Dezembro 29, 2019

Moisés deveria ter convidado Colombo

Moisés deveria ter convidado Colombo
JULIO CAVALHEIRO/SECOM

Não há protocolo, cerimonial ou princípio de etiqueta que substitua o respeito ao responsável por uma grande obra ou qualquer legado, tanto no aspecto público quanto no privado, o que transforma o não convite do governador Carlos Moisés da Silva (PSL) ao ex-governador Raimundo Colombo (PSD), à cerimônia de reinauguração da Ponte Hercílio Luz, em um enorme equívoco.

O assunto transcende a política, talvez nem chegue ao cidadão comum como a gafe que se constitui, mas arranha imagens.

De qualquer ângulo que se avalie ou se olhe para a delicada situação criada, o efeito é ruim, que só uma enorme falha justificaria em parte.

Moisés perdeu a oportunidade de se firmar como um estadista que está acima de mazelas e da eventual má orientação de quem via alguma ameaça ou melindre na presença do ex-governador e Colombo ganhou um discurso para ter, mais uma vez, valorizada a decisão que garantiu a entrega histórica da ponte, um símbolo de Santa Catarina.  

 

Retaliação

Colombo bateu forte em alguns momentos do governo de Moisés, principalmente na questão dos incentivos fiscais, enquanto a discussão se alastrava do setor produtivo à Assembleia.

O ex-governador foi voz ativa no contraponto à Tributação Verde, que taxaria o ICMS sobre os agrotóxicos, açõa que provocou muita repercussão, fato que, para quem acompanha a cena política, teria sido decisiva para a negativa do convite. Se foi, misturaram alhos com bugalhos. 

 

Moreira vai

O antecessor de Moisés, o ex-governador Eduardo Pinho Moreira (MDB), foi convidado por carta à reinauguração da Ponte Hercílio Luz e confirmou a presença, acompanhado do ex-governador Casildo Maldaner (MDB), e ambos de Uber, para atender ao apelo por não usar veículo próprio. Outro ex-governador, Leonel Pavan (PSDB), estará presente e confirmou o convite.

No relógio da história, a recuperação, que começou ainda na administração de Luiz Henrique (MDB), mas ganhou impulso nos três últimos anos de Colombo, passou pelos 10 meses do governo de Moreira.

 

Os demais

A coluna procurou outros ex-governadores (Esperidião Amin, do PP; Paulo Afonso, do MDB) que ainda não confirmaram sobre o convite, o que poderia expor uma falha maior ainda do cerimonial do Centro Administrativo.

Os ex-assessores de Colombo, alguns deles de muito tempo, como Lauro Prunner, que foi seu chefe de Gabinete no Senado e no Centro Administrativo, por mais de uma década, chegaram a procurar até este sábado (28), na caixa de correspondência, algum tipo de convite, que poderia ter vindo por carta, sem sucesso.

 

Posicionamento

O ex-governador Jorge Bornhausen respondeu à coluna, como sempre, de maneira absolutamente clara:

"Eu não recebi e não iria se fosse, pois não participaria de ato em que o grande artífice da obra o ex Gov Colombo está sendo vítima de uma grosseria".

 

Um voto pelo otimismo

Os brasileiros poderiam estar na comemoração de um crescimento de 9,5% das vendas nos shoppings do país durante o Natal em relação ao ano passado, também com o aumento da vendas online e a queda da taxa de desemprego de 11,2%, no trimestre encerrado em novembro, mas a preferência de parcela significativa da população é por manter o mau humor e o pessimismo.

As questões ideológicas e políticas, que ainda separam os que venceram as eleições com Jair Bolsonaro e os derrotados que apoiam Lula, têm papel relevante na onda que não soma nada ao ânimo da nação, basta dar uma olhada nas redes sociais, abrigo de quem parece alimentar a cizânia e o ódio.

 

E tem mais

Notadamente, os catastrofistas instalados nos extremos de direita e esquerda não são a maioria da população, mas influenciam quando o assunto é olhar para o futuro apenas sob a ótica da contrariedade.

O ano pode não ter sido perfeito, talvez porque é vivido por seres imperfeitos, mas a perspectiva de uma melhora no cenário econômico, a chegada de medidas como a Reforma Tributária e a inclusão de estados e municípios na Reforma da Previdência, são muito mais interessantes do que usar problemas para fomentar o discurso eleitoral de 2020, em vez de esperar por um ano melhor.

 

Os desafios

Tanto em Brasília quanto em Santa Catarina, os governos não estão imunes a desafios comuns: manter o nível de cortes na máquina pública e garantir recursos para o investimento.

Iniciativas já foram tomadas, os primeiros passos da rediscussão do Pacto Federativo e os recursos da cessão onerosa do petróleo, do pré-sal, mesmo que sejam considerados paliativos, criam um clima de diminuição de problemas para fechar as contas das prefeituras.

 

O maior de todos

A economia nos trilhos ajuda a política, sempre foi e será assim, algo capaz de eleger aliados com facilidade de norte a sul, saem que seja o suficiente para esquecer do principal.

De longe o maior de todos os males é o desemprego endêmico, que supera a casa de 12 milhões de brasileiros, sem contar os desalentados, e que carrega muita gente para a informalidade desde o governo de Dilma Rousseff (PT), e olha que ela foi afastada da Presidência em 2016, antes de sofrer o impeachment.    

 

Mais polêmica

O deputado estadual Bruno Souza (NOVO) encerra o ano com uma derrapada se considerado o trabalho bem executado de estreia no parlamento, onde, além de uma série de medidas de contenção de gastos no gabinete, o trabalho de defesa da constitucionalidade em plenário e nas comissões, liderou a importante CPI da Ponte Hercílio Luz, proposta por ele.

Nas redes sociais, Bruno informou que, em uma enquete que propôs, a maioria de seus seguidores optou por “Separar Santa Catarina” do restante do país, um ataque xenofóbico desnecessário, que, de cara, contraria a Constituição do Estado.

 

A realidade

O que todo o separatista ignora ou não gosta de propagar, incluindo o histórico movimento catalão, que pede o rompimento com o Reino da Espanha, é que qualquer saída de um país pressupõe pagar o percentual da dívida com bancos internacionais, nacionais, a União e outras nações.

O discurso da cisão sempre ganha adeptos facilmente, até mesmo no Brexit, que separou economicamente a Inglaterra da União Europeia, um divórcio que terá consequências perigosas em futuro próximo, e denota a pretensiosa retórica de se considerar acima dos demais estados da federação, principalmente no caso catarinense em relação ao restante do Brasil.

 

Está escrito

Bruno Souza contraria a própria Constituição do Estado de Santa Catarina, que jurou cumprir e proteger na posse, ao estimular o separatismo.

É só ler o preâmbulo e o artigo 1º, que afirmam:

PREÂMBULO

O povo catarinense, integrado à nação brasileira, sob a proteção de Deus e no exercício do poder constituinte, por seus representantes, livre e democraticamente eleitos, promulga esta Constituição do Estado de Santa Catarina.

TÍTULO I

DOS PRINCÍPIOS FUNDAMENTAIS

Art. 1º O Estado de Santa Catarina, unidade inseparável da República Federativa do Brasil, formado pela união de seus Municípios, visando a construção de uma sociedade livre, justa e solidária, preservará os princípios que informam o Estado Democrático de Direito e tem como fundamentos: I - a soberania nacional; II - a autonomia estadual; III - a cidadania; IV - a dignidade da pessoa humana; V - os valores sociais do trabalho e da livre iniciativa; VI - o pluralismo político.

 

FLAVIA MOTA/DIVULGAÇÃO

UMA EVOLUÇÃO

O registro da foto, da esquerda para a direita, com o procurador de Justiça Davi Espírito Santo, coordenador do Centro de Apoio Operacional do Controle de Constitucionalidade, o prefeito Joares Ponticeli (PP), de Tubarão, presidente da Fecam; e o procurador-geral de Justiça Fernando da Silva Comin, chefe do Ministério Público de Santa Catarina, é um marco para a transparência administrativa no Estado. Eles firmaram um termo de cooperação para a implantação do Programa Transparência Legal, que, entre outras medidas, disponibilizará, via Consórcio de Informática na Gestão Pública (CIGA), o já consolidado Diário Oficial dos Municípios, que será integrado a uma plataforma própria, sem custos adicionais, que trará outras informações ao contribuinte.

 

Em números

Só a economia de papel com o Diário dos Municípios é calculada pelo CIGA em duas voltas na terra a cada um mês, um canal de comunicação oficial de 613 organizações públicas, utilizado por 262 das 295 prefeituras catarinenses.

As etapas a serem cumpridas começam a ser definidas a partir de janeiro de 2020 com a participação das 11 instituições que assinaram o termo de cooperação: Fecam, Ministério Público estadual, CIGA, Controladoria-Geral do Estado de Santa Catarina (CGE-SC), Assembleia Legislativa, Tribunal de Justiça, Tribunal de Contas do Estado, Ministério Público de Contas do Estado, OAB-SC, União de Vereadores (Uvesc), Observatório Social do Brasil em Santa Catarina (OSB/SC).

 

Ainda não

Habeas corpus solicitado pelo prefeito de Lauro Müller, Valdir Fontanella (PP), afastado do cargo no início de dezembro, foi negado pelo presidente do Superior Tribunal de Justiça, ministro João Otávio Noronha.

Fontanella deixou o cargo depois de um pedido do Gaeco, que realizou uma operação que investiga irregularidades na administração municipal, denominada Seguindo Rastro, e o vice-prefeito Pedro Barp Rodrigues (PP) está na interinidade do cargo desde então.

 

* ÁCIDOS 1: Críticos do prefeito Gean Loureiro (DEM, de Florianópolis, deveriam ter mais critério para o ativismo nas redes sociais, agora embalado até por conta de afogamentos em Canavieiras.

* ÁCIDOS 2: Gean agiu rápido e, em função das obras de alargamento na faixa de areia, reclamada há décadas, reuniu-se com líderes, moradores, bombeiros militares e Guarda Municipal, para intensificar a fiscalização em uma das parais mais procuradas pelos turistas.

* DIRETO DE BRASÍLIA: O Complexo de Segurança Pública da Delegacia Regional de Polícia de Joinville recebeu uma emenda de R$ 1 milhão do deputado federal Rodrigo Coelho (PSB), que, em 2020, servirá para as obras na Avenida Marquês de Olinda.

* FOCO NA SEGURANÇA: Coelho também informou que, uma emenda de bancada no valor de R$ 4 milhões, será destinada à Polícia Militar para a Polícia Militar da região do mais populoso município catarinense.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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