não tiveram qualquer conversa, além do protocolar cumprimento. O ambiente não era o adequado e, pela liturgia do cargo, Moisés terá outra chance no contato desta terça (5), quando fará a leitura da mensagem anual do chefe do Executivo na sessão do parlamento, a partir das 15h. Nos bastidores, o evento é tão importante quanto a primeira de muitas reuniões que o governador fará com as bancadas, que será inaugurada com a maior delas, a do MDB, em jantar na Casa d’Agronômica, também nesta terça. No processo de convencimento, Moisés lembrará que foi eleito com 2.644.179 votos (71,09% dos votos válidos) para propor medidas de modernização e enxugamento da máquina. O argumento é dos melhores, porém esbarra na realidade do Estado de Direito, onde o papel da Assembleia e de seus deputados não é medido pelo número de votos de seus 40 integrantes, mas de sua atribuição constitucional de analisar e criar leis e fazer a fiscalização do Executivo. São representatividades diferentes, independentes e harmônicas, conforme a lei.

 

Em números

Os 40 deputados eleitos de Santa Catarina garantiram juntos 1,539 milhão de votos, mais do que pessedista Gelson Merisio (1.075.242), que disputou o segundo turno com Moisés, ou que o total de votos em branco e nulos e abstenções (1.349.138) na eleição do Executivo. Este dado vai além dos números, trata-se de um atestado de legitimidade conferido nas urnas e que não deve ser ignorado, ou seja, não há como impor vontades, é necessário construir a governabilidade no parlamento pelo diálogo, um desafio muito maior depois que as últimas eleições fulminaram o toma lá dá cá de cargos e de convênios em troca de apoio.

 

No Imetro

Antes de ir à Assembleia, Moisés participará de uma rápida troca de comando no Imetro. O subtenente PM Rudinei Floriano assume no lugar do emedebista João Carlos Ecker, que, diferentemente da regra, deixa projetos adiantados e dinheiro em caixa no instituto que executa as funções do Inmetro, o órgão nacional, em Santa Catarina.

 

GUTO KUERTEN/DIVULGAÇÃO

JORNADA PELOS GABINETES

No time dos jovens na política, embora não estreantes, o presidente estadual do PSL e secretario de Desenvolvimento Econômico Sustentável e Turismo do Estado, Lucas Esmeraldino, visitou uma série de gabinetes de deputados na Assembleia. Entre eles, Jerry Comper (MDB), à esquerda. Esmeraldino faz parte da tarefa do Executivo em se aproximar dos parlamentares e por a secretaria à disposição para as reivindicações do Alto Vale.

 

Setor produtivo

Lucas Esmeraldino vinha de um encontro que reuniu mais de 30 entidades empresariais, entre elas a Fecomércio, a Fiesc e a Facisc, que sediou a reunião, onde informou que a pasta do desenvolvimento Econômico Sustentável e Turismo pretende captar R$ 14 bilhões nos próximos quatro anos para investimentos por meio de programas e projetos. O secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável reforçou os cinco pilares da administração Carlos Moisés da Silva: a efetividade, a transparência e a celeridade no modelo de governança; gestão orientada para resultados;  foco na otimização e dinamicidade dos processos; a sinergia entre pessoas, competências e lugares; e a potencialização do portfólio de programas, projetos, produtos e serviços.

 

Perseguido

O DEM repete no governo Bolsonaro a sina que acompanhou a sigla, quando era PFL, responsável pela governabilidade nas administrações de Fernando Collor, Itamar Franco e Fernando Henrique Cardoso: era um perseguido pelo poder pelas mãos, entre outros, de um astuto Jorge Bornahusen. Papel que o PMDB desempenhou, em paralelo, inclusive nos governos do PT, o que afastou o DEM do Planalto.

 

No comando

Além de Rodrigo Maia (RJ) e Davi Alcolumbre (AP) nas presidências, respectivamente, da Câmara e do Senado, o partido tem os ministros Luiz Henrique Mandetta (Saúde), Tereza Cristina (Agricultura) e Onyx Lorenzoni (Casa Civl), todos deputados federais. E não se esqueça que Julio Garcia, presidente da Assembleia, hoje no PSD, é um legitimo PFL-raiz, mudou apenas para o DEM quando da reinvenção da Frente Liberal, antes de se filiar ao PSD depois de oito anos no TCE. Julio jamais foi filiado ao PDS, caminho comum de muitos que integraram a sigla demista.

 

Futuro

Com tanta exposição, embora teve desempenho fraco em Santa Catarina nas últimas eleições, basta esperar por uma debandada em direção aos Democratas. Um dos indicativos será o aproveitamento, mais cedo ou mais tarde, do presidente estadual, o ex-deputado federal e prefeito de Blumenau João Paulo Kleinübing, na administração federal.   

 

RAFAEL WIETHORN/DIVULGAÇÃO

LÍDER COM MORO

O senador Jorginho Mello, anunciado como líder do PR na casa, posou ao lado do ministro Sérgio Moro (Justiça e Segurança Pública) durante a abertura oficial do ano Legislativo. Jorginho apoia a Lei Anticrime, anunciada por Moro, que pretende oficializar a prisão depois da condenação em segundo grau, hoje apenas um entendimento do Supremo Tribunal Federal, volta e meia questionada. O mesmo projeto declara guerra ao crime organizado, às facções que agem nos presídios e penitenciárias, e criminaliza o caixa dois nas campanhas eleitorais. Aguardem polêmica em torno do que Moro apresentou, principalmente por parte da OAB e do Ministério Público.   

 

Exagero?

Na divulgação do boletim médico em que explicou que o presidente Jair Bolsonaro teve febre e algumas alterações nos exames, feitos no Hospital Albert Einstein, o que pode indicar um quadro de infecção após a cirurgia de retirada da bolsa de colostomia, o porta-voz Otávio do Rêgo Barros pode ter exagerado. Perguntado sobre seu encontro com o presidente, agora na unidade semi-intensiva para uso de antibióticos o que deve levar a alta para depois do dia 11 deste mês, Rêgo Barros disse que prestou continência ao líder que “luta pela vida para governar o país”. Isso tirado do contexto gera intranquilidade.   

 

DIVULGAÇÃO

FOTO OFICIAL

A abertura da 56ª legislatura da Câmara também é momento para eternizar a estreia no mandato. Por isso, os deputados federais Daniel Freitas, Caroline De Toni e Coronel Armando, todos do PSL catarinense, fizeram questão de registrar a participação no ato ao lado do líder do governo Major Vítor Hugo (PSL-GO). Notaram a ausência do quarto integrante da bancada federal pesselista, Fábio Schiochet, pois isso deve significar que aquela ação que mudou a configuração do diretório do PSL no Estado ainda não está bem digerida.

 

De porte

Os governadores Carlos Moisés da Silva, de Santa Catarina; Eduardo Leite (PSDB), do Rio Grande do Sul; e Wilson Miranda Lima (PSC), do Amazonas, participarão de um painel sobre o papel da inovação na Administração Pública, na Softplan, instalada no Sapiens Parque, em Canasvieiras. O evento programa 101 Dias de Inovação do Setor Público, é promovido pela WeGov e Softplan, começas às 14h e terá ainda a participação do Ministério das Ciência, Tecnologia da Informação e Comunicações.

 

 

* Grupo de Trabalho que envolve as secretarias da Fazenda, Casa Civil e Administração e Procuradoria Geral do Estado analisará as renúncias fiscais concedidas pelo governo para adequar a administração Moisés no máximo de 16% da receita bruta de impostos.

 

* Ficou entusiasmado por acreditar que aqueles seis grandes grupos do varejo que, há mais de uma década, não pagam ICMS e ainda têm créditos fiscais para virarem credores do Estado, entrarão no corte, tire o cavalo da chuva: estão blindados.

 

* Posse da nova direção do TCE inclui os conselheiros Herneus De Nadal, vice-presidente; e Wilson Rogério Wan-Dall, reconduzido na corregedoria-geral.

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roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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