Fevereiro 08, 2020
SÃO JOSÉ EM AÇÃO

Moisés respalda movimento interno no governo

Moisés respalda movimento interno no governo
ARQUIO SECOM/ DEZ 2018

A filosofia oriental sacramenta que não há coincidências, tudo tem uma razão e um propósito, situação que em política significa fato e consequência, o que leva a crer que existe algo mais do que um simples movimento de retirar situações desconfortáveis da rotina do governador Carlos Moisés da Silva ou uma mexida no secretariado.

Em menos de 24 horas, Moisés exonerou o bem recomendado coronel Carlos Hassler, da Infraestrutura, e a servidora de carreira Célia Iraci da Cunha, da Procuradoria Geral do Estado: um por ter criado um atrito irreversível com a Assembleia, de quem o governo precisa dos votos, e a outra por ter participado de um fato que gerou um pedido de impeachment por crime de reponsabilidade, na equiparação dos salários dos procuradores do governo com os da Assembleia.

O desgaste e não o desempenho técnico afastou ambos do apoio incondicional de Moisés e fez crescer a teoria de que há uma ação interna na administração estadual, que passaria pela força que o secretário da Casa Civil, Douglas Borba, garantiu desde antes de começar a administração, quando seguia os passos de um candidato azarão na campanha de 2018, que apoiava Jair Bolsonaro.

O governo Moisés entra na fase de amadurecimento político, onde as relações não se limitam aos corredores do Executivo, e sim com os demais poderes e a sociedade, sem esquecer da gestão.

 

O que alimenta

O novo procurador-geral do Estado, Alisson de Bom de Souza (foto), é um servidor de carreira da PGE desde 2010, e estava na diretoria de Assuntos Legislativos da Casa Civil, um assessor de prestígio sob às ordens diretas de Borba.

DIVULGAÇÃO/CASA CIVIL 

Em relação ao novo secretário da Infraestrutura, o major PM Thiago Augusto Vieira, não há o fator proximidade com o chefe da Casa Civil, mas o sentimento que comungavam publicamente em comum sobre eventuais falhas e a demora de Carlos Hassler em resolver demandas, uma fritura que começou há meses.

 

Um político

Vereador licenciado em Biguaçú, desde 31 de dezembro de 2018, onde ocupava uma cadeira pelo PP no segundo mandato – condição menosprezada pelos desafetos e adversários -, o advogado Douglas Borba, ao lado do dentista e ex-vereador de Tubarão e ex-candidato ao Senado Lucas Esmeraldino, foi um dos assessores de primeira hora do candidato Comandante Moisés (juntos na foto abaixo), na época em que o idealismo, a ideologia de direita e Jair Bolsonaro eram seus únicos predicados.

Esmeraldino virou secretário de Desenvolvimento Econômico Sustentável pela gratidão de Moisés com quem o lançou ao governo, mas saiu enfraquecido com a perda da presidência do PSL e se viu afastado do deputado federal Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) e do pai-presidente por decisões do governador, enquanto Douglas tomou a dianteira e se filiou na sigla, do qual é secretário-geral. Borba ganhou uma musculatura digna de um Arnold Schwarzenegger e o respeito de Moisés, inclusive na articulação com a Assembleia.

 

VANDREI BION/DIVULGAÇÃO

UMA HOMENAGEM EMOCIONANTE

Lembrar os 10 anos de criação do Batalhão de Operações Aéreas é traçar uma nova perspectiva no salvamento do Corpo de Bombeiros Militar e do Samu no Estado. A nova sede em Florianópolis foi o palco do evento que também homenageou quem ajudou na consolidação do serviço essencial à sociedade e que se espalhou por várias regiões do Estado. O deputado federal Hélio Costa (Republicanos) foi um dos homenageados pela campanha jornalística que fez, ainda na RIC TV Record, sob o nome de “Fica Arcanjo”, operacionalizado na Operação Veraneio de 2010, fato que determinou, mais tarde, a criação do batalhão aéreo (BOA). Na foto, Hélio em outro momento emocionante, quando se encontrou com o coronel da reserva remunerada José Cordeiro Neto, ex-comandante-geral do Bombeiro Militar, que participou da campanha e hoje  enfrenta uma doença decorrente da atividade profissional, e o também ex-comandante-geral da corporação, coronel da reserva remunerada Edupércio Pratts, que foi piloto de uma das aeronaves.

 

Copo cheio

Revelação de que o Ministério Público Federal ofereceu denúncia por organização criminosa no âmbito da Operação Chabu, da Polícia federal, contra o prefeito Gean Loureiro (DEM), de Florianópolis, e outras seis pessoas, - entre elas o ex-secretário da Casa Civil do Estado, Luciano Veloso Lima - foi suficiente para atiçar todos os adversários em um clima de campanha eleitoral antecipada na sexta (7).

Teve quem foi às redes sociais fazer lives, quem postou e espalhou cópia do documento em que o juiz federal convocado do TRF-4, Marcelo Cardozo da Silva, pede a apresentação das considerações da defesa do prefeito, verdadeira dinamite nas mãos dos que suegerem que um artigo da Lei Orgânica do Município seja levado adiante e que ocorra o afastamento de Gean do cargo.

 

Copo vazio

Os pré-candidatos e postulantes que pretendem concorrer contra Gean, em outubro, sabem que “São Chabu”, expressão cunhada a partir da investigação que pretende descobrir vazamentos de outras operações da PF, é o maior elemento contra o agora demista, munição para desmerecer a administração exitosa ao lado de um pedido de prisão provisória, que nunca foi efetivado, porém chegou a ser emitido contra o prefeito.

O que Gean alega é que foi indiciado por cinco crimes e apenas o de organização criminosa foi acatado pelo MPF, os demais arquivados, o que não tira a dor de cabeça e que pode ser ainda barrado no Judiciário, caso a denúncia não seja aceita, enquanto a tal sala secreta no prédio da prefeitura nunca tenha sido encontrada.

 

Abre tudo

O procurador da República Ipojucan Corvello Borba, que ofereceu a denúncia contra Gean Loureiro e mais seis pessoas, quer que seja quebrado o sigilo sobre as investigações da Polícia Federal, segundo revelou o Portal Jus Catarina.

Mais do que importante, porque nem a operação que pretende desvendar quem atrapalha investigações e vaza procedimentos da PF, escapou, com segredo de justiça e tudo mais, de enorme volume de informações repassadas, de todos os cantos envolvidos, o que caberia uma punição aos responsáveis pela divulgação.

 

LEONARDO SOUSA/PREFEITURA DE FLORIANÓPOLIS

ENQUANTO ISSO

Não passa um fim de semana em que Gean Loureiro fica sem entregar obras, além das que nem inaugura formalmente, como na Operação Asfaltaço, o que incomoda os adversários. Neste sábado (8), a entrega foi da revitalização do Largo da Alfândega, trabalho que durou um ano e meio e contou com recursos do Iphan e do Ministério do Turismo, que investiram R$ 9,5 milhões. Um presente para a Capital e para os catarinenses. O eleitor é quem terá o dever de definir se, em outubro, avalia a administração de Gean ou a denúncia de ter se beneficiado politicamente de vazamentos de Operações da PF. Pesos diferentes, onde o pior cenário para Gean será a demora da análise da Justiça Federal, no TRF-4, o que prolonga o discurso da oposição a ele.  

 

Mais uma vez

Não é de hoje a ideia de que os feriados nacionais que caem no meio da semana sejam antecipados ou transferidos para segunda-feira, ideia que começou com o ex-presidente da República José Sarney (MDB-MA), e o senador Dário Berger (MDB) está confiante que agora seja aprovado pelos deputados federais, depois de passar pelo Senado.

Dário e os defensores da proposta, que é inteligente, baseiam suas convicções na estimativa da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), à exceção das atividades econômicas ligadas ao turismo, de que o comércio nacional deve ter, este ano, recheado de feriadões, prejuízo de cerca de R$ 20 bilhões com os feriados que caem em dias úteis. Natal e Ano Novo ficam de fora desta proposta.

 

* FICOU DE FORA: A ex-secretária de Assistência Social, Trabalho e Habitação do estado, Romanna Remor, que atendeu ao pedido de Gean para manter um assessora jurídica na pasta, mulher do policial rodoviário federal, denunciado pelo MPF na Operação Chabu, foi retirada da peça enviada ao TRF-4, assim como outras nove pessoas.

* FILIAÇÃO 1: A concorrida filiação do deputado estadual Ivan Naatz no PL, neste sábado (8), foi o fato político no Vale do Itajaí no fim de semana, no encontro regional do partido.

* FILIAÇÃO 2: Naatz será o líder da bancada na Assembleia, recebeu tratamento VIP dos colegas Nilso Berlanda, Marcius Machado e Maurício Eskudlark, e do presidente da sigla, o senador Jorginho Mello.

MAURÍCIO LOCKS/DIVULGAÇÃO

* FILIAÇÃO 3: No ato ficou, mais uma vez, explícita a estratégia de Jorginho em se aproximar dos dissidentes do PSL na Assembleia e na Câmara, com as presenças dos deputados estaduais Ana Carolina Campagnolo e Sargento Lima, em nome de estar com Jair Bolsonaro, recado claro que a oposição ao governador Moisés será metódica, constante e implacável.

 

 

 

 

 

 

 

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 35 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, editor-chefe, chefe de Redação, gerente e diretor de Jornalismo na RBS TV (Blumenau e Florianópolis), hoje NSC TV; na TV Record (Florianópolis) e na Rede TV Sul (hoje SCC SBT); comentarista na RIC TV (hoje NDTV) e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia. Atuou nas rádios União AM e FM (Blumenau e Florianópolis), e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, assina uma coluna no Diarinho (Itajaí), faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento), na 105 FM (Jaraguá do Sul) e na Cidade em Dia FM, de Criciúma, e é diretor de Conteúdo na TVBV (Band).
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