Outubro 13, 2020

Moisés está sob novo ataque fake

Moisés está sob novo ataque fake
MAURICIO VIEIRA/SECOM

Era para ser uma bomba e virou, literalmente, um caso de investigação policial e do Ministério Público Estadual, a referência equivocada de que o governador Carlos Moisés da Silva manteve contato, via WhatsApp, com o advogado Leandro de Barros, preso na Operação Oxigênio, e amigo do também detido, à época, advogado Douglas Borba, ex-chefe da Casa Civil.

O erro está nos documentos enviados pela força-tarefa formada pelo Ministério Público Estadual, Polícia Civil e Tribunal de Contas do Estado ao Superior Tribunal de Justiça, e o objeto que causa espécie é o celular de onde teria ocorrido a negada troca de mensagens, um número corporativo, o 48 9170-0033, que serve apenas para disparar mensagens sobre notícias do governo do Estado.

Em meio à ebulição que se estabelece em torno de Moisés e a vice-governadora Daniela Reinehr uma informação não checada pelos investigadores em cima do pagamento antecipado de R$ 33 milhões para 200 respiradores suscita dúvidas elementares, pois ao não confirmar para que número foi encaminhada a chamada, os responsáveis pela peça jurídica cravaram como sendo um celular de Moisés, ou por incompetência ou por dolo.

 

No revide

Moisés disse, em entrevista ao Portal SCC10 (leia em https://bit.ly/3lFL3kZ), que vai questionar a informação que consta do inquérito repassado pelo ministro Benedito Gonçalves, do STJ, para investigação da Polícia Federal e do Ministério Público Federal.

Os advogados do governador irão se manifestar junto ao procurador-geral de Justiça, Fernando Comin, chefe do Ministério Público para pedir a retificação da suposta troca de mensagens entre Moisés e Leandro.

 

A força-tarefa se manifesta

Em nota de esclarecimento emitida nesta terça (13), a força-tarefa da Operação Oxigênio minimizou os efeitos da informação sobre o suposto contato telefônico entre Leandro de Barros e Moisés, além de afirmar que este não é motivo da subida dos autos ao STJ.

A narrativa negativa contra o governador do Estado só ganhou mais alguns pontos com o episódio, já que Moisés teve a investigação decretada pelo ministro Benedito Gonçalves com base na citação do empresário Samuel Britto Rodovalho, sem sequer ter dito o nome do chefe do Executivo. Leia a nota da força-tarefa na íntegra:

 

"Nota de Esclarecimento: (Operação Oxigênio, O2)

O conteúdo do relatório do GAECO mencionado nesta segunda-feira pelo Governador catarinense em entrevista à imprensa não foi utilizado pela Força-Tarefa O2 para requerer a remessa ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) da investigação sobre a compra emergencial pelo Estado de 200 respiradores.

As referências ao Governador do Estado que embasaram a decisão judicial que determinou a remessa ao STJ foram identificadas em outros aparelhos telefônicos.

O relatório mencionado pelo Governador apenas reflete os dados existentes no celular, não cabendo ao MPSC emitir qualquer juízo de valor ou realizar a interpretação das provas que compete àquele Tribunal Superior.

Além disso, referido relatório foi encaminhado pelo GAECO ao STJ somente no dia 5 de outubro, ou seja, depois da competência para as investigações ter sido reconhecida pelo STJ, depois do relatório final da CPI e depois da última autorização de busca e apreensão do caso noticiada na imprensa, portanto, sem qualquer repercussão em relação a esses eventos.

Os autos judiciais em Santa Catarina passaram a ser públicos depois da deflagração das duas fases da Operação O2, todavia, atualmente, tramitam em sigilo perante o STJ.

Além disso, o conteúdo do relatório citado pelo Governador diz respeito a um dos investigados, cuja prova decorrente de busca e apreensão, como já divulgado pela imprensa, deve ser retirada do processo por decisão liminar do Supremo Tribunal Federal (STF) do dia 7 de outubro, não podendo ela ser utilizada dentro ou fora do processo, até segunda deliberação do STF.

Força-Tarefa O2"

 

Nem tudo é desprezível

No mesmo conteúdo enviado pela força-tarefa ao STJ consta que, de fato, Moisés alertou seu chefe de Gabinete para que repassasse ao delegado-geral da Polícia Civil, Paulo Koerich, a determinação de investigar os motivos criminais que poderiam envolver o pagamento antecipado de R$ 33 milhões à Veigamed por 200 respiradores.

O tema foi bastante explorado na CPI dos Respiradores, que acusava o governador de mentir sobre o fato, enquanto as transcrições obtidas com a quebra de sigilo do inquérito que está em Brasília confirmam as datas da comunicação do então secretário Helton Zeferino (Saúde) sobre a compra e o momento em que virou caso de polícia a partir do pedido do governador.

 

Mais uma

Há mais um ponto que tira parte do crédito da CPI dos Respiradores, nos dias que antecedem a análise de mais um pedido de impeachment, que trata do assunto pagamento antecipado.

Em uma das conclusões da comissão, comemorada por seus membros, e que consta do relatório final, existe a afirmação de que o TCE alertou sobre a aquisição dos equipamentos, mas, em solicitação da, líder do governo, deputada Paulinha da Silva (PDT), o presidente da corte administrativa declarou que foram muitas conversas com o governador, mas o assunto insumos da saúde para combate da pandemia foi tratado genericamente.

 

Sem mexer no contexto

Como o que é esperado na análise do relatório do deputado Valdir Cobalchini, como se diz no jargão das decisões pré-definidas, assunto encerrado, nenhum desses fatos novos devem fazer parte da votação desta terça (13) na Comissão Especial, que recomendará a admissibilidade do processo.

Ao que tudo indica, a arquitetura para afastar Moisés e Daniela, ela que ainda pode se safar neste segundo processo de impeachment, não parece ser tão precisa e definitiva como se deduzia, está mais para um queijo suíço, cheia de furos.

 

Boletim médico 1

O prefeito Gean Loureiro (DEM) confirmou que está coma Covid-19, sem ter sintomas muito fortes, mas impedido de trabalhar ou pedir votos presencialmente.

Para quem tem uma rotina alucinante e se orgulha de fazer reuniões com o secretariado às 6h da manhã, toda segunda, 14 dias não devem ser mais do que um alívio para o time, sem esquecer da correria em casa e daqueles que o cercam no trabalho e na campanha para fazer exames.   

 

Boletim médico 2

Enquanto Gean está mais tranquilo, sem descuidar da doença, o candidato a prefeito de São José, pelo Republicanos, Antônio Lemos, chegou a ser internado na UTI do Hospital da Unimed, onde deu entrada no último sábado com comprometimento respiratório.

Lemos, que já estava em isolamento há alguns dias por conta do Coronavírus, saiu da unidade no final da tarde desta segunda (12), mas continuará internado.

 

Lamentável

Um foi atingido por uma garrafa, o outro ameaçado de morte e vítima de agressões homofóbicas em um lamentável momento da campanha eleitoral em Florianópolis.

Rafael Braz, apoiador da Frente Democrática (PSOL, PT, PDT, PSB, PCdoB, Rede, UP, PCLCP e UCB), e o candidato a vereador pelo PSOL, Leonel Camasão, viraram personagens, fizeram boletins de ocorrência na Polícia Civil. Camasão gravou o agressor, identificado como um funcionário público municipal e filiado ao DEM.

 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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