Setembro 25, 2020

Moisés desafia a crise

Moisés desafia a crise
JULIO CAVALHEIRO/SECOM

Ao inaugurar os oito quilômetros a nova rodovia que dá acesso ao Sul da Ilha de Santa Catarina e ao Aeroporto Hercílio Luz, em Florianópolis, o governador Carlos Moisés da Silva (foto) disse em discurso que aproveitadores tentam atrapalhar a sua administração sem citar explicitamente o tema impeachment, que evitou tratar com os jornalistas credenciados para a cobertura.

Moisés tem buscado focar na entrega de obras, repasses de recursos e anúncios como o pagamento, no dia 16 de outubro, de 50% da antecipação do décimo terceiro do funcionalismo estadual, uma série de ações positivas, acrescidos da excelente notícia de que nenhuma área do Estado está em situação gravíssima no enfrentamento da pandemia da Covid-19.

O lado B da rotina do governador tem sido menos agradável, embora tenha recebido o apoio de oficiais militares, que se insurgem contra o que qualificam de ato contra a democracia e a ordem pública, em referência aos fatos que ocorrerem na Assembleia, e recebido inúmeros apoios transformados em centenas de notícias divulgadas pela imprensa nacional contra seus adversários, principalmente o presidente Julio Garcia (PSD), e reproduzidas nas redes sociais insistentemente.

 

Fato

O problema é que boas ações não impediram que a falta de tato político e que o distanciamento da composição com outras siglas resultasse no que está aí, uma execução no Legislativo, onde o que menos interessa são os motivos, tenham eles “justa causa” ou se enquadrem em um crime de responsabilidade.

Tanto que os detratores preferem encontrar subterfúgios do que afirmar os reais motivos que os movem em direção ao impeachment, um amontoado de causas pessoais e uma raiva acumulada impressionantes, como se acabar com a carreira de Moisés e Daniela Reinehr significasse uma questão de sobrevivência para a política tradicional. Esta cruzada parece vencedora.

 

Banalização

A onda de processos de impeachment que já está em curso no país e não poupa sequer o presidente Jair Bolsonaro, demonstra que o dispositivo legal para identificar faltas graves está banalizado.

A subjetividade do gostar ou não gostar, achar incompetente ou destilar ódio e raiva, não deveria valer como argumento legal, só que é esta a matéria-prima do que segue no Legislativo. 

 

Discurso reforçado

Não é a primeira vez que o secretário André Motta Ribeiro (Saúde) usa a retórica de que há mais de uma pandemia, ao se referir antes às notícias falsas (fake news) e agora aos ataques ao governador e à vice no processo que corre na Assembleia.

Servidor de carreira e executor da política de combate ao Coronavírus, Motta Ribeiro também sempre esteve no centro de cobranças destemperadas e da cobrança de parlamentares sobre o envolvimento no pagamento de R$ 33 milhões antecipados pelos 200 respiradores que jamais chegaram para as UTIs. 

 

Virou meme

A declaração, tirada de contexto, do deputado Fabiano da Luz (PT), presidente da nova Comissão Especial do segundo pedido de impeachment na Assembleia, em que diz que, a cada dia, PT e PSL, da deputada Ana Caroline Campagnolo, estão cada vez se entendendo mais.

Olha, os eleitores mais furiosos de ambos os lados não vão perdoar esta declaração nem que seja de "brincadeirinha". 

 

O que esperar

A instalação do Tribunal Especial de Julgamento ou Comissão Julgadora ou Tribunal Misto nesta sexta (25), às 10h, no Plenário Osni Régis do legislativo estadual, terá um valor específico: a escolha do relator do processo de impeachment, que terá a missão de fazer o a peça que levará ao afastamento, por até 180 dias, de Moisés e Daniela.

Se for um magistrado, que dificilmente não seguirá a tradição do Judiciário em não modificar decisões da Assembleia, a tendência é que acabe dando uma antecipação de voto quando emitir um parecer a ser entregue ao colegiado formado por parlamentares e desembargadores do Tribunal de Justiça.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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