Junho 30, 2020

Moisés não tem pressa na Casa Civil

Moisés não tem pressa na Casa Civil
JULIO CAVALHEIRO/SECOM

Depois de duas substituições não programadas, com Douglas Borba e Amândio João da Silva Júnior, o novo ocupante da Casa Civil, seja chamado do chefe ou secretário, deixou de ser uma prioridade para o governador Carlos Moisés da Silva, na foto durante a visita à Fundação Catarinense de Educação Especial.

A interlocução direta com os deputados estaduais e com os órgãos com autonomia financeira e administrativa será absorvida pelo governador, algo que já tem feito com mais ênfase depois da saída de Borba, que demorou diante da pesada artilharia e de uma investigação que envolveu Ministério Público, Polícia Civil e Tribunal de Consta do Estado em função do pagamento antecipado de R$ 33 milhões por 200 respiradores.

Outra dúvida, instalada desde que o perfil de Amândio aumentou a interlocução com os segmentos empresariais, será direcionada para Moisés, afinal não é prerrogativa da Casa Civil, em regra, lidar com este assunto.

 

Sem nome

A pressa que se cobra de Moisés é desproporcional à grande reflexão e análise que o governador terá que fazer em torno do novo nome para a Casa Civil.

Já perdeu dois assessores por conta de um único assunto, os respiradores mecânicos, e qualquer escolha abrupta pode gerar mais desconforto. Por enquanto, Juliano Chiodelli responderá interina pela pasta.

 

Na CPI

O depoimento de Amândio, nesta terça (30) à CPI, deverá esclarecer pelo menos um ponto: o grau de relação dele com o empresário Samuel de Btitto Rodovalho, representante da Cima.

No encontro com este colunista, na última quinta, o então secretário da Casa Civil manteve a versão da nota oficial, de que nunca tratou de venda de respiradores com Rodovalho, até porque à época da foto, dia 22 de abril passado, a Veigamed já havia materializado a compra e recebido o dinheiro público antecipado.

 

Aliás

Amândio evitava falar sobre o assunto CPI, temia que qualquer antecipação seria mal-interpretada pelos deputados.

Também terá chance de dizer que não quebrou o celular, como foi sugerido por um dos parlamentares, e que o assessor Sandro Yuri, que igualmente aparecia na foto e foi exonerado também na sexta passada, não estava no governo à época da foto.

 

Interpretação

A saída de todos os auditores de carreira da Controladoria Geral do Estado foi vista mais do que um ato de solidariedade à controladora-geral adjunta, Simone Becker.

A atitude é interpretada pelo governo como um ato corporativista e um ponto a favor da demanda dos auditores do Estado em ter profissionais da área na função que, por ora, é do professor Luiz Felipe Ferreira.

 

É inevitável, mas... 

Ainda é incerto o futuro do controlador-geral do Estado, Luiz Felipe Ferreira.

O fato é que, em reunião com os assessores mais próximos, no fim da tarde desta segunda (29), Ferreira declarou que estava de saída do governo, mas não havia a confirmação oficial.

 

Adiantou-se

A atitude de Ferreira seria uma antecipação ao que a Assembleia deve analisar na sessão desta terça (30), o pedido de afastamento dele administração estadual, solicitado pelos nove deputados da CPI dos Respiradores, e será, com certeza, uma vitória deles.

O controlador-geral do Estado praticamente selou sua demissão quando repassou à CPI o relatório preliminar da sindicância que ele mesmo instaurou para apurar irregularidades e erros na antecipação do pagamento de R$ 33 milhões à Veigamed pela compra de 200 respiradores. Sem dar tempo de defesa aos citados, que sequer haviam sido comunicados, fez mais do arranhar biografias, pré-julgou servidores, a maioria de carreira.

 

Aproximação

Moisés recebeu com tapete vermelho, nos últimos dias, dois ministros da ala mais próxima ao presidente Jair Bolsonaro, sinal de que há uma aproximação com o Palácio do Planalto por outras vias, sem a interferência dos mais radicais, que tiraram, por exemplo, o coronel Araújo Gomes da Secretaria Nacional de Segurança Pública.

Na mesma semana, o governador fez gestos mais do que protocolares a Ricardo Salles (Meio Ambiente) e a Damares Alves (Mulher, Família e Direitos Humanos), o que, em determinados momentos, tirou o protagonismo da vice-governadora Daniela Reinehr, mais próxima do segmento, e que pretende deixar claro que representa os bolsonaristas no Estado.

 

Não se esqueça

Que por trás de ataques contra o governador Carlos Moisés e até contra o presidente Jair Bolsonaro há muita motivação nas escolhas de prefeitos e vereadores deste ano.

O idealismo e a preocupação com o dinheiro público passam ao largo quando nos defrontamos com o adágio de “eleição na terra, tempo de guerra”.

 

JOEL PASSOS/DIVULGAÇÃO

RESPIRADORES QUE CHEGAM!

O deputado federal Fabio Schiochet (PSL) trouxe ao estado 10 respiradores mecânicos para UTIs e 10 aparelhos para utilização em ambulâncias. A ação veio direto do Ministério da Saúde e os respiradores foram distribuídos em Itajaí, Mafra e Jaraguá do Sul, base política do deputado, que também preside a sigla em Santa Catarina. Na foto, no Hospital São José, de Jaraguá, que recebeu quatro aparelhos para UTI e quatro móveis, aparecem com o parlamentar (segundo da esquerda para a direita), o secretário municipal de Saúde, Alceu Gilmar Moretti, e o diretor geral da instituição, Maurício José Souto Maior.

 

Admitiu

O prefeito Gean Loureiro (DEM), de Florianópoilis, ouviu o empresariado e determinou novos protocolos para reabrir academias, galerias e shoppings a partir desta terça (30).

Junto com a avaliação da equipe médica, Gean tinha definido que a reabertura só seria feita na semana que vem, mas a pressão foi grande. O argumento de que o problema está no consumidor é verdadeiro, enquanto o comércio se esforçou para adotar as medidas de proteção contra a pandemia. Leia mais em https://bit.ly/2CVOCCz.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis) e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários na Rádio Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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