Maio 17, 2020
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Moisés mira no futuro, que depende da política

Moisés mira no futuro, que depende da política
ARQUIVO/JAMES TAVARES/SECOM

Na mesma semana carregada em que enfrentou uma baixa pessoal na equipa, a saída de Douglas Borba da Casa Civil, foi alvo de pedidos de impeachment e viu a CPI dos Respiradores buscar elementos para ligá-lo a desmandos no pagamento antecipados dos equipamentos, Moisés fez mais do que se reunir com integrantes do colegiado.

O governador começa a perceber o tamanho da enrascada em que se meteu ao desprezar a articulação e demonizar a atividade parlamentar, tanto que se reuniu com o presidente da Assembleia, Julio Garcia, em um almoço na última terça.

No cardápio, além do salmão de forno, Moisés deixou de lado o formato de encontros anteriores, focado em amenidades, e tratou de política, algo inédito até agora, com foco na necessidade de trazer estabilidade e no melhor relacionamento com a Assembleia.

O discurso de que toda a ação com os detentores de mandato é igual ao toma lá dá cá, com troca de cargos e favores, aos poucos dá lugar à sanidade administrativa, padrão de comportamento de um governante que não deveria ser aprendido pelo erro.

 

O mesmo tom

Não fosse mais um encontro cercado de mistério, revelado pelos jornalistas só depois que ocorre, a aproximação de Moisés e Julio teria um grau de importância muito maior.

O presidente da Assembleia tem a prerrogativa de ser o responsável por encaminhar os pedidos de impeachment e determinar a formação de uma comissão de nove parlamentares depois de uma análise prévia da procuradoria da casa.

 

O tema

O pagamento antecipado dos respiradores não entrou na conversa entre o governador e o presidente da Assembleia.

Segundo Julio, Moisés apresentava a mesma tranquilidade de sempre. A leitura qye pode ser feita é a de que a crise na saúde misturada ao combate à Covid-19 alterou o comportamento de autossuficiência, aliás, de todos os que defendiam o pífio conceito de nova política, quando deveria ser de boa política.

 

Teve e terá mais

Depois da saída de Douglas Borba do governo, Moisés assumiu pessoalmente a interlocução política do governo, observado pelo secretário Amândio João da Silva Júnior (Casa Civil).

Não tem passado um dia sequer que o governador não tenha encontros individuais com deputados estaduais, articulação necessária no momento de uma crise enorme.

 

Profecia

Quando estava para sair do governo, Eduardo Pinho Moreira (MDB) tinha quase que um mantra que espalhava entre os jornalistas, mesmo quando em contatos informais.

“Vocês vão sentir saudades dos políticos”, repetia, o que se tornou a mais pura verdade em função dos acontecimentos em Florianópolis e Brasília.

 

Importante

Moisés sempre diz que é do grupo político do presidente Jair Bolsonaro, mas que não segue tudo que o líder diz ou faz.

Está na hora de aprender as últimas lições, uma delas em nome da experiência de 28 anos de deputado federal por 28 anos, quando atraiu o deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), que não deixa de ser seu adversário em terras fluminenses e nome execrado pela militância boilsonarista-raiz, para uma conversa no Palácio do Planalto, com direito a imagens, abraços, afagos e fotos.   

 

REPRODUÇÃO/REDES SOCIAIS

DESPEDIDA EM TOM CRÍTICO

O discurso de despedida do coronel Cláudio Roberto Koglin, subcomandante-geral da PM, foi de dura crítica ao governador Carlos Moisés. Havia, de acordo com fontes da caserna e até políticas, como o deputado estadual Marcos Vieira, um compromisso do governador em nomear o coronel Koglin para o posto do coronel Araújo Gomes, que foi para a reserva para assumir a Secretaria Nacional de Segurança Pública, em Brasília. O coronel Dionei Tonet assumiu o comando-geral. Koglin citou a herança de conduta ética, de autor desconhecido, para dizer que quando um militar, mesmo na reserva, o caso de Moisés, diz sim, significa sim, afirmativo. E completou: “Diga-me com quem andas e eu te direi quem és”. Presente, o governador ouviu a manifestação ao vivo. Foi forte.

 

Decisão 1

O governador do Estado deve publicar nesta segunda (18) a suspensão por 90 dias do pagamento da Indenização por Uso de Veículo Próprio (IUVP), para os servidores do Poder Executivo, principalmente procuradores do Estado e Auditores da Fazenda, que trará uma economia importante para os cofres públicos.

O assunto é polêmico e significa um gasto em torno de R$ 3milhões por mês, que não se justifica no momento de decretação de Estado de Calamidade, até porque, por outro decreto, que previa o atendimento presencial de pelo menos 50%, o retorno não foi pleno a partir de 4 de maio.

 

Decisão 2

Além da economia, Moisés atende a um ofício enviado há um mês pelo presidente do TCE, conselheiro Adircélio de Moraes Ferreira Júnior, que recomendava a suspensão “dos pagamentos da parcela fixa da IUVP”.

A justificativa do conselheiro estava relacionada ao decreto de calamidade pública, de 18 de março, e à ausência de atendimento com o isolamento decorrente da pandemia do Coronavírus.

 

Duas importantes

A Procuradoria Geral do Estado conseguiu importantes vitórias no Judiciário, na mesma trincheira do combate do Coronavírus, como a retirada do sigilo da ação em que garantiu o bloqueio de R$ 11 milhões da empresa Veigamed, depois que descobriu uma negociação milionária da empresa Fluminense, que forneceu somente parte dos respiradores ao governo, com a empresa Oltramed, localizada no Norte catarinense, kits de testes de Covid-19, o que acabou barrado.

E a mesma PGE conseguiu liminar no Tribunal de Justiça para que a empresa que fornece as tornozeleiras eletrônicas para monitoramento dos presos não deixasse de prestar o serviço a partir desta segunda (18).

 

Lá como cá

A pesada investigação sobre os contratos da Secretaria Estadual da Saúde do governo do Estado do Rio de Janeiro em tempos de combate à pandemia e anteriores, renderá a exoneração do secretário da Saúde fluminense, Edmar Santos, a partir da uma investigação, denominada “Favorito”, da Polícia Federal e Ministério Público do Rio, que já analisava falcatruas como parte da Operação Lava Jato.

Outras cabeças devem rolar no governo de Witzel, mas só da venda irregular de respiradores, cinco já foram presos, entre eles o ex-subsecretário da Saúde, Gabriell (sic) Neves.

 

REPRODUÇÃO/BAND CIDADE/TVBV

A CANDIDATA DE JORGINHO

A visão sobre a saída do ministro Nelson Teich, da Saúde, do governo Jair Bolsonaro, não é mesma da deputada federal Carmen Zanotto (Cidadania) e o senador Jorginho Mello (PL), conforme ficou claro na participação de ambos sobre a repercussão da demissão, no Banda Cidade, da TVBV. Enfermeira por formação e presidente da Frente Parlamentar Mista da Saúde, Carmen se diz preocupada com o curto período de 28 dias da permanência de Teich e lembra das ações do antecessor, Luiz Henrique Mandetta, à frente do combate ao Coronavírus, que tantos atritos provocaram entre Bolsonaro e seu ex-ministro, que podem atrapalhar os efeitos contra a Cobid-19. Jorginho, alinhado ao Planalto, tem uma avaliação muito mais objetiva de Teich, que, de fato, não disse ao que veio. Mas o interessante foi que o senador catarinense lançou a deputada para a vaga de ministra, para ajudar o país. Algo muito maior do que apoiar a pré-candidatura à prefeitura de Lages.

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roberto-azevedo política economia bastidores da política Santa Catarina
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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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