Agosto 15, 2019

Moisés se encontra com a base

Moisés se encontra com a base
JULIO CAVALHEIRO/SECOM

Antes de começar o jantar, apelidado de cervejada, na Casa d’Agronômica, na noite desta quarta (14), poucos dos 28 deputados da base convidados pelo governador Carlos Moisés (na foto, durante a agenda em Rio do Sul) arriscavam o motivo do encontro, mas era fácil descobrir.

O mais trivial era imaginar que, preocupado com a repercussão do tema, Moisés faria uma aproximação para resolver a questão da Tributação Verde, que aplica uma alíquota de 17% do ICMS, ineditismo nacional em cima de uma questão mundial, encampada pela Secretaria da Fazenda catarinense.

Os parlamentares, pressionados por representantes do agronegócio, que reclamam do inevitável repasse aos produtos que tirará competitividade com os vizinhos Rio Grande do Sul e Paraná, sugerem que o tema seja resolvido com uma ampla transição, até chegar à cobrança maior do tributo.

 

A sugestão

Partiu do deputado Valdir Cobalchini (MDB), que também integra o chamado “Bloquinho”, que reúne 11 parlamentares, a ideia de que Moisés e o secretário Douglas Borba (Casa Civil) estreitassem os contatos com os 28 deputados da base.

O modelo não é novo e Cobalchini trouxe do tempo em que ele era o titular da Casa Civil, no governo Luiz Henrique (MDB), e as novas matérias ou pacotes de projetos eram apresentados e debatidos antes com a bancada de apoio, até para evitar dispersões ou posições contrárias na hora de passar pelas comissões ou chegar a plenário.

 

Saia justa

Alguns deputados da bancada do PSL reagiram mal à entrevista que o governador Carlos Moisés concedeu à Folha de S.Paulo, em que, outros pontos, distanciou-se de posturas mais polêmicas do presidente Jair Bolsonaro e até chamou de “sandice” a turma que tira fotos fazendo a “arminha” com a mão nas fotos, até, quando candidato, o hoje governador arriscou o gesto.

Alguns fizeram questão de publicar a contrariedade no mundo que vivem, nas redes sociais, e rotularam o caso de infelicidade de Moisés, que estaria contrariando “bravos militantes conservadores”.

 

Nem eu nem ele

É fato que o deputado Maurício Eskudlark (PL) disse ao colega Vicente Caropreso (PSDB) que pretendia deixar a liderança do governo, mas ouviu do tucano que o momento não é adequado.

Líder do bloco de apoio ao governo que reúne 11 parlamentares, Caropreso nega que tenha sido convidado para a missão, mesmo gesto de Valdir Cobalchini, que se repete que se pôs à disposição para ajudar, sem a questão de liderança no meio. O secretário Douglas Borba também nega qualquer movimento para substituir Eskudlark e Moisés confirmou a posição de Eskudlark.

 

Calcanhar

No jantar na Agronômica, Moisés deve ter ouvido dos deputados que o governo precisa melhorar a sua comunicação com a sociedade.

Os projetos chegam na Assembleia, desde a questão dos inventivos fiscais, e os deputados que aguentem o rojão, com a natural cobrança de setores da economia.

 

De baixo do braço

Ex-ministro e ex-prefeito de Chapecó, José Fritsch (PT) circulou pela Assembleia com uma cópia do projeto de lei, protocolado na Câmara dos Deputados, que institui a política nacional de redução de agrotóxicos de baixo do braço.

Fritsch age para tentar construir uma proposta idêntica em Santa Catarina, em meio à reação do agronegócio sobre a taxação maior dos insumos pelo governo do Estado, o que não significa, em tese, que petistas e pesselistas estejam do mesmo lado nesta história.  

 

JOÃO MANOEL NETO/DIVULGAÇÃO

PEDIDO DO LUPI

Na passagem por Santa Catarina, quando participou do ato da Assembleia que restituiu simbolicamente os mandatos de sete deputados estaduais e de um ex-governador, cassados pela ditadura militar, entre eles o pedetista Manoel Dias, à época no MDB, o presidente nacional do PDT, Carlos Lupi, fez um apelo ao deputado Rodrigo Minotto. Para o partido, considera Lupi, será fundamental que Minotto concorra à prefeitura de Criciúma, em 2020. No segundo mandato de deputado estadual, Minotto não desconversou, mas afirmou que tem o nome a pré-candidato nas ruas e busca agora aquela viabilidade política, até porque sabe força do prefeito Clésio Salvaro (PSDB).

 

Alerta

Da presidente da CCJ do Senado, Simone Tebet (PSDB-MS), ao insistir que as declarações ditas aos solavancos pelo presidente Jair Bolsonaro não ajudam em nada a tramitação de temas importantes, como a Reforma da Previdência.

Para a senadora, Bolsonaro deveria pensar antes de falar e evitar as repercussões nem sempre agradáveis entre os parlamentares.

 

PABLO VALADARES/CÂMARA DOS DEPUTADOS

REVANCHE SIM!

Os deputados federais ainda comemoravam ao lado do Palácio do Planalto a aprovação da MP da Liberdade Econômica quando veio a decisão de aprovar, na quarta (14) à noite o projeto contra o abuso de autoridade. Mesmo que o presidente da Câmara, deputado Rodrigo Maia (DEM-RJ), afaste a ideia de que foi uma revanche às operações de combate à corrupção, realizadas com mais intensidade, pela Lava Jato, desde 2012, não há como não considerar esta como a verdadeira intenção da norma, que já havia sido aprovada no Senado. Do projeto, que prevê cerca de 30 condutas que podem levar à prisão àqueles que se valerem do cargo para prejudicar um indivíduo sem a devida prova, o importante é que não centra somente no Poder Judiciário, no Ministério Público ou no trabalho da Polícia Judiciário em todas as instâncias, também prevê punição para integrantes do serviço público com um todo, o que inclui o Executivo e o Legislativo. O que não se pode negar é que, em nome de combater a corrupção, exageros foram cometidos e, quando corrigidos, não tiveram a mesma repercussão do que as detenções espetacularizadas.

 

Apoio total

A Federação das Associações Empresariais de Santa Catarina - Facisc comemorou a aprovação da medida provisória da liberdade econômica.

Sobre o objetivo de diminuir a burocracia, o presidente da entidade, Jonny Zulauf, declarou que “a maioria dos empreendedores que começam um novo empreendimento ou uma startup já desistem no início do processo por conta dos custos burocráticos. Temos que flexibilizar para que nasçam mais empresas".

 

Para esclarecer

O empresário Paulo Ney Almeida, sócio da Construtora Espaço Aberto, surpreendeu ao prestar depoimento na CPI da Ponte Hercílio Luz e, em alguns momentos, ao lado dos advogados que foram com ele, confrontou pela primeira vez os deputados da comissão.

Almeida disse que a empresa, que teve o contrato rescindido pelo governo do Estado, não tinha a habilidade técnica para realizar o serviço de manutenção e reparo da ponte, mas que ninguém possuía esta qualificação à época, e que perdeu dinheiro em muitas obras públicas. Vale lembrar que a Espaço Aberto ganhava quase todas as licitações no Estado, algumas delas até com o governo federal, nas administrações de Lula e Dilma.

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Roberto Azevedo

Roberto Azevedo
Jornalista com 34 anos de profissão. Foi repórter, editor, chefe de Reportagem, chefe de Redação, editor-chefe, gerente e diretor de Jornalismo, nas RBS TV de Blumenau e Florianópolis, na TV Record de Florianópolis e na Rede TV Sul!; comentarista na RIC TV Record e na Record News; editor de Política e colunista no Diário Catarinense (DC), e colunista no Notícias do Dia (ND). Atuou nas rádios União de Blumenau e União FM de Florianópolis, e na Rádio Record da Capital. Atualmente, além do Making Of, faz comentários nas rádios do Grupo RCC (Bombinhas e Nova Trento) e na 105 FM (Jaraguá do Sul); e assina uma coluna no Diarinho, de Itajaí.
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