Fevereiro 06, 2019

Moisés dá o pontapé inicial na Assembleia

Moisés dá o pontapé inicial na Assembleia
FÁBIO QUEIROZ/AGÊNCIA AL

Pelo menos quatro fatos marcaram a passagem do governador Carlos Moisés da Silva pela Assembleia: entrou pela porta da frente do Palácio Barriga Verde, falou com a imprensa sem blindagem, usou o tablet e entregou mídias (pencard) aos parlamentares (em 72 laudas) para marcar o fim do papel que decretou na administração estadual, além de dar as linhas gerais da economia que pretende com a reforma administrativa para combater um déficit de cerca de R$ 2,5 bilhões com um rigoroso enxugamento da máquina pública. O grande passo em direção ao necessário apoio dos deputados às demandas do Estado começou a ser dado, horas depois, no primeiro encontro que Moisés fará com as bancadas da Assembleia, em torno de uma paella. Em um jantar considerado “amistoso” pelos deputados do MDB, a maior bancada, na Casa d’Agronômica, o governador voltou a pedir apoio para os projetos que enviará ao Legislativo. O que está cristalino, por parte dos deputados, é que a pretendida reforma não será o problema do governador, com a ressalva de passar pelo crivo dos devidos ajustes, mas no futuro próximo, quando outros projetos chegaraem ao Legislativo, exigirão do governo uma maior vivência com a casa.   

 

Aceno

O governador conversou com os emedebistas e afirmou que as emendas impositivas dos deputados, previstas no Orçamento deste ano, serão pagas pelo Estado. As anteriores, não.

 

Agenda

Nesta quarta (6), Moisés se encontra com as bancadas do Bloco PSL e PR, nove parlamentares. E, na semana que vem, será a vez do bloco PSDB, PDT, PSC e PSD, com 10 parlamentares, o bloco Progressistas, PSB, PRB e PV, com oito parlamentares, e o PT, que tem quatro parlamentares, em datas ainda em processo de agendamento pela Casa Civil.

 

Novo apelo

Moisés voltou a pedir aos demais poderes, Legislativo e Judiciário, e aos órgãos com independência financeira, Ministério Público e Tribunal de Contas, para que promovam a mesma economia que o Executivo. O governador define que o exemplo dado pelo Executivo deveria valer para os demais, que deveriam devolver as sobras a partir do que puderem cortar. Para Moisés, a situação financeira do governo é de “alta gravidade”.

 

Na ponta do lápis

Pelos cálculos do governo, a venda das aeronaves, que gerarão R$ 14 milhões em quatro anos, mais R$ 40 milhões com o pregão eletrônico, os R$ 89 milhões com o corte de 922 cargos comissionados e os R$ 29 milhões com a não utilização do papel representam parte do esforço. O total seroa de R$ 172 milhões. O cafezinho, banido em nome da economia, seriam mais R$ 2 milhões.

 

Em campo

O líder do governo, deputado Onir Mocellin (PSL), fez visita à diretoria da Fiesc, nesta quarta (6), e ouviu do presidente da entidade a preocupação com a revisão dos incentivos fiscais, objeto da análise de um grupo dentro do governo, capitaneado pela Secretaria da Fazenda. A próxima reunião de Mocellin, que admite que o assunto também preocupa o governo, é com o presidente da Facisc, Jonny Zulauf. A LDO determinou que os valores deveriam cair de 25% para 16%.

 

Em outra frente

O deputado Milton Hobus (PSD) quer a anulação de três decretos 1.860/2018 e 1.866/2018 e 1867/2018, que, de acordo com o parlamentar resultam em aumento do preço de produtos por alterar a alíquota do ICMS. A justificativa do governo é a necessidade de adequar as renúncia fiscal aos patamares previstos na LDO, que atendem deliberação federal. Anteriormante, Hobus esteve dos dois lados da medida que pretendia diminuir de 17% para 12% o ICMS estadual sobre as vendas da indústria para o varejo, e agora acredita que, se o governo não retroagir nesta nova medida, a Assembleia poderia agir para mudar a questão.

 

MAURÍCIO FREITAS E CARLOS MELLO/DIVULGAÇÃO

AO LADO DELE

Passagem do governador pelo plenário foi momento para que parlamentares fizessem o registro de conversas com o pesselista. A tendência é que Vicente Caropreso (à direita), do PSDB, seja mais próximo da situação, e que Ivan Naatz (à esquerda), do PV, fique na oposição, mas, como compõem blocos diferentes, tudo pode ocorrer. Os deputados, quando estão longe do contato ou da tietagem com o governador, pedem que ele mude o discurso de campanha e parta para ações. É cedo, o governo mal completou um mês.   

 

No vídeo

Está cada vez mais próxima a abertura da CPI da Ponte Hercílio Luz. Autor da proposta, o deputado Bruno Souza (PSB) comemorou a adesão dos colegas Ricardo Alba, líder do PSL, e Fernando Krelling (MDB). Os mais de R$ 700 milhões que teriam sido utilizados nas obras até hoje são motivo mais do que suficiente para investigar. O risco é que a comissão vire palanque, até porque o Ministério Público, para onde irão as conclusões, já está em cima do caso e propondo ações a todo momento para responsabilizar os eventuais responsáveis por supostos desvios. Assista.

 

MOREIRA MARIZ/AGÊNCIA SENADO

PELA REGIONALIZAÇÃO

O registro é do final do ano passado e mostra o senador catarinense Dário Berger (MDB) ao lado de um dos vice-presidentes do Senado, à época, Davi Alcolumbre (DEM-AP), hoje presidente do Congresso Nacional. Na tarde desta quarta (6), a casa escolhe os representantes da mesa diretora, e uma Proposta de Emenda Constitucional de Dário defende que o comando da casa seja integrado por, no mínimo, um senador eleito em cada uma das regiões do país em nome do equilíbrio federativo. A PEC mofa em uma gaveta ou arquivo digital do Senado, só para variar.

 

Líderes

João Amin (Progressistas), Maurício Eskudlark (Bloco PSL e PR), Fabiano da Luz (PT), Luiz Fernando Vampiro (MDB), Ricardo Alba (PSL), Onir Mocellin (PSL, Governo), Ivan Naatz (PV), Jair Miotto (PSC), Sergio Motta (PRB) são alguns dos líderes já definidos na Asssembleia. O papel é relevante.

 

CCJ

O experiente Romildo Titon (MDB) volta a presidir a poderosa Comissão de Constituição e Justiça. Tinha gente no partido que queria Luiz Fernando Vampiro nesta posição privilegiada.

 

Não sai

O prefeito Gean Loureiro tem muitas diferenças com a cúpula nacional do MDB por algumas posturas equivocadas, vide a indicação da bancada para que Renan Calheiros disputasse a presidência do Senado. Mas não pretende deixar a sigla como alguns adversários andam a espalhar.

 

É evidente

Gean batalha pela reeleição, com extensa lista de realizações e obras, a próxima a inauguração da UPA do Continente, que parecia ter um atropa de burros enterrada no local. No bom português, burricada, manada e burrada, entre outros coletivos. E, se sair vitorioso, vitamina o nome para concorrer ao governo, em 2022, em uma chpa que poderá ter o também emedebista Udo Döhler de vice, daí tanta ciumeira preventiva.  

 

Mesmo caminho 1

Em 1987, sem mandato depois de concorrer ao governo e perder para Pedro Ivo Campos (PMDB), o então ex-deputado federal e secretário de Agricultura Vilson Kleinübing (PFL) mudou o domicílio eleitoral para Blumenau e concorreu à prefeitura, no ano seguinte, apoiado pelo empresariado local. Era o trampolim para, em 1990, Kleinübing, que não havia sido prefeito, se tornar governador do Estado.

 

Mesmo caminho 2

Agora, depois de vender aos quatro ventos que seria o governador do Oeste, Gelson Merisio (PSD), sem mandato e derrotado por uma verdadeira lavada por Carlos Moisés (PSL), anuncia aos mais próximos que pretende trocar de domicílio eleitoral para Joinville. Quase 32 anos depois, Merisio repete a estratégia de Kleinübing, justamente no maior colégio eleitoral do Estado, onde é um ilustre desconhecido e, cogita-se, pode vir a disputar a prefeitura em 2020. A tática só esbarra nos rumos que o eleitor deu à política.

 

HAUDREY MAFIOLETE/DIVULGAÇÃO

UM “TEST-TABLE”

Por alguns minutos, a deputada federal Geovania de Sá (PSDB) presidiu parte da primeira sessão da Câmara, nesta terça (5). Reeleita para o segundo mandato, Geovânia ficou como suplente entre os 11dos 513 que compõem a mesa diretora da casa. Comandar os trabalhos foi um verdadeiro “test-table”.

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roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News, e editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Faz comentários sobre política e economia.
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