Julho 24, 2020

Moisés, sozinho entre a pandemia e o impeachment

Moisés, sozinho entre a pandemia e o impeachment

Ao se eleger na onda 17, com a tese da “nova política”, Carlos Moisés se isolou no governo, mais claramente na Casa da Agronômica, e imaginou que poderia governar sozinho. Escolheu para cargos relevantes companheiros de farda à política de baixa envergadura, para a Saúde e Casa Civil, e entregou a um professor, sem experiência política, a elaboração da estratégia de governo.

Todos fracassaram na gestão. A vice-governadora, por sua vez, para não ser apenas figura decorativa, aproveitando as mordomias de casa e estruturas pagas pelo governo, tratou de se alimentar do fogo amigo para dar prova de vida. Até neste momento, quando deveria se unir a Moisés para lutar contra o impeachment, foi a primeira a criticar o governo.

Daniela tende a morrer abraçada com Moises, se não fizerem com urgência o que não conseguiram até agora em um ano e meio de governo. Ter base na Assembleia, abrir relacionamento com os poderes e veículos de comunicação, liberar a licitação das verbas publicitárias, entre outros. É muita coisa a fazer em tão pouco tempo.

Ainda nesta sexta-feira, 24, a Assembleia Legislativa deve esclarecer os ritos do processo de impedimento, entre os quais o prazo, se valerá o número de sessões – como no caso da presidente Dilma Roussef – ou um tempo fixo.

 

Respiradores

Tudo isso acontece por ação de um defensor público, colocado no cargo por governo anterior, em cima do reajuste de promotores. Não tem nada a ver com o caso dos respiradores, esse sim o grande problema do Estado, até agora sem solução.

O governo está sendo ameaçado por um processo burocrático e não pelo suposto crime dos 33 milhões pagos adiantados. Mais ou menos como na época da lei seca, em Chicago, quando pegaram o mafioso Al Capone por sonegação de imposto de renda e não pelos crimes que cometera.

O momento é crítico. Moisés parece sem chão e sem estratégia para reagir. Até agora não falou nada e não tem quem fale por ele. Mas tem muitos falando contra. Para alguns é como se fosse continuidade da eleição de 2018, principalmente para aqueles que não aceitaram ainda que um coronel bombeiro assumiu o Estado.

O nosso horizonte é pior ainda que as perspectivas do governador, pois logo ali na frente estarão todas as discussões legais e políticas, e sobre as nossas cabeças a pandemia em crescimento e muita desarticulação no combate. 

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Claiton Selistre

Claiton Selistre

Jornalista formado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, foi diretor de Jornalismo por 25 anos da RBS TV, TVCom e Rádio CBN/Diário em Santa Catarina. Antes atuou na  Rádio e TV Gaucha do grupo RBS e em redações de jornal, rádio e tv do grupo Caldas Jr. em Porto Alegre. Foi também repórter da na Sucursal do Jornal do Brasil. Planejou e Coordenou coberturas multimídia nas Copas do Mundo de Futebol na Alemanha, Argentina, Espanha, México, Itália, Estados Unidos, França e Japão/Coréia. Dirige a Making of há seis anos.

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