Setembro 28, 2020

Moisés ganha apoio nas ruas

Moisés ganha apoio nas ruas

Os organizadores afirmam que eram 400 veículos na manifestação neste domingo (27), pelo Centro da Capital do Estado (foto), que defendiam a permanência do governador de Carlos Moisés e da vice Daniela Reinehr nos cargos e bradavam contra o processo de impeachment que chegou à fase do Tribunal Especial de Julgamento.

A situação de ambos é bastante delicada, a uma votação de maioria simples (seis votos) entre deputados estaduais e desembargadores para serem afastados dos postos que conquistaram nas urnas em 2018.

Sem o apoio necessário no parlamento, do qual o governador abdicou equivocadamente, Moisés e Daniela sabem que o relatório do deputado Kennedy Nunes (PSD), um de seus mais ruidosos adversários, trará inevitavelmente o afastamento de até 180 dias por conta do suposto crime de responsabilidade pela equiparação dos salários de procuradores estaduais com os da Assembleia.

Há um fio de confiança do governador e da vice, advogados por formação, de que sobressaia a avaliação técnica pelo Tribunal Especial, algo que não pode ser medido ou garantido, como também avaliar as carreatas já ocorridas na Capital como uma tendência no Estado só se outras manifestações ocorrererm nas principais cidades.

 

O que ele disse

Ao falar aos que participaram da carreata, Moisés disse que “não pode haver terceiro turno de eleição” e que sobre ele e Daniela “talvez estamos sendo punidos pelos nossos acertos e não pelos nossos erros”.

Falou em resistência ao lado da mulher Késia e de uma das filhas. Veja o vídeo na íntegra, em uma clara declaração de que não há possibilidade de renúncia, defendida por grupos que querem uma nova eleição ainda este ano.

 

Na rua, é diferente!

Criticado pela primeira carreata no dia da escolha de deputados e desembargadores que participariam do Tribunal Especial, na última quarta (23) Moisés e Daniela têm, neste momento, a vantagem de mobilização nas ruas.

Fora as declarações raivosas e desrespeitosas nas redes sociais, não se viu manifestações favoráveis aos deputados estaduais e ao processo de impeachment, tampouco de apoio ao presidente da Assembleia, deputado Julio Garcia (PSD).

 

É fato

Julio ajudou e ajuda muita gente e por ser denunciado pelo Ministério Federal na Operação Alcatraz, já virou réu e condenado com sentença transitada em julgado na opinião de quem antes lhe bajulavam, para ser claro.  

É que a acusação do MPF, a partir de investigação da Polícia Federal, aponta a participação do então conselheiro de Contas, antes do atual mandato, em uma série de 12 crimes, da lavagem de dinheiro à corrupção, e isso afasta o pessoal que tem medo do que virá pelas mãos da juíza Janaína Cassol Machado, da Vara Federal, ou do próprio MPF, que não parou a investida por aí.

 

REPRODUÇÃO/PORTAL MAKING OF

A PALAVRA DA HORA!

Nunca a palavra banalização ao tratar da questão dos processos de impeachment, que prometem tomar conta do país, foi tão bem empregada. A coluna tratou do assunto em 13 de maio passado e hoje vê que a leitura ganhou força em todo o país. Há quase que uma indústria de medidas que tentam desestabilizar governantes. O risco é que estas iniciativas enfraqueçam a democracia e se tornem presença constante em administrações que ousem contrapor ideias ou desagradar antigas práticas e velhos caciques.

 

Estratégia

O advogado Marcos Fey Probst e a advogada Ana Cristina Blasi, do governador e da vice, respectivamente, desistiram de propor, no dia da primeira sessão do Tribunal Especial, um pedido de prorrogação do prazo de defesa.

Como avotação do relatório de Kennedy Nunes ficou para depois do dia 15 de outubro, a prorrogação daria no mesmo para eles.

 

Desabafo

Marcos Probst avaliou que o fato de ser Kennedy na relatoria não constitui exatamente uma derrota para Moisés, já que o deputado dará um viès mais político à sua peça.

Na opinião do a dvogado, o parlamentar seria a melhor escolha, caso pudessem sugerir, já que, mesmo que receba toda a ajuda técnica, tem o discurso mais fraco em termos jurídicos. Comçaram as farpas.

 

SALVADOR NETO/DIVULGAÇÃO

REPRODUÇÃO/INTERNET

 

JOSI TROMM/DIVULGAÇÃO

ANA PAULA KELLER/DIVULGAÇÃO  

 

UMA LINHA COMUM

De cima para baixo, nas fotos, o médico e ex-deputado estadual Dalmo Claro de Oliveira aceitou ser o candidato à prefeitura de Joinville pelo PSL, partido de Carlos Moisés e que espera pelo retorno do presidente Jair Bolsonaro, porque o 17 tem força e também porque o deputado estadual e vereador mais votado na última eleição Fernando Krelling (MDB) deixou o governador na mão na votação da admissibilidade do impeachment. Dalmo já foi do MDB e depois pulou para o PSD, então chamado por Gelson Merisio em nome do projeto ao governo em 2018. Portanto, em momentos diferentes, o candidato pesselista já esteve ao lado de Krelling e do deputado federal Darci de Matos, candidato pessedista à prefeitura. Pensam que as linhas de amarração com a antiga sigla de Luiz Henrique (ex-prefeito da cidade mais populaosa do Estado, deputado estadual e federal, governador e senador) terminam por aí, não. Rodrigo Fachini, ex-vereador pelo MDB, foi para o ninho tucano e virou vice de Darci. E a influência tem mais uma variável: os emedebistas ou alguma parte do que já foi a sigla em Joinville migraram, de mala e cuia, para o Podemos, que tem Ivandro de Souza na disputa e Angélica Ponciano (DEM), de vice. 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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